domingo, 17 de janeiro de 2021

Folhinha Interparoquial nº 699 de 18 a 24 janeiro 2021

Folhinha Interparoquial nº 699 de 18 a 24 janeiro 2021

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:


-Quem desejar intenções de missa pode fazê-lo na Inscrição via e-mail, tel. ou no próprio dia, junto da Equipa de Acolhimento..




Um perfil de Presidente da República à luz de “Fratelli Tutti”

 

João Manuel Silva, sj

A partir da Encíclica do Papa Francisco "Fratelli Tutti" sobre a fraternidade e a amizade social, gostaria de propor alguns aspetos que considero imprescindíveis num/a Presidente da República Portuguesa, neste momento difícil da história.

No próximo dia 24 de janeiro seremos chamados a eleger, por mais cinco anos, o/a Presidente da República, um ato democrático que pressupõe um adequado discernimento que levará a uma decisão final. No caso de um cidadão cristão, o discernimento político requer uma consciência bem formada à luz do Evangelho e do ensinamento social da Igreja e bem informada sobre o objeto desta eleição e sobre as diversas candidaturas em causa.

A partir da Encíclica do Papa Francisco Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social, gostaria de propor alguns aspetos que considero imprescindíveis num/a Presidente da República português/a, neste momento difícil da nossa história, que possam inspirar o discernimento de um eleitor cristão.

Antes, porém, de me propor a essa tarefa, gostaria de sublinhar dois pontos prévios que me parecem igualmente importantes. O primeiro aspeto a considerar é a finalidade deste ato eleitoral. Embora alguns dos candidatos tenham agendas muito diversas quando se apresentam a votos, não podemos perder de vista que a finalidade deste escrutínio é a escolha do Presidente da República. Ora, de acordo com o art. 120.º da Constituição da República Portuguesa, são funções daquele órgão de soberania: representar a República Portuguesa; garantir a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas; ser o Comandante Supremo das Forças Armadas.

Um segundo aspeto prende-se com os poderes do Presidente da República, enquanto garante da Constituição e da democracia. Entre outras funções, este órgão de soberania promulga as leis (e tem direito de veto em caso de suspeita de inconstitucionalidades) e nomeia o Primeiro-ministro e o Governo (atendendo aos resultados das eleições para a Assembleia da República). Embora se possa pronunciar “sobre todas as emergências graves para a vida da República”, o Presidente não possui funções executivas nem legislativas. Portanto, embora lhe assista o poder de demitir o Governo, apenas o pode fazer caso esteja em perigo o regular funcionamento das instituições democráticas, e nunca por falta de confiança política. Além disso, o Presidente pode dissolver a Assembleia da República, como forma de solução de uma crise política ou impasse governamental. Por conseguinte, a sua função principal é de mediador e moderador da vida política, garantindo sobretudo a paz e o bom funcionamento da democracia.

Com estes pontos em mente, lanço-me então à tarefa acima referida. Quais as características indispensáveis num/a Presidente da República Portuguesa, hoje?

1. Humanista. Conhecedor e próximo de tudo o que é humano, capaz de se dar conta “de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunstância” (FT 106). Alguém que reconhece que a dignidade da pessoa humana (na qual se funda a nossa República) “não se baseia nas circunstâncias mas no valor do seu ser” (FT 107). Uma pessoa capaz de garantir que todos os seres humanos – e em todos cidadãos incluem-se também os criminosos! –  “sejam acompanhados no seu percurso de vida, não apenas para assegurar as suas necessidades básicas, mas para que possam dar o melhor de si mesmos” (FT 110). Uma pessoa que nutre “um amor preferencial pelos últimos” (FT 187) e capaz de apreciar todas as culturas, religiões, etnias, raças, condições económicas e sociais, fomentando a sua integração na sociedade.

2. Conciliador. Com um profundo apreço e preocupação pelo bem comum, uma pessoa capaz de se abrir verdadeiramente ao outro – quem quer que ele seja – “procurando a convergência pelo menos nalguns temas” (FT 190). Uma pessoa apta a escutar mais e falar menos, que sabe escutar o ponto de vista do outro e que, “através de renúncias e paciência” (FT 193) possa ajudar a construir uma sociedade onde todos têm voz, onde todos encontram um lugar. Alguém que, ao invés de fomentar intolerâncias, medos e ódios contra qualquer grupo de pessoas ou ideologias políticas, seja capaz de “dar o primeiro passo para que se ouçam as diferentes vozes” (FT 191).

3. Amável. O Papa Francisco fala da “amizade social” e do “amor político”. Apesar de tal expressão poder soar estranha a este âmbito, Francisco considera – na linha dos seus antecessores – que a política pode ser uma das formas mais preciosas de amor, precisamente porque tem em vista o bem comum; numa perspetiva cristã, o amor por uma pessoa é indissociável do amor pela comunidade; um e outro não só não se excluem como são complementares. Deste modo, o amor pelo outro, por todos os outros, pelos cidadãos, pelo bem de toda a comunidade há de ser uma característica indispensável de um/a Presidente da República. Esse amor há de manifestar-se numa capacidade de ser “amável”. Como refere Francisco, a amabilidade num político pode manifestar-se de diversas formas, como o “cuidado para não magoar com as palavras ou gestos” e na “tentativa de aliviar o peso dos outros” (FT 223). Este modo de agir, da parte de um político, é capaz de gerar cultura numa sociedade, acabando por “transformar profundamente o estilo de vida, as relações sociais e o modo de debater e confrontar ideias” (FT 224).

4. Dialogante e promotor/a da paz social. Num mundo com uma tendência crescente para extremar posições, a figura de um/a presidente capaz de falar com e para todos, capaz de “reconhecer, ao outro, o direito de ser ele próprio e de ser diferente” (FT 218) é essencial. Francisco recorda-nos que a paz social é trabalhosa e que essa não se constrói sem uma verdadeira cultura do encontro. Portanto, um promotor da paz há de ser uma pessoa capaz de gerar “processos de encontro” de modo a integrar todas as realidades que compõem o país, o que “não se consegue agrupando só os puros, porque até mesmo as pessoas que possam ser criticadas pelos seus erros, têm algo a oferecer que não se deve perder” (FT 217).

Não quero com este elenco exaurir todas as características essenciais num/a Presidente da República portuguesa. À luz da Doutrina Social da Igreja, ricamente condensada em Fratelli Tutti, estas parecem-me inegociáveis e necessárias. Para os mais corajosos valeria a pena uma leitura de todo o documento antes de decidir a quem dar o seu voto. Cada ato eleitoral é uma ótima oportunidade para voltarmos às fontes da nossa fé, da espiritualidade cristã que, na sua própria essência, é uma espiritualidade encarnada nas realidades deste mundo. A política, enquanto dimensão fundamental para a promoção do bem comum e da dignidade da pessoa humana e da justiça, esteve e está no centro das preocupações dos seguidores de Cristo. Terei sido demasiado exigente no que se pede a um político? Creio que não. Inspirado nestes princípios, cada um poderá decidir em consciência.


Texto originalmente publicado pelo portal dos Jesuítas em Portugal, Ponto SJ.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

O Censo Escutista Anual

O Censo Escutista Anual

por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 15 de janeiro 2021 no jornal diário "Correio do Minho"



Há tempos, numa conserva sobre associativismo juvenil, afirmei que, em 2020, no Corpo Nacional de Escutas havia 69.473, sendo 15.502 crianças, 39.574 jovens e 14.397 adultos (dirigentes ou candidatos a dirigente), distribuídos por 1.019 agrupamentos, 33 juntas de núcleo, 20 juntas regionais e 1 junta central e que havia 47,10% de rapazes e 52,90% de raparigas, fiquei intrigado quando um dos intervenientes me questionou, porque não eram os meus números redondos, isto é, porque eram tão precisos. A resposta foi simples porque eram os números reais e que resultam de um recenseamento anual que realizamos no mês de janeiro, e foram publicados em “atos oficiais”, na revista do CNE a “Flor de Lis” de agosto de 2020.
Por isso, sendo esta a primeira crónica deste novo ano, que todos desejamos melhor que o anterior, mas que, infelizmente, pelo menos no início, se anuncia pouco empolgado com a esperança renascida com o início da vacinação, que certamente “virará o jogo” a favor da humanidade, pretendia apresentar o que é o censo anual dos escuteiros e para que se realiza esta esta operação que envolve todas as estruturas do Escutismo Católico Português.


Como qualquer recenseamento o nosso censo anual serve para sabermos quantos somos, onde estamos, o que fazemos, como evoluem as crianças e os jovens que nos são confiados pelas famílias, que formação proporcionamos aos nossos dirigentes, como nos financiamos e, como e onde aplicamos os nossos recursos. Também nos proporciona uma base de trabalho para projetarmos a nossa evolução ou percebermos porque perdemos efetivo...


Para que o processo não se resumisse a um conjunto de números e uma listagem de dirigentes, como foi durante muitos anos, criou-se uma plataforma informática que designamos como o Sistema Integrado de Informação Escutista (SIIE) que começou a ser implementado numa primeira fase de modo facultativo, note-se que que em 2006, ano em que foi apresentado como opção, por oposição ao modelo em papel, apenas 68 agrupamentos o utilizaram. Depois de criadas as rotinas e se introduzirem as alterações que os utilizadores reclamavam, só em 2013, sete anos depois, se tornou de utilização obrigatória.


Assim, até ao dia 31 de janeiro, as direções de agrupamento, as juntas de núcleos, as juntas regionais e a junta central fazem o registo do censo do respetivo nível e arquivam um exemplar do seu censo, em formato eletrónico ou papel.
Durante o mês de fevereiro, as juntas de núcleo validam no SIIE os censos apresentados pelos agrupamentos filiados e em formação da respetiva área territorial, ficando com um arquivo.


O março, as juntas regionais validam no SIIE os censos relativos aos agrupamentos filiados e em formação, assim como os relativos às respetivas juntas de núcleo, da sua área de influência, construindo um arquivo regional.


Até ao final de maio, a junta central divulga aos órgãos nacionais e envia para publicação na «Flor de Lis» o recenseamento do CNE, com discriminação, por nível, de: número de agrupamentos filiados, em formação, suspensos e extintos; número de associados não-dirigentes e dirigentes por género e secção; número de candidatos a dirigente e dirigentes por género e secção.


O SIIE serve para sabermos com exatidão, e a qualquer momento, quantos somos, quem somos, para que o nosso seguro de cada elemento seja identificado pela seguradora e que, quando há um acidente tudo seja mais simples e mais rápido de tratar, mas também permite registar as atividades realizadas, o progresso individual de cada criança ou jovem, bem como a formação inicial e contínua de cada um dos dirigentes, assim como o percurso que teve na ocupação de cargos e funções no movimento, a todos os níveis organizacionais do CNE.


É também aqui que se faz e gere o inventário de equipamento de cada estrutura e que desenvolve a presentação de contas. Refira-se que a prestação de contas em 2021, ao nível dos agrupamentos será feita, pela primeira vez, num novo programa informático o SIIC – Sistema Integrado de Informação Contabilística, para se poder proceder à integração das contas dos agrupamentos no todo nacional uma vez que a existência de um único número de contribuinte nos obriga a uma consolidação das contas do movimento.


Estes dois instrumentos, que são preenchidos ao longo de um ano escutista e só fechado no mês de janeiro, no seu conjunto, constituem um dos maiores e melhores instrumentos de trabalho para preparar o futuro do Escutismo Católico Português.


Outros artigos neste LINK


domingo, 10 de janeiro de 2021

Folhinha nº 698 de 11 a 17 janeiro 2021

Folhinha Interparoquial nº 698 de 11 a 17 janeiro 2021

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Folhinha nº 697 de 4 a 10 janeiro 2021

Folhinha Interparoquial nº 697 de 4 a 10 janeiro 2021

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A CULTURA DO CUIDADO COMO PERCURSO DE PAZ - Papa Francisco para o 54º Dia Mundial da Paz

 MENSAGEM DO SANTO PADRE

FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
54º DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2021

 

A CULTURA DO CUIDADO COMO PERCURSO DE PAZ

 

1. Aproximando-se o Ano Novo, desejo apresentar as minhas respeitosas saudações aos Chefes de Estado e de Governo, aos responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes espirituais e fiéis das várias religiões, aos homens e mulheres de boa vontade. Para todos formulo os melhores votos, esperando que o ano de 2021 faça a humanidade progredir no caminho da fraternidade, da justiça e da paz entre as pessoas, as comunidades, os povos e os Estados.

O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da Covid-19, que se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos. Penso, em primeiro lugar, naqueles que perderam um familiar ou uma pessoa querida, mas também em quem ficou sem trabalho. Lembro de modo especial os médicos, enfermeiras e enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, voluntários, capelães e funcionários dos hospitais e centros de saúde, que se prodigalizaram – e continuam a fazê-lo – com grande fadiga e sacrifício, a ponto de alguns deles morrerem quando procuravam estar perto dos doentes a fim de aliviar os seus sofrimentos ou salvar-lhes a vida. Ao mesmo tempo que presto homenagem a estas pessoas, renovo o apelo aos responsáveis políticos e ao sector privado para que tomem as medidas adequadas a garantir o acesso às vacinas contra a Covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para dar assistência aos doentes e a todos aqueles que são mais pobres e mais frágeis.[1]

É doloroso constatar que, ao lado de numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, infelizmente ganham novo impulso várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos que semeiam morte e destruição.

Estes e outros acontecimentos, que marcaram o caminho da humanidade no ano de 2020, ensinam-nos a importância de cuidarmos uns dos outros e da criação a fim de se construir uma sociedade alicerçada em relações de fraternidade. Por isso, escolhi como tema desta mensagem «a cultura do cuidado como percurso de paz»; a cultura do cuidado* para erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer.

2. Deus Criador, origem da vocação humana ao cuidado

Em muitas tradições religiosas, existem narrativas que se referem à origem do homem, à sua relação com o Criador, com a natureza e com os seus semelhantes. Na Bíblia, o livro do Génesis revela, desde o início, a importância do cuidado ou da custódia no projeto de Deus para a humanidade, destacando a relação entre o homem (’adam) e a terra (’adamah) e entre os irmãos. Na narração bíblica da criação, Deus confia o jardim «plantado no Éden» (cf. Gn 2, 8) às mãos de Adão com o encargo de «o cultivar e guardar» (Gn 2, 15). Isto significa, por um lado, tornar a terra produtiva e, por outro, protegê-la e fazê-la manter a sua capacidade de sustentar a vida.[2] Os verbos «cultivar» e «guardar» descrevem a relação de Adão com a sua casa-jardim e indicam também a confiança que Deus deposita nele fazendo-o senhor e guardião de toda a criação.

O nascimento de Caim e Abel gera uma história de irmãos, cuja relação em termos de tutela ou custódia será vivida negativamente por Caim. Depois de ter assassinado o seu irmão Abel, a Deus que lhe pergunta por ele, Caim responde: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9).[3] Com certeza! Caim é o «guarda» de seu irmão. «Nestas narrações tão antigas, ricas de profundo simbolismo, já estava contida a convicção atual de que tudo está inter-relacionado e o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros».[4]

3. Deus Criador, modelo do cuidado

A Sagrada Escritura apresenta Deus, além de Criador, como Aquele que cuida das suas criaturas, em particular de Adão, Eva e seus filhos. O próprio Caim, embora caia sobre ele a maldição por causa do crime que cometera, recebe como dom do Criador um sinal de proteção, para que a sua vida seja salvaguardada (cf. Gn 4, 15). Este facto, ao mesmo tempo que confirma a dignidade inviolável da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus, manifesta também o plano divino para preservar a harmonia da criação, porque «a paz e a violência não podem habitar na mesma morada».[5]

É precisamente o cuidado da criação que está na base da instituição do Shabbat que, além de regular o culto divino, visava restabelecer a ordem social e a solicitude pelos pobres (Gn 2, 1-3; Lv 25, 4). A celebração do Jubileu, quando se completava o sétimo ano sabático, consentia uma trégua à terra, aos escravos e aos endividados. Neste ano de graça, cuidava-se dos mais vulneráveis, oferecendo-lhes uma nova perspetiva de vida, para que não houvesse qualquer necessitado entre o povo (cf. Dt 15, 4).

Digna de nota é também a tradição profética, onde o auge da compreensão bíblica da justiça se manifesta na forma como uma comunidade trata os mais frágeis no seu seio. É por isso que particularmente Amós (2, 6-8; 8) e Isaías (58) erguem continuamente a voz em prol de justiça para os pobres, que, pela sua vulnerabilidade e falta de poder, são ouvidos só por Deus, que cuida deles (cf. Sal 34, 7; 113, 7-8).

4. O cuidado no ministério de Jesus

A vida e o ministério de Jesus encarnam o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade (Jo 3,16). Na sinagoga de Nazaré, Jesus manifestou-Se como Aquele que o Senhor consagrou e enviou a «anunciar a Boa-Nova aos pobres», «a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos» (Lc 4, 18). Estas ações messiânicas, típicas dos jubileus, constituem o testemunho mais eloquente da missão que o Pai Lhe confiou. Na sua compaixão, Cristo aproxima-Se dos doentes no corpo e no espírito e cura-os; perdoa os pecadores e dá-lhes uma nova vida. Jesus é o Bom Pastor que cuida das ovelhas (cf. Jo 10, 11-18; Ez 34, 1-31); é o Bom Samaritano que Se inclina sobre o ferido, trata das suas feridas e cuida dele (cf. Lc 10, 30-37).

No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte. Deste modo, com o dom da sua vida e o seu sacrifício, abriu-nos o caminho do amor e disse a cada um: «Segue-Me! Faz tu também o mesmo» (cf. Lc 10, 37).

5. A cultura do cuidado, na vida dos seguidores de Jesus

As obras de misericórdia espiritual e corporal constituem o núcleo do serviço de caridade da Igreja primitiva. Os cristãos da primeira geração praticavam a partilha para não haver entre eles alguém necessitado (cf. At 4, 34-35) e esforçavam-se por tornar a comunidade uma casa acolhedora, aberta a todas as situações humanas, disposta a ocupar-se dos mais frágeis. Assim, tornou-se habitual fazer ofertas voluntárias para alimentar os pobres, enterrar os mortos e nutrir os órfãos, os idosos e as vítimas de desastres, como os náufragos. E em períodos sucessivos, quando a generosidade dos cristãos perdeu um pouco do seu ímpeto, alguns Padres da Igreja insistiram que a propriedade é pensada por Deus para o bem comum. Santo Ambrósio afirmava que «a natureza concedeu todas as coisas aos homens para uso comum. (…) Portanto, a natureza produziu um direito comum para todos, mas a ganância tornou-o um direito de poucos».[6] Superadas as perseguições dos primeiros séculos, a Igreja aproveitou a liberdade para inspirar a sociedade e a sua cultura. «As necessidades da época exigiam novas energias ao serviço da caridade cristã. As crónicas históricas relatam inúmeros exemplos de obras de misericórdia. De tais esforços conjuntos, resultaram numerosas instituições para alívio das várias necessidades humanas: hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças, abrigos para forasteiros, e assim por diante».[7]

6. Os princípios da doutrina social da Igreja como base da cultura do cuidado

diakonia das origens, enriquecida pela reflexão dos Padres e animada, ao longo dos séculos, pela caridade operosa de tantas luminosas testemunhas da fé, tornou-se o coração pulsante da doutrina social da Igreja, proporcionando a todas as pessoas de boa vontade um precioso património de princípios, critérios e indicações, donde se pode haurir a «gramática» do cuidado: a promoção da dignidade de toda a pessoa humana, a solidariedade com os pobres e indefesos, a solicitude pelo bem comum e a salvaguarda da criação.

* O cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa

«O conceito de pessoa, que surgiu e amadureceu no cristianismo, ajuda a promover um desenvolvimento plenamente humano. Porque a pessoa exige sempre a relação e não o individualismo, afirma a inclusão e não a exclusão, a dignidade singular, inviolável e não a exploração».[8] Toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos, bem como os deveres, que recordam, por exemplo, a responsabilidade de acolher e socorrer os pobres, os doentes, os marginalizados, o nosso «próximo, vizinho ou distante no espaço e no tempo».[9]

* O cuidado do bem comum

Cada aspeto da vida social, política e económica encontra a sua realização, quando se coloca ao serviço do bem comum, isto é do «conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição».[10] Por conseguinte os nossos projetos e esforços devem ter sempre em conta os efeitos sobre a família humana inteira, ponderando as suas consequências para o momento presente e para as gerações futuras. Quão verdadeiro e atual seja tudo isto, no-lo mostra a pandemia Covid-19, perante a qual «nos demos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários, todos chamados a remar juntos»,[11] porque «ninguém se salva sozinho»[12] e nenhum Estado nacional isolado pode assegurar o bem comum da própria população.[13]

* O cuidado através da solidariedade

A solidariedade exprime o amor pelo outro de maneira concreta, não como um sentimento vago, mas como «a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos».[14] A solidariedade ajuda-nos a ver o outro – quer como pessoa quer, em sentido lato, como povo ou nação – não como um dado estatístico, nem como meio a usar e depois descartar quando já não for útil, mas como nosso próximo, companheiro de viagem, chamado a participar, como nós, no banquete da vida, para o qual todos somos igualmente convidados por Deus.

* O cuidado e a salvaguarda da criação

A encíclica Laudato si’ reconhece plenamente a interconexão de toda a realidade criada, destacando a exigência de ouvir ao mesmo tempo o grito dos necessitados e o da criação. Desta escuta atenta e constante pode nascer um cuidado eficaz da terra, nossa casa comum, e dos pobres. A propósito, desejo reiterar que «não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver no coração ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos».[15] Na verdade «paz, justiça e salvaguarda da criação são três questões completamente ligadas, que não se poderão separar para ser tratadas individualmente, sob pena de cair novamente no reducionismo».[16]

7. A bússola para um rumo comum

Assim, num tempo dominado pela cultura do descarte e perante o agravamento das desigualdades dentro das nações e entre elas,[17] gostaria de convidar os responsáveis das Organizações internacionais e dos Governos, dos mundos económico e científico, da comunicação social e das instituições educativas a pegarem nesta «bússola» dos princípios acima lembrados para dar um rumo comum ao processo de globalização, «um rumo verdadeiramente humano».[18] Na verdade, este permitiria estimar o valor e a dignidade de cada pessoa, agir conjunta e solidariamente em prol do bem comum, aliviando quantos padecem por causa da pobreza, da doença, da escravidão, da discriminação e dos conflitos. Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais. E isto só será possível com um forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais.

bússola dos princípios sociais, necessária para promover a cultura do cuidado, vale também para as relações entre as nações, que deveriam ser inspiradas pela fraternidade, o respeito mútuo, a solidariedade e a observância do direito internacional. A este respeito, hão de ser reafirmadas a proteção e a promoção dos direitos humanos fundamentais, que são inalienáveis, universais e indivisíveis.[19]

Deve ser recordado também o respeito pelo direito humanitário, sobretudo nesta fase em que se sucedem, sem interrupção, conflitos e guerras. Infelizmente, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança. Numerosas cidades tornaram-se um epicentro da insegurança: os seus habitantes fatigam a manter os seus ritmos normais, porque são atacados e bombardeados indiscriminadamente por explosivos, artilharia e armas ligeiras. As crianças não podem estudar. Homens e mulheres não podem trabalhar para sustentar as famílias. A carestia lança raízes em lugares onde antes era desconhecida. As pessoas são obrigadas a fugir, deixando para trás não só as suas casas, mas também a sua história familiar e as raízes culturais.

As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?

Quanta dispersão de recursos para armas, em particular para as armas nucleares,[20] recursos que poderiam ser utilizados para prioridades mais significativas a fim de garantir a segurança das pessoas, como a promoção da paz e do desenvolvimento humano integral, o combate à pobreza, o remédio das carências sanitárias! Aliás, também isto é evidenciado por problemas globais, como a atual pandemia Covid-19 e as mudanças climáticas. Como seria corajosa a decisão de criar «um “Fundo mundial” com o dinheiro que se gasta em armas e outras despesas militares, para poder eliminar a fome e contribuir para o desenvolvimento dos países mais pobres»![21]

8. Para educar em ordem à cultura do cuidado

A promoção da cultura do cuidado requer um processo educativo, e a bússola dos princípios sociais constitui, para o efeito, um instrumento fiável para vários contextos relacionados entre si. A propósito, gostaria de fornecer alguns exemplos:

A educação para o cuidado nasce na família, núcleo natural e fundamental da sociedade, onde se aprende a viver em relação e no respeito mútuo. Mas a família precisa de ser colocada em condições de poder cumprir esta tarefa vital e indispensável.

Sempre em colaboração com a família, temos outros sujeitos encarregados da educação como a escola e a universidade e analogamente, em certos aspetos, os sujeitos da comunicação social.[22] São chamados a transmitir um sistema de valores fundado no reconhecimento da dignidade de cada pessoa, de cada comunidade linguística, étnica e religiosa, de cada povo e dos direitos fundamentais que dela derivam. A educação constitui um dos pilares de sociedades mais justas e solidárias.

As religiões em geral, e os líderes religiosos em particular, podem desempenhar um papel insubstituível na transmissão aos fiéis e à sociedade dos valores da solidariedade, do respeito pelas diferenças, do acolhimento e do cuidado dos irmãos mais frágeis. Recordo, a propósito, as palavras que o Papa Paulo VI proferiu no Parlamento do Uganda em 1969: «Não temais a Igreja; esta honra-vos, educa-vos cidadãos honestos e leais, não fomenta rivalidades nem divisões, procura promover a liberdade sadia, a justiça social, a paz; se tem alguma preferência é pelos pobres, a educação dos pequeninos e do povo, o cuidado dos atribulados e desvalidos».[23]

A todas as pessoas empenhadas no serviço das populações, nas organizações internacionais, governamentais e não governamentais, com uma missão educativa, e a quantos trabalham, pelos mais variados títulos, no campo da educação e da pesquisa, renovo o meu encorajamento para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão».[24] Espero que este convite, dirigido no contexto do Pacto Educativo Global, encontre ampla e variegada adesão.

9. Não há paz sem a cultura do cuidado

cultura do cuidado, enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos, enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco, constitui uma via privilegiada para a construção da paz. «Em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, há necessidade de artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro».[25]

Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela do Mar e Mãe da Esperança. Colaboremos, todos juntos, a fim de avançar para um novo horizonte de amor e paz, de fraternidade e solidariedade, de apoio mútuo e acolhimento recíproco. Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis, não nos habituemos a desviar o olhar,[26] mas empenhemo-nos cada dia concretamente por «formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros».[27]

Vaticano, 8 de dezembro de 2020.

 

Franciscus




[1] Cf. Francisco, Vídeo-mensagem por ocasião da LXXV Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (25 de setembro de 2020).

* A expressão «cultura do cuidado» aparece na encíclica Laudato si’: «o amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade» (n. 231). Veja-se também o número 229.

[2] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 67

[3] Cf. Francisco, «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz»Mensagem para a celebração do XLVII Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2014), 2.

[4] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 70.

[5] Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio da Doutrina Social da Igrejan. 488.

[6] De officiis, 1, 28, 132: PL 16, 67.

[7] K. Bihlmeyer – H. Tüchle, Church History, vol.1 (Westminster, The Newman Press, 1958), 373-374.

[8] Francisco, Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, no cinquentenário da «Populorum progressio» (4 de abril de 2017).

[9] Francisco, Mensagem à XXII Sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP22) (10 de novembro de 2016. Cf. Mesa Interdicasterial da Santa Sé sobre a ecologia integral, Em marcha pelo cuidado da casa comum; no V aniversário da «Laudato si’» (LEV, 31 de maio de 2020).

[10] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 26.

[11] Francisco, Momento Extraordinário de Oração em Tempo de Epidemia (27 de março de 2020).

[12] Ibidem.

[13] Cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 8; 153.

[14] São João Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de dezembro de 1987), 38.

[15] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 91.

[16] Conferência do Episcopado Dominicano, Carta past. Sobre la relación del hombre con la naturaleza (21 de janeiro de 1987); cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 92.

[17] Cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 125.

[18] Ibid., 29.

[19] Cf. Francisco, Mensagem aos participantes na Conferência Internacional «Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões, negações» (Roma, 10 de dezembro de 2018).

[20] Cf. Francisco, Mensagem à Conferência da ONU finalizada a negociar um instrumento juridicamente vinculante sobre a proibição das armas nucleares, que leve à sua total eliminação (23 de março de 2017).

[21] Francisco, Vídeo-mensagem por ocasião do Dia Mundial da Alimentação de 2020 (16 de outubro de 2020).

[22] Cf. Bento XVI, «Educar os jovens para a justiça e a paz», Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2012), 2; Francisco, «Vence a indiferença e conquista a paz»Mensagem para o XLIX Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2016), 6.

[23] Discurso aos Deputados e Senadores do Uganda (Kampala 1 de agosto de 1969).

[24] Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo (12 de setembro de 2019).

[25] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 225.

[26] Cf. ibid., 64.

[27] Ibid., 96; cf. Francisco, «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz»Mensagem para a celebração do XLVII Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2014), 1.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Folhinha nº 696 de 21 dezembro de 2020 a 3 de janeiro de 2021

Folhinha Interparoquial nº 696 de 21 dezembro de 2020 a 3 janeiro 2021

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:


-Quem desejar intenções de missa pode fazê-lo na Inscrição via e-mail, tel. ou no próprio dia, junto da Equipa de Acolhimento..







Natal, simplesmente!

Natal, simplesmente!

por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 18 de dezembro 2020 no jornal diário "Correio do Minho"



Em meados de novembro passado, na leitura matinal, sempre apressadas, dos jornais do dia, tropecei, literalmente, num poema cujo título, forte e interpelante, obrigou o meu olhar a regressar ao outro lado da página e a inverter o movimento do mudar de página já iniciado.
O desassossego provocado pelo título “Não haverá Natal?” rapidamente foi evoluindo para a severidade com a resposta do verso imediato “Claro que sim!”. Fiquei encantado com o texto, onde o Pe. Javier Leoz, pároco de São Lourenço, em Pamplona, faz a sua reflexão sobre o Natal de 2020, em forma de poema, sendo a tradução livre do espanhol de frei Acílio Mendes, que decidi transcrever, nesta crónica, a última a publicar antes do Natal:
NÃO HAVERÁ NATAL?
Claro que sim!
Mais silencioso e com mais profundidade,
Mais parecido com o primeiro em que Jesus nasceu em solidão.
Sem muitas luzes na terra,
mas com a da estrela de Belém
fulgurando trilhas de vida em sua imensidão.
Sem cortejos reais colossais,
mas com a humildade de sentir-nos
pastores e servos buscando a Verdade.
Sem grandes mesas e com amargas ausências,
mas com a presença de um Deus que tudo plenificará.
Não haverá natal?
Claro que sim!
Sem as ruas a transbordar,
mas com o coração aquecido
pelo que está por chegar.
Sem barulhos nem ruídos,
propagandas ou foguetes...
mas vivendo o Mistério sem medo
do "covid-herodes" que pretende
tirar-nos até o sonho da esperança.
Haverá Natal porque Deus está ao nosso lado
e partilha, como Cristo no presépio,
nossa pobreza, prova, pranto, angustia e orfandade.
Haverá Natal porque necessitamos
de uma luz divina no meio de tanta escuridão.
A Covid19 nunca poderá chegar ao coração nem à alma
dos que no céu põe sua esperança e seu maior ideal.
Haverá Natal!
Cantaremos nossos cantos natalinos!
Deus nascerá e nos trará a liberdade!


Claro que esta reflexão é marcada pelas mensagens dos textos bíblicos, mas também pelas vivências típicas da tradição social. O que é perfeitamente natural uma vez que a nossa tradição natalícia, celebrando o nascimento do Deus Menino incorporou nesta celebração melhor, nestas celebrações, as tradições das populações que progressivamente se foram cristianizando.


Esta reflexão procura lembrar-nos as origens do Natal: a família que, por causa do recenseamento decretado pelo imperador, se desloca a Belém, para cumprir o seu dever cívico, tendo Maria dado à luz, em condições muito precárias, naquela localidade. Há uma ideia fundamental em todo o texto: a Esperança, uma das virtudes teologais, que o autor explora para fazer de contraponto às consequências da pandemia.


O autor procura transmitir-nos a mensagem que a existência do Natal não depende das condicionantes, por mais terríveis que sejam, impostas pelo “covid-herodes”, mas que o Natal só depende de nós, Javier Loez defende a mesma ideia que Ary dos Santos já imortalizara antes: “Natal é em Dezembro / Mas em Maio pode ser / Natal é em Setembro / É quando um homem quiser” ou Vitorino Nemésio em “Natal chique” onde retoma este mesmo enquadramento “Percorro o dia, que esmorece / Nas ruas cheias de rumor; / Minha alma vã desaparece / Na muita pressa e pouco amor.”


O pároco de São Lourenço vai um pouco mais longe ao estabelecer uma ligação tão íntima entre o humano e o divino na celebração deste Natal que, também podemos encontrar no poema de Santa Teresa d’Ávila: “Nada te perturbe / nada te espante, / tudo passa, / só Deus não muda. / A paciência tudo alcança. / Quem a Deus tem, / nada lhe falta. / Só Deus basta.” ou no poema do Cardeal José Tolentino Mendonça “Para haver Natal” onde podemos encontrar um desafio que nos remete para as origens: “Para haver Natal este natal / talvez seja preciso reaprendermos / coisas tão simples!”.


Que bom seria se em todos os agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas e nas comunidades onde estão inseridos este fosse o Natal de 2020.


Aos leitores e aos profissionais do Correio do Minho, votos de Santo e Feliz Natal.


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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Folhinha nº 695 de 14 a 20 dezembro de 2020

Folhinha Interparoquial nº 695 de 14 a 20 dezembro de 2020

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:


-Quem desejar intenções de missa pode fazê-lo na Inscrição via e-mail, tel. ou no próprio dia, junto da Equipa de Acolhimento..







sábado, 12 de dezembro de 2020

ACIJE e CEA - A NEW CHRISTMAS TIME ✨ - 12 Dezembro 2020 ás 21:30h


12 Dezembro 2020 ás 21:30h

Assiste connosco ao concerto "A New Christmas Time" gravado pela ACIJE - Associação do Coro Infanto-Juvenil de Esporões em colaboração com a CEA - Cooperativa de Ensino Artístico na Capela da Imaculada do Seminário Menor em Braga.

https://youtu.be/L_KA1mkE67E Numa época que se adivinha diferente, pretendemos que as nossas vozes cheguem a todos e, de um modo especial, aqueles que sofrem mais com esta pandemia. Músicos João Bastos - Piano Inês Silva - Violino Margarida Pinto - Violoncelo Júlio Reis - Guitarra Beatriz Martinho - Bateria Maestrinas Ana Emília Teixeira Federica Miranda Obrigada a todos! Feliz Natal! Contactos: 🎵http://www.acije.com/ 🎵acijesporoes@gmail.com 🎵918394571