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sábado, 25 de abril de 2020
sexta-feira, 24 de abril de 2020
São Jorge, o Escutismo e Baden-Powell
São Jorge, o Escutismo e Baden Powell
por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 24 de abril 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
artigo publicado a 24 de abril 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
Se não vivêssemos condicionados pela luta que todos somos chamados a travar contra a pandemia que nos atormenta, certamente que esta crónica seria bem diferente, uma vez que teria sido escrita nas vésperas do dia de São Jorge, o patrono mundial do escutismo, e publicada na sexta-feira que antecederia o fim de semana dedicado ao nosso patrono mundial, com a realização de um sem número de atividades desenvolvidas por todo o país, tanto ao nível dos agrupamento como das estruturas intermédias: Núcleos e Regiões.
Por causa do contexto em que vivemos será prudente que os escuteiros, num exercício de cidadania, e no respeito pelo trabalho daqueles que não podem ficar em casa, para garantirem a segurança e o bem-estar de todos os outros, celebrem o dia de São Jorge, recorrendo às tecnologias da informação, seguindo o conselho que Baden-Powell nos deixei no “Escutismo para Rapazes”: «Nesse dia todos os bons escuteiros se lembrem de meditar sobre a sua promessa e lei. Recordai-vos disto no próximo dia 23 de abril e saudai os vossos irmãos escuteiros espalhados pelo mundo» (página 269, edição do CNE, 2007).
A Promessa é simples: «Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
1. Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
2. Auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
3. Obedecer à Lei do Escuta.»
O seu texto remete-nos para a vivência de valores que têm como elemento de ligação o Amor ou, como dizia São Paulo, a “Caridade”. Estes situam-se em dois planos distintos o plano da fé e o da cidadania, que devem ser vividos em perfeita sintonia, não procurando que “o hábito faça o monge”, mas que este seja “feito” pela sua vida quotidiana.
A ajuda ao próximo, reforçada pelo terceiro artigo da Lei: «O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa ação», fornece a base dos deveres para com Deus e para com as pessoas, sobre a qual os pais e os dirigentes podem facilmente construir o edifício da fé.
Recordemos que Baden-Powell, sendo filho de um pastor anglicano, e apesar de ter tido uma educação cristã, escreve no “Escutismo para Rapazes”: «O homem de pouco vale, se não acreditar em Deus e obedecer às suas leis. Por isso todo o escuteiro deve ter uma religião.» (edição do CNE, 2007, p. 287,), ficando em aberto a possibilidade de cada um ter a sua religião, não impondo, nem a sua, nem qualquer outra, deixando, desta forma, que as associações escutistas se organizem.
De certa forma, o fundador abre espaço a um “ecumenismo” multirreligioso, muito mais amplo que o cristianismo, escrevendo mesmo “catolicismo, protestantismo, judaísmo, islamismo, etc., o ponto essencial é que todos adoram Deus, embora de formas diferente. Assemelham-se a soldados de um mesmo exército...” Não pode haver, diz ele, “maus sentimentos” entre os diversos corpos deste exército. Esforçando-se, desta forma, na organização do movimento escutista de portas abertas às diversas religiões. Mas não vai procurar reuni-las, lançando-se numa tentativa imprudente de definição de uma pedagogia ecuménica ou sincretista. «Se tivéssemos cometido o erro de ignorar completamente a religião ou de experimentar lançar uma religião “escuteira”, o que, de facto, não teria sido senão uma espécie de neutralidade, nós nunca teríamos conseguido a tornarmo-nos no que somos...» (Headquarters Gazette, maio de 1916, p.118).
Em “A Caminho do Triunfo”, livro que Baden-Powell, escreveu para os Caminheiros, jovens dos 18 aos 20 anos) «A religião muito resumidamente quer dizer: Primeiro – conhecer quem é Deus e o que Ele é. Segundo – aproveitar o melhor possível a vida que Ele nos deu e fazer o que Ele quer de nós. E isto consiste principalmente em fazer alguma coisa pelos outros. (...) Como meio para alcançar estes dois objetivos e fugir ao ateísmo, há duas coisas que quero recomendar-te: - uma é que leias esse velho livro extraordinário que é a Bíblia [ou o equivalente em qualquer outra religião], na qual, além da Revelação Divina, acharás uma obra interessantíssima de narrativas históricas, de poesia, bem como de moralidade. – A segunda é que leias o Livro da Natureza, e que observes e estudes o melhor que possas as maravilhas e as belezas que esta nos apresenta para nosso deleite. E depois considera como poderás servir a Deus da melhor maneira enquanto dispões daquela vida que Ele te concedeu por empréstimo.» (2ª edição de CNE, 1974, p. 197).
Por causa do contexto em que vivemos será prudente que os escuteiros, num exercício de cidadania, e no respeito pelo trabalho daqueles que não podem ficar em casa, para garantirem a segurança e o bem-estar de todos os outros, celebrem o dia de São Jorge, recorrendo às tecnologias da informação, seguindo o conselho que Baden-Powell nos deixei no “Escutismo para Rapazes”: «Nesse dia todos os bons escuteiros se lembrem de meditar sobre a sua promessa e lei. Recordai-vos disto no próximo dia 23 de abril e saudai os vossos irmãos escuteiros espalhados pelo mundo» (página 269, edição do CNE, 2007).
A Promessa é simples: «Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
1. Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
2. Auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
3. Obedecer à Lei do Escuta.»
O seu texto remete-nos para a vivência de valores que têm como elemento de ligação o Amor ou, como dizia São Paulo, a “Caridade”. Estes situam-se em dois planos distintos o plano da fé e o da cidadania, que devem ser vividos em perfeita sintonia, não procurando que “o hábito faça o monge”, mas que este seja “feito” pela sua vida quotidiana.
A ajuda ao próximo, reforçada pelo terceiro artigo da Lei: «O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa ação», fornece a base dos deveres para com Deus e para com as pessoas, sobre a qual os pais e os dirigentes podem facilmente construir o edifício da fé.
Recordemos que Baden-Powell, sendo filho de um pastor anglicano, e apesar de ter tido uma educação cristã, escreve no “Escutismo para Rapazes”: «O homem de pouco vale, se não acreditar em Deus e obedecer às suas leis. Por isso todo o escuteiro deve ter uma religião.» (edição do CNE, 2007, p. 287,), ficando em aberto a possibilidade de cada um ter a sua religião, não impondo, nem a sua, nem qualquer outra, deixando, desta forma, que as associações escutistas se organizem.
De certa forma, o fundador abre espaço a um “ecumenismo” multirreligioso, muito mais amplo que o cristianismo, escrevendo mesmo “catolicismo, protestantismo, judaísmo, islamismo, etc., o ponto essencial é que todos adoram Deus, embora de formas diferente. Assemelham-se a soldados de um mesmo exército...” Não pode haver, diz ele, “maus sentimentos” entre os diversos corpos deste exército. Esforçando-se, desta forma, na organização do movimento escutista de portas abertas às diversas religiões. Mas não vai procurar reuni-las, lançando-se numa tentativa imprudente de definição de uma pedagogia ecuménica ou sincretista. «Se tivéssemos cometido o erro de ignorar completamente a religião ou de experimentar lançar uma religião “escuteira”, o que, de facto, não teria sido senão uma espécie de neutralidade, nós nunca teríamos conseguido a tornarmo-nos no que somos...» (Headquarters Gazette, maio de 1916, p.118).
Em “A Caminho do Triunfo”, livro que Baden-Powell, escreveu para os Caminheiros, jovens dos 18 aos 20 anos) «A religião muito resumidamente quer dizer: Primeiro – conhecer quem é Deus e o que Ele é. Segundo – aproveitar o melhor possível a vida que Ele nos deu e fazer o que Ele quer de nós. E isto consiste principalmente em fazer alguma coisa pelos outros. (...) Como meio para alcançar estes dois objetivos e fugir ao ateísmo, há duas coisas que quero recomendar-te: - uma é que leias esse velho livro extraordinário que é a Bíblia [ou o equivalente em qualquer outra religião], na qual, além da Revelação Divina, acharás uma obra interessantíssima de narrativas históricas, de poesia, bem como de moralidade. – A segunda é que leias o Livro da Natureza, e que observes e estudes o melhor que possas as maravilhas e as belezas que esta nos apresenta para nosso deleite. E depois considera como poderás servir a Deus da melhor maneira enquanto dispões daquela vida que Ele te concedeu por empréstimo.» (2ª edição de CNE, 1974, p. 197).
quarta-feira, 15 de abril de 2020
O 18º Ciclo do Cenáculo, pelos olhos da Ângela e do Alexandre
O 18º és tu e eu. É nosso. E pode ser tudo aquilo que tu Sonhares que seja.”
Sabes o que é o Cenáculo?
O cenáculo é uma atividade que se realiza a nível Local e a nível Nacional, feito de Caminheiros para Caminheiros!
No Cenáculo Local, participam todos os Aspirantes, Noviços e Caminheiros do Núcleo ou Região a que pertencem.
No Cenáculo Nacional, participam todos os representantes (coordenadores) dos Núcleos ou Região eleitos localmente. Este, realiza-se em duas datas, ou seja, em dois encontros. O Encontro Aberto, onde participam os representantes do ciclo atual e os representantes do próximo ciclo. No Encontro Fechado, participam os representantes do ciclo atual.
No 18ºCiclo do Cenáculo Nacional, fomos desafiados a Sonhar, entrando na Empresa Espacial Dreamworks na qual éramos astronautas. Durante este encontro, tivemos oportunidade de participar na IV Summit onde debatemos diversos temas ligados à Sustentabilidade, dando voz aos Caminheiros da nossa realidade. Comprometemo-nos, mais uma vez, a tornar o Mundo um pouco melhor do que aquilo que encontramos.
De modo a criar uma ligação com o Cenáculo Nacional, regressamos à nossa base e de seguida colocamos a nossa tripulação a trabalhar para deste modo realizarmos o 18ºCiclo do Cenáculo do Núcleo de Braga.
Este ano, O Encontro Local, teve lugar nos dias 6, 7, 8 de março de 2020, na escola E.B. 2,3 de Nogueira cujo lema foi “Desperta o génio que há em ti”, baseado no imaginário do “Aladdin”, onde foram abordados alguns temas, como o “Escutismo e o Ambiente”, “Inclusão no CNE”, “Caminheiro… e depois?”, “Relatos de sonhos alcançados” e “Será que a fé guia os nossos sonhos?”.
Durante o fim de semana, os Caminheiros chegaram à cidade de Agrabah e tiveram oportunidade de soltar a sua voz nos diversos workshops e plenários que tiveram oportunidade de assistir, sendo capazes de olhar para a sua envolvente, identificar problemas, idealizar e sonhar com algo maior. Além disso, também tiveram oportunidade de conviver e partilhar ideias com os diversos Caminheiros presentes, assim como a Equipa Projeto.
Um dos momentos mais importantes deste Encontro, foi a realização da Carta de Cenáculo, onde os Caminheiros assinaram esta Carta de modo a cumprir com os objetivos nela definidos.
Cansados, mas sempre com um sorriso no rosto, os Caminheiros partiram para as suas casas, levando na mochila e para os seus clãs tudo aquilo que viveram e aprenderam ao longo deste fim de semana.
Partimos, mas com a esperança que continuem a “Despertar o Génio que há em vocês” sem ter medo de Sonhar.
“Que, a sonhar, sejamos capazes de viver, partilhar e avançar cada vez mais.”
Obrigada por fazeres parte deste nosso Sonho,
Ângela Pires (560-Lago) e Alexandre Silva (424-Nogueira)
Coordenação do 18º Ciclo de Cenáculo Núcleo de Braga
domingo, 12 de abril de 2020
(DIRETO) 15:30h - Eucaristia de Páscoa
Eucaristia de Domingo de Páscoa, Pde Nuno Folgado, assistente Regional da Região de Portalegre e Castelo Branco
Mensagem de Páscoa, Chefe Agrupamento 810
Video de Mensagem do Chefe de Agrupamento dos Escuteiros de Nogueiró
Santa Páscoa
sábado, 11 de abril de 2020
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Viver a Páscoa nestes tempos pandémicos
Viver a Páscoa nestes tempos pandémicos
por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 10 de abril 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
artigo publicado a 10 de abril 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
Nestes dias de Semana Santa, marcados pelo contraste com a habitual tradição bracarense que envolvia a cidade e os cidadãos, habitantes ou turistas, com um manto de religiosidade, evidenciando o Amor, sem medida, de Cristo, aquele que deu a vida por nós, desafiando-nos a seguir o caminho do Serviço ao Próximo.
O Papa Francisco, no passado dia 6 de abril (twitter) recorda-nos que «Estamos no mundo, para amar a Deus e aos outros. O drama que estamos a atravessar impele-nos a levar a sério o que é sério, a não nos perdermos em coisas de pouco valor; a redescobrir que a vida não serve, se não se serve. Porque a vida mede-se pelo amor.»
A festa da Páscoa, tanto na tradição judaica, a mais antiga, como na cristã, está sempre ligada ao conceito de liberdade, terrena e espiritual, de vitória sobre o opressor, do bem sobre o mal…
A primeira, é uma festa solene dos hebreus, retratada no livro do Êxodo (Ex 12), sendo celebrada no 14º dia da lua de março e foi instituída para celebrar a saída, leia-se, liberação do povo judeu do seu cativeiro no Egito.
A segunda, é a festa da Ressurreição de Cristo e que marca o triunfo da vida sobre a morte, que nos abre as portas da ressurreição para vida eterna.
Se nos despirmos dos cenários onde a Páscoa se celebra e nos centrarmos no essencial - o Amor e o Serviço ao Próximo -, tomamos consciência que esta nossa missão, nos cenários mais catastróficos, é ainda mais importante, porque há mais frágeis, mais necessitados, mais desempregados, mais dificuldades em prestar auxílio, porque não há recursos nem meios, porque não estamos preparados…
No Escutismo, procuramos dar um modesto contributo na preparação dos futuros homens e mulheres, uma vez que este é o propósito da sua missão: «ajudar crianças e jovens a tornarem-se cidadãos solidariamente ativos, à luz da fé professada», que se materializa em três estádios de desenvolvimento: autonomia, responsabilidade e liderança, que, por sua vez, se fortalecem em quatro vetores: a relação com o próprio “eu”, com o “outro”, com a “natureza” e com “Deus”.
Autonomia - qualquer escuteiro tem de trabalhar para se tornar capaz de ser autossuficiente, desenvolvendo conhecimentos e competências nas áreas da sobrevivência e do bem-estar, visando não ser uma sobrecarga para os seus companheiros.
Responsabilidade - vive-se no interior do pequeno grupo (Bando, Patrulha, Equipa ou Tribo) e passa pelo assumir funções e tarefas individuais, mas que, no final, contribuem para um objetivo comum, pretende-se que o desempenho seja consciente e que a entreajuda, para ultrapassar as dificuldades surgidas, seja o mote das vivências no pequeno grupo.
Liderança - que, crianças e jovens, vão demostrando ao colocar os seus conhecimentos ao serviço dos outros, para lhes proporcionar um melhor desenvolvimento, é a capacidade de os conduzir e auxiliar para que possam crescer em idade, sabedoria e graça.
É claro que, na prática, estes três estádios não são nem estanques, nem se desenvolvem de forma sequencial, eles vão se imbricando, numa transição suave e respeitando os ritmos de aprendizagem de cada um.
Para terminar, recorro ao texto que o Papa Francisco, publicou no seu twitter, no passado dia sete: «Nestes dias da Semana Santa, em casa, permaneçamos diante do Crucificado, medida do amor de Deus por nós. Peçamos a graça de viver para servir. Procuremos contactar quem sofre, quem está sozinho e necessitado. Não pensemos só naquilo que nos falta, mas no bem que podemos fazer.»
P.S.
Aos leitores do “Correio do Minho” e aos seus trabalhadores, que, diariamente, contribuem para um mundo melhor, votos de Santa Páscoa.
terça-feira, 7 de abril de 2020
OBRIGADO a TODOS
Enviamos esta Mensagem de FORÇA e RECONHECIMENTO aos verdadeiros Heróis do País e do Mundo.
A Todos vós, Simplesmente OBRIGADO pode ser visto também no MEO Kanal 227068 (carregar tecla verde do comando MEO)
A Todos vós, Simplesmente OBRIGADO pode ser visto também no MEO Kanal 227068 (carregar tecla verde do comando MEO)
segunda-feira, 6 de abril de 2020
O Amor que vence o medo

O Amor que vence o medo
João Manuel Silva, padre jesuíta
Há dias o Papa Francisco, diante da Praça de São Pedro vazia, lembrava-nos que “Deus faz resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas más”. O que nos está a acontecer é mau. É duro. É difícil. O mundo está a sofrer. E, como sempre, os mais frágeis são os primeiros a senti-lo na pele. Que bem pode Deus fazer resultar de tudo isto?
O sofrimento não é bom, nem é querido por Deus. Se nós, que somos imperfeitos no amor, não gostamos de provocar sofrimento aos que amamos, quanto mais o nosso Deus que é Amor poderia enviar-nos sofrimentos? Não acredito num Deus que nos manda sofrimentos “para nos pôr à prova”, como que um pai caprichoso que nos manda um flagelo, para que depois nos ponhamos em joelhos para lhe implorar que nos livre deste mal.
O sofrimento é um mistério, e Deus um mistério ainda maior. Mistério significa algo que o nosso conhecimento não consegue abarcar completamente. E, por isso, por muitas teorias que os filósofos e os cientistas elaborem para explicar o mal e o sofrimento – tal como aquele por que estamos neste momento a passar –, nunca vão encontrar uma resposta que realmente nos satisfaça.
Olhando para os relatos da Paixão de Jesus, parece-me que Deus não intervém para acabar com o vírus. Senão, porque não impediu Deus, desde logo, que o vírus existisse? Olhemos o relato da Paixão segundo São Mateus, que ouvimos neste Domingo de Ramos. Quando vêm prender Jesus, um discípulo saca da espada para o defender, e acabar ali mesmo o problema. Nesse momento, Jesus diz: “Julgas que não posso recorrer a meu Pai? Ele imediatamente me enviaria mais de doze legiões de anjos!” (Mt 26, 51-53). Já no deserto, o diabo havia tentado Jesus do mesmo modo: o resolver de forma mágica os problemas (cf. Mt 4, 6). Jesus não resolveu os problemas todos que afligem a humanidade, com a sua vinda ao mundo. É verdade que curou algumas pessoas, e reanimou Lázaro – mas, passado uns tempos, todos voltaram a morrer: o sofrimento voltou.
De facto, todos nós temos um desejo básico: o de que os problemas e o sofrimento desapareçam de forma imediata. Um desejo profundo de não termos que passar nem pela nossa própria morte nem pela daqueles que amamos. É um desejo básico ou natural – e à partida saudável – de preservarmos a vida. Por isso, estamos a empenhar-nos a viver esta quarentena, para preservarmos a vida dos mais frágeis e de quem cuida de nós.
Mas nós somos chamados, pela graça de Deus que nos foi dada no Batismo, e mais: a deixar com que aquilo que é natural e básico em nós, possa ser progressivamente transformado pelo sobre-natural. É isto que acontece no Batismo e em cada Sacramento: o natural une-se ao sobre-natural, sem que nenhum deles se perca. O humano, sem deixar de ser humano, passa a ser também templo do divino. O pão, sem deixar de ser pão, passa a ser também Corpo de Jesus. Foi isto que aconteceu na Páscoa: aquilo que era (e continua a ser natural) a morte, e o medo que ela nos causa, deixaram de ter a última palavra. A morte continua a existir. E continua a causar medo, repugnância, sofrimento, tristeza. (Estranho seria se não causasse!). Mas a vida, morte e ressurreição de Jesus – em que o humano se uniu ao divino, o natural se uniu ao sobre-natural – dizem-nos que nem o medo, nem o sofrimento, nem a morte são a última palavra e, por isso, não são eternos!
Mas, então, como viver a Páscoa atravessando este momento de sofrimento que estamos a viver? A nossa fé na Páscoa de Jesus pode dar-nos alguma luz, para entender a partir da Esperança, estes tempos. Podemos viver esta Páscoa de forma ‘natural’ a lembrar que, neste ano, por causa deste mal que estamos a viver, não pudemos aclamar Jesus a entrar em Jerusalém, com ramos, cantando “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Que não houve procissões, nem lava-pés, nem Enterro do Senhor, nem acenderemos o lume novo. Que não andaremos de casa em casa a anunciar, com ‘Aleluías’ e foguetes, que o Senhor ressuscitou. Podemos ficar no túmulo, como as mulheres que choram, ou os discípulos fechados em casa, com medo.
Mas também podemos fazer com que esta Páscoa, apesar de literalmente fechados em casa, seja um momento único para entramos mais profundamente – a partir da nossa própria experiência de sofrimento – no mistério do Amor, pelo qual Jesus morreu na cruz e ressuscitou.
A ressurreição, na nossa vida, começa a mostrar os seus efeitos quando passamos a olhar a nossa própria vida e a realidade com os olhos de Deus. Deus dá-nos essa graça, se a quisermos acolher. A graça de ver com os olhos do Amor, capaz de ver o quadro todo, sem se ficar só pelo imediato. A graça de não vermos a vida por compartimentos, por gavetas, mas de sermos capazes de ver o fio que liga tudo, as alegrias e os sofrimentos, os dias bons e os dias maus. O fio que liga o natural ao sobre-natural. Olhando a vida desta forma, não nos deixaremos esmagar pelo medo, nem pelo sofrimento, nem sequer pela morte! Porque, se o absurdo total foi vencido por Deus – a morte – então o que nos poderá fazer desesperar?
Claro que o nosso olhar não é transformado de um dia para o outro, como que de uma forma mágica. Este é o caminho de toda uma vida, se o quisermos percorrer. Mas esta Páscoa pode adquirir um significado muito diferente e muito profundo se nos deixarmos olhar por Jesus que, suspenso na cruz por nosso amor, nos diz: eu já passei por tudo, mas estou vivo. Estou contigo, para te dar força. Ama, tal como eu te amei. O tal fio que liga o natural ao sobre-natural é o Amor, que é eterno. Portanto, o amor, a solidariedade, a atenção possível em tempos de isolamento, são o primeiro passo para nos dispormos ao milagre de passar da morte e do medo, à vida e à esperança. Para recebermos na nossa própria vida o grande milagre que é a Páscoa.
Que nesta manhã de Páscoa, ao exclamarmos “Cristo ressuscitou, Aleluia! Aleluia!”, possamos dizê-lo com uma fé renovada, de que a morte e o sofrimento não têm a última palavra, porque o Amor está connosco. E, portanto, partilhemo-lo uns com os outros, nas circunstâncias que nos é dado viver.
Uma boa Páscoa!
Nota: O Padre João Manuel fez parte dos Escuteiros de Nogueiró, ao qual muito agradecemos esta reflexão, Obrigado)
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Folhinha interparoquial de 5 abril 2020
Avisos da Paróquia:
- Celebração de missas: Em consonância com as indicações do Governo e das autoridades de saúde, a Conferência Episcopal Portuguesa determina que os sacerdotes suspendam a celebração comunitária da Santa Missa até ser superada a atual situação de emergência .
- Cartório Paroquial: o serviço do cartório paroquial deixa de estar aberto ao público. Para tratar de qualquer assunto devem entrar em contacto telefónico (telem. 916099541) ou por mail (zonaestebraga@gmail.com).
- Rezar em Casa: Durante este tempo iremos dando alguns contributos para que a nossa caminhada de quaresma possa continuar.
O Laboratório da Fé preparou uma Liturgia Familiar para este Domingo de Ramos.
Com o apoio de uma proposta de oração, de um vídeo e até de atividades para os mais novos, podemos, em família, alimentar a nossa fé e criar ou manter o hábito de ler a Palavra de Deus.
Visitem a página em LINK
A proposta é: no próximo Domingo, Domingo de Ramos, todos colocarmos uma cruz num local visível da nossa casa (porta, varanda, portão, jardim...), que aí permanecerá toda a Semana Santa. Podemos colocar a cruz no dia 04 de Abril durante o dia, para chamar atenção de quem não a colocou ir a tempo de o fazer... No Domingo de Páscoa somos convidados a enfeitar essa cruz com flores, assinalando, desta forma, a alegria da Ressurreição de Cristo. Quem tiver dificuldade com as flores, poderá adornar a cruz com tecido roxo para a semana santa e branco para a Páscoa.
Quem quiser poderá tirar foto e partilhar como comentário nesta publicação.
Peço-vos o favor de partilharem esta proposta para chegarmos ao maior número de pessoas. Como há pessoas que não têm redes sociais e, neste momento, não consigo chegar a todos, peço o favor de divulgarem junto delas esta iniciativa.
Obrigado!
domingo, 5 de abril de 2020
Missa de Ramos 5 abril 2020
Video em Direto - Pde Nuno Folgado, assistente Regional de Portalegre e Castelo Branco
terça-feira, 31 de março de 2020
Folhinha interparoquial de 29 março 2020
Avisos da Paróquia:
- Celebração de missas: Em consonância com as indicações do Governo e das autoridades de saúde, a Conferência Episcopal Portuguesa determina que os sacerdotes suspendam a celebração comunitária da Santa Missa até ser superada a atual situação de emergência .
- Cartório Paroquial: o serviço do cartório paroquial deixa de estar aberto ao público. Para tratar de qualquer assunto devem entrar em contacto telefónico (telem. 916099541) ou por mail (zonaestebraga@gmail.com).
- Rezar em Casa: Durante este tempo iremos dando alguns contributos para que a nossa caminhada de quaresma possa continuar.
O Laboratório da Fé preparou uma Liturgia Familiar para este 5º domingo da Quaresma.
Com o apoio de uma proposta de oração, de um vídeo e até de atividades para os mais novos, podemos, em família, alimentar a nossa fé e criar ou manter o hábito de ler a Palavra de Deus.
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sexta-feira, 27 de março de 2020
A oração do Papa com a Bênção Urbi et Orbi - Homilia
HOMILIA DO SANTO PADRE
Adoração do Santíssimo
e Bêncão Urbi et Orbi
«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.
Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro... E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).
Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.
A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.
Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.
«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»
«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.
«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.
O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.
Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.
«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).
(«Sagrado» da Basílica de S. Pedro, 27 de março de 2020)
A Nossa Gratidão...
A Nossa Gratidão
por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 27 de março 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
artigo publicado a 27 de março 2020 no jornal diário "Correio do Minho"
Na última crónica, deu-se conta das medidas que o Corpo Nacional de Escutas tomou, em sintonia com as autoridades de saúde, dando, desta forma, o seu contributo na luta à pandemia que a todos aflige.
Um dos elementos constituintes do Método Escutista é o “Sistema de Patrulhas”, ou seja, a dinâmica da vida em pequenos grupos, onde se desenvolvem as aprendizagens do “jogo social espontâneo”. Neste sistema, cada um dos elementos tem uma função, assumindo-se como um dos diversos membros de um só corpo, assim, sempre que um deles manifesta dificuldades, os outros ajudam-no para que o corpo (isto é, todos eles e cada um deles) não venha a ressentir-se.Nestes dias de receios, o escutismo assume que o seu grande desígnio de cidadania é proteger aqueles (crianças e jovens) que lhe são confiados. Este propósito, não se confina ao “comodismo egoísta” de pensar unicamente em si, bem pelo contrário, ele assenta naquele que é um dos mais repetidos e atuais apelos – que cada um de nós não assuma comportamentos de risco, que levarão à expansão da pandemia – fazemo-lo para que os serviços de saúde não sejam sobrecarregados pela consequências de comportamentos que, nestes tempos de crise, são socialmente desadequados, procurando, desta forma, promover uma gestão que evite o risco desnecessário.
Contudo, para que o isolamento, voluntário ou obrigatório, possa ser menos “doloroso”, sobretudo nas crianças e jovens – onde a energia abunda -, tem que ser garantido, tanto a montante como a jusante, um conjunto de ações que visem o bem-estar das pessoas, respondendo às necessidades básicas como, a alimentação, a higienização, segurança e saúde.
Por isso, a nossa gratidão tem como destinatários todos os que diariamente, de dia e de noite, se empenham no bem-estar de todos, sacrificando-se a eles próprios e às suas famílias.
No primeiro grupo, incluem-se todos os que contribuem para que na “nossa mesa não falte o pão”, desde o agricultor que lança a semente à terra até aos que dão vida aos sistemas de distribuição dos bens alimentares, da água, da eletricidade e de outros bens essenciais. No segundo grupo, aqueles que procedem à higienização dos espaços públicos e à recolha dos lixos. No terceiro grupo, os que garantem a segurança, de pessoas e bens, e ainda o cumprimento das medidas preventivas aprovadas. Finalmente, o grupo dos farmacêuticos, que asseguram o acesso aos medicamentos e produtos afins, e dos cuidadores, incluindo desde os que transportam os doentes aos que deles cuidam em lares, centros de saúde ou hospitais, e aqui lembrar que enfermeiros e médicos são “a última fronteira” entre “o viver” e “o partir”, são a nossa última esperança…
Sem dúvida alguma, todos eles formam uma plêiade digna de ser incluída na proposição de “Os Lusíadas”, do genial Luís de Camões: «E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando» e ainda: «Que eu canto o peito lustre Lusitano». Sobretudo porque sabemos que, em casa, todos têm família que precisa dos seus cuidados e atenção, como também sabemos que nem sempre têm as melhores condições, por vezes até, nem as necessárias e suficientes, para o exercício das suas atividades profissionais. Para com todos eles temos esta dívida de gratidão, por não terem optado pelo caminho mais fácil, mas por terem escolhido o caminho mais trabalhoso e perigoso – o do Serviço ao próximo.
Quanto a nós, resta-nos seguir, sem hesitar, as recomendações das autoridades competentes. Será a maneira de contribuirmos para a nossa segurança, mas também para a segurança dos outros e, de um modo especial, para a de todos os profissionais de saúde a quem nunca será demais agradecer a dedicação, competência, responsabilidade e abnegação que demonstram, nesta luta desigual, pela nossa proteção, contra a Covide-19, mesmo colocando-se permanentemente em perigo. Finalmente, podemos ainda pedir que Deus os proteja, a eles, que são os nossos “anjos da guarda”, mas também às suas famílias.
quarta-feira, 25 de março de 2020
Em Fátima, Portugal e Espanha consagrados a Jesus e Maria - 26 março 2020
Em Fátima, Portugal e Espanha consagrados a Jesus e Maria
«Coração de Jesus Cristo, médico das almas, filho amado e rosto da misericórdia do Pai, a Igreja peregrina sobre a terra, em Portugal e Espanha, nações que tuas são, olha para o teu lado aberto, sua fonte da salvação, e suplicam:
Nesta singular hora de sofrimento, assiste a tua Igreja, inspira os governantes das nações, ouve os pobres e os aflitos, exalta os humildes e os oprimidos, cura os doentes e os pecadores, levanta os abatidos e os desanimados, liberta os cativos e os prisioneiros e livra-nos da pandemia que nos atinge.
Coração de Jesus Cristo, médico das almas, elevado no alto da cruz e tocado pelos dedos dos discípulos no íntimo do Cenáculo, a igreja peregrina sobre a terra em Portugal e Espanha, nações que tuas são, contempla-te como a imagem do abraço do Pai à humanidade. É esse abraço que, no espírito do Amor, queremos dar uns aos outros segundo o teu mandato no Lava-pés, e suplicam-te:
Nesta hora singular de sofrimento, ampara as crianças, os anciãos e os mais vulneráveis, conforta os médicos, os enfermeiros, os profissionais de saúde e os voluntários cuidadores. Fortalece as famílias, e reforça-nos na cidadania e na solidariedade. Sê a luz dos moribundos, acolhe no teu reino os defuntos, afasta de nós todo o mal e livra-nos da pandemia que nos atinge.
Coração de Jesus Cristo, médico das almas e filho da Virgem Santa Maria. Pelo coração da tua Mãe, a quem se entrega a igreja peregrina sobre a terra, em Portugal e Espanha, nações que desde há séculos tuas são, e em tantos outros países, aceita a consagração da tua igreja. Ao consagrar-se ao teu Sagrado Coração, entrega-se a Igreja à guarda do Coração Imaculado de Maria, configurado pela luz da tua Páscoa, e aqui revelado a três crianças como refúgio e caminho que ao teu coração conduz. Seja a Virgem Santa Maria, Senhora do Rosário de Fátima, saúde dos enfermos e refúgio dos teus discípulos gerados junto à cruz do Teu amor. Seja o Imaculado Coração de Maria, a quem nos entregamos connosco a dizer:
Nesta singular hora de sofrimento acolhe os que perecem, dá alento aos que a Ti se consagram e renova o universo e a humanidade.
Nesta singular hora de sofrimento, assiste a tua Igreja, inspira os governantes das nações, ouve os pobres e os aflitos, exalta os humildes e os oprimidos, cura os doentes e os pecadores, levanta os abatidos e os desanimados, liberta os cativos e os prisioneiros e livra-nos da pandemia que nos atinge.
Coração de Jesus Cristo, médico das almas, elevado no alto da cruz e tocado pelos dedos dos discípulos no íntimo do Cenáculo, a igreja peregrina sobre a terra em Portugal e Espanha, nações que tuas são, contempla-te como a imagem do abraço do Pai à humanidade. É esse abraço que, no espírito do Amor, queremos dar uns aos outros segundo o teu mandato no Lava-pés, e suplicam-te:
Nesta hora singular de sofrimento, ampara as crianças, os anciãos e os mais vulneráveis, conforta os médicos, os enfermeiros, os profissionais de saúde e os voluntários cuidadores. Fortalece as famílias, e reforça-nos na cidadania e na solidariedade. Sê a luz dos moribundos, acolhe no teu reino os defuntos, afasta de nós todo o mal e livra-nos da pandemia que nos atinge.
Coração de Jesus Cristo, médico das almas e filho da Virgem Santa Maria. Pelo coração da tua Mãe, a quem se entrega a igreja peregrina sobre a terra, em Portugal e Espanha, nações que desde há séculos tuas são, e em tantos outros países, aceita a consagração da tua igreja. Ao consagrar-se ao teu Sagrado Coração, entrega-se a Igreja à guarda do Coração Imaculado de Maria, configurado pela luz da tua Páscoa, e aqui revelado a três crianças como refúgio e caminho que ao teu coração conduz. Seja a Virgem Santa Maria, Senhora do Rosário de Fátima, saúde dos enfermos e refúgio dos teus discípulos gerados junto à cruz do Teu amor. Seja o Imaculado Coração de Maria, a quem nos entregamos connosco a dizer:
Nesta singular hora de sofrimento acolhe os que perecem, dá alento aos que a Ti se consagram e renova o universo e a humanidade.
Amén»
Fátima, 25 março 2020
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