Folhinha Interparoquial nº 686 de 12 a 18 de outubro de 2020
Paróquias de:- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:
Folhinha Interparoquial nº 686 de 12 a 18 de outubro de 2020
Paróquias de:Quem é esse menino que em tão pouco tempo conquistou o coração dos Católicos no mundo todo?
Baden-Powell criou o Escutismo, no ano
de 1907, em Inglaterra, mas a sua expansão foi fulminante, espalhando-se por
todos os continentes. Em julho de 1922, representantes das associações
escutistas, tendo em vista a coordenação do Movimento escutista
em todo o mundo, reuniram-se
em Paris e criaram a Conferência Internacional do Escutismo assistida por uma Comissão Executiva e um Secretariado.
Foi aprovada uma Constituição para reger
a Organização Mundial do Movimento escutista dentro de um espírito de cooperação, de amizade e de fraternidade
mundiais. A Constituição em vigor foi revista pela 41ª Conferência Mundial que decorreu nos
dias 14 a 18 de agosto de 2017, em Baku, no Azerbaijão, tendo a alteração mais
significativa incidido sobre o artigo III – Método Escutista.
O primeiro capítulo da constituição
define o “Movimento escutista”, sendo o seu conteúdo vertido nos estatutos das
organizações nacionais que queiram integrar o Movimento Escutista, é mesmo a
condição sine qua non para que tal
possa ser possível.
O artigo primeiro define: «1. O Movimento escutista é um movimento educativo
para os jovens, baseado no voluntariado; é um movimento de carácter não
político, aberto a todos sem distinção de origem, de raça ou de credo, em
conformidade com as finalidades, princípios e método tal como concebidos pelo
Fundador e abaixo formulados.» e estabelece a sua
finalidade: «2. O Movimento escutista tem por finalidade
contribuir para o desenvolvimento dos jovens ajudando-os a realizarem-se
plenamente no que respeita às suas possibilidades físicas, intelectuais,
sociais e espirituais, quer como pessoas, quer como cidadãos responsáveis e
quer, ainda, como membros das comunidades locais, nacionais e internacionais.»
Já o artigo segundo estabelece, em três
pontos, os princípios do escutismo – Princípios, Adesão
a uma Promessa e uma Lei e O
Emblema do Escutismo Mundial:
1. Princípios
«• Dever para com Deus.
- A adesão a princípios espirituais, a fidelidade à
Religião que exprime esses princípios e a aceitação dos deveres que dela
decorrem.
• Dever para com os outros.
- A lealdade para com o seu país, na perspetiva da
promoção da paz, da compreensão e da cooperação a nível local, nacional e
internacional.
- A participação no desenvolvimento da sociedade no
respeito da dignidade humana e da integridade da natureza.
• Dever para consigo mesmo.
- A responsabilidade do seu próprio
desenvolvimento.»
2. Adesão a uma Promessa e uma Lei
«Todos os
membros do Movimento escutista devem aderir a uma Promessa e uma Lei que espelhem,
em linguagem apropriada à cultura e à civilização de cada Organização Escutista
Nacional e aprovadas pela Organização Mundial, o Dever para com Deus, o Dever
para com os outros e o Dever para consigo mesmo, e inspiradas na Promessa e na
Lei concebidas, na origem, pelo Fundador do Movimento Escutista» (...) [1]
3. O Emblema do Escutismo Mundial
«O Emblema do
Escutismo Mundial é o símbolo de pertença ao Movimento Escutista. É constituído
por uma flor de lis branca estilizada, envolvida por uma corada mesma cor
disposta em círculo e unida na sua parte inferior por um nó direito, o conjunto
sobre fundo púrpura, e constitui um elemento essências da identidade de marca
do Movimento escutista.»
Finalmente, o terceiro
artigo remete-nos para o método
escutista que define como sendo: «um
sistema da autoeducação progressiva baseado sobre a interação dos seguintes
elementos: a Promessa e a Lei escutistas, o aprender fazendo, a progressão
pessoal, o sistema de equipas, o suporte dos adultos, o quadro simbólico, a
natureza e o envolvimento na comunidade.
O método escutista pratica-se criando uma
experiência educativa, significativa para os jovens. Deve ser aplicado de forma
coerente com a finalidade e os princípios do Movimento escutista. É igualmente
descrito numa política específica adaptada e revista de tempos a tempos pela
Conferência Mundial do Escutismo.»
Assim, a jeito de
conclusão dir-se-á que o Escutismo pode prosseguir a sua ação, mesmo em tempos
de pandemia, bastando agir como qualquer cidadão consciente, seguindo as regras
emanadas pelas autoridades competente e não esquecendo que só poderemos ser
úteis aos outros se nós próprios estivermos bem.
[1] Não se transcreve a Promessa
nem a Lei do Escuta, uma vez que já lhes dedicámos várias crónicas (CM: em
2012: 10.fev; em 2015: 09 e 23.out, 20.nov, 04 e 18.dez; em 2016: 15.jan,
26.fev)
Na semana passada referi o desafio
resultante da alteração de parte das equipas de 4 Núcleos, da Junta Regional e
do Conselho Fiscal e Jurisdicional Regional, neste último órgão foi uma
recondução da mesma equipa, na Região de Braga, por força do calendário
eleitoral.
Hoje, queria dar-vos nota de um outro
desafio que, nos meses de setembro e outubro, todos os agrupamentos enfrentam:
a construção do plano de atividades e respetivo orçamento, para o ano escutista
de 2020/2021.
Com o ano escutista que terminou
percebemos que, a final, os fatores externos, em determinadas circunstâncias,
são demasiado poderosos por forma a destruírem o planeamento, cuidadosamente
elaborado. A pandemia obrigou-nos a congelar, para ser simpático, todos os
planos que tínhamos, praticamente em 2020. Alguns de nós, percebemos então a
verdadeira dimensão de um pensamento de Albert Einstein: «a palavra ''progresso'' não terá qualquer sentido enquanto houver
crianças infelizes» e percebemos que, no Escutismo Católico, muito mais
importante que o caminho – o “progresso”
é a missão – a “felicidade de crianças e
jovens”.
O plano de atividades para o novo ano
escutista será indelevelmente marcado pela pandemia, e elaborado sob o seu
efeito devastador, sem sabermos qual será a sua evolução, na esperança que a
“milagrosa” vacina seja aprovada pelas autoridades competentes, colocada no
mercado e distribuída universalmente. É, por assim dizer, um salto “sem
paraquedas” e, também nós, ficamos inquietos e, quando não, paralisados.
Como hoje
estou grato a Blaise Pascal pelas suas palavras que, quando as li pela primeira
vez, me pareceram muito duras, para ser educado, mas que hoje compreendo o seu
verdadeiro alcance: «Cristo morreu de braços abertos, para que
nós não vivamos de braços cruzados».
O CNE adotou, no plano trienal de
atividades, o jovem Carlo Acutis como figura e exemplo de vida de 2020/2021. Nasceu
em Londres em 1991 e viveu em Milão, falecendo em 2006, em Monza, vítima de uma
leucemia fulminante. Carlo foi declarado venerável da igreja, no verão de 2018.
Na sua curta vida, de 15 anos,
demonstrou uma grande abertura aos outros, sobretudo aos mais necessitados, sem
nenhuma distinção de raça ou religião e sempre foi um jovem normal, com hábitos
semelhantes aos dos seus pares, gostava de estudar, jogar futebol, estar com os
outros e das tecnologias da informação (cfr. https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-08/veneravel-carlo-acutis.html). A Carlo Acutis, estão associadas: o
“computador” - enquanto símbolo, a palavra-chave - “ser” e o pensamento –
“preferir o original à fotocópia”.
Por sua vez, a arquidiocese de Braga definiu o plano pastoral para o triénio 2020/2023,
sob o lema Uma Igreja Sinodal e Samaritana,
sendo, neste primeiro ano marcado pelo lema - Onde há amor há um olhar e pela
frase extraída do Evangelho de Lucas (10, 33) - «Chegou ao pé dele e vendo-o, encheu-se de compaixão».
Assim sendo, este ano teremos de nos
focar, de um modo muito especial, na visão que temos da nossa ação de
educadores e na missão do escutismo, na igreja e na sociedade, nos tempos
pandémicos instáveis que vivemos.
As atividades são só os instrumentos
previsionais que nos propomos realizar e, como tal, não são a essência dos
planos. A essência é o crescimento em idade, sabedoria e graça das crianças e
jovens, os destinatários centrais da nossa ação de educadores.
Neste sentido, as atividades a incluir
no plano deverão ter uma geometria variável para se adequarem à realidade temporal,
em constante mutação, evitando, deste modo, a desilusão resultante da sua não
realização. Recordemos as palavras de John P.
Kotter (Gerir a Mudança) «nas
transformações falhadas, frequentemente encontra-se uma abundância de planos,
diretivas e programas, mas não se encontra uma visão».
Nas visões dos planos do CNE e da
arquidiocese de Braga temos presente a centralidade do outro para quem olhamos
com amor, que ajudamos desinteressadamente e com quem compartilhamos. Ao
vertê-las para os nossos planos estamos a valorizar o “outro”, levando-o à
“felicidade” e contribuindo para “um mundo melhor”. Nos momentos de maiores
dificuldades tenhamos presentes as palavras de Alexandre Herculano: «É
erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a
vontade vence-os».
O Corpo Nacional de Escutas inicia este
mês de setembro o seu ano escutista, coincidente, mais coisa menos coisa, com o
ano escolar. Na região de Braga, área territorial correspondente à arquidiocese
de Braga, este início vai ser marcado pela eleição dos órgãos regionais, a
junta regional de Braga (JRB) e o conselho fiscal e jurisdicional de Braga
(CFJRB), para o próximo triénio – 2020/2023. Assim, dia 12 de setembro,
entre as 10,00 e as 16,00 horas, 3.824 eleitores (sendo 1.360 jovens
caminheiros, dos 18 aos 22 anos, e 2.464dirigentes) serão chamados a elegerem,
ou não, estes órgãos regionais.
Também em quatro dos nove núcleos da
região serão escrutinadas as respetivas juntas de núcleo (assim se designam os
órgãos executivos dos núcleos):
·
Núcleo
de Guimarães – que inclui os concelhos de Guimarães e de Vizela;
·
Núcleo
do Cego do Maio – que inclui os concelhos da Póvoa de Varzim, Esposende e parte
do de Vila do Conde;
·
Núcleo
de Vieira do Minho – que inclui os concelhos de Vieira do Minho e parte do de
Terras de Bouro;
·
Núcleo
de Braga inclui os concelhos de Braga, Amares e parte do de Terras de Bouro.
Desta forma, este fim de semana, cerca
de 50% das estruturas intermédias da região de Braga sofrerão esta escolha
democrática, tão fundamental para garantir a evolução permanente do movimento,
para reagir às novas aspirações e anseios das crianças e jovens do próximo
triénio. É a oportunidade para a renovação sempre necessária, mas sem
complexos, para a construção de novas abordagens e perspetivas, não perdendo o
enfoque no essencial: os lobitos, os exploradores, os pioneiros e os caminheiros
- eles são a razão de ser do escutismo!
Aos novos candidatos e aos que vão
repetir o mandato, desejamos as maiores felicidades no desempenho das missões
que se propõem abraçar, na certeza de que eles já são credores do nosso
reconhecimento e, certamente no final do triénio, o CNE terá ainda mais razões
para lhes agradecer os resultados obtidos.
Aos dirigentes que terminam estes seus
trabalhos, eles partem com a convicção do dever cumprido, de terem, com a sua
ação, contribuído para a construção de um mundo melhor, pelo que lhes é merecido
o justo agradecimento pelos serviços prestados ao escutismo, ao país e à igreja.
Sim, porque ajudar crianças e jovens a crescerem em idade, sabedoria e graça, é
permitir que sejam verdadeiros agentes cidadania, solidariamente ativo e agindo
à luz da fé que professam.
Aos eleitores – caminheiros e dirigentes
– é pedido que façam escolhas sérias e conscientes, que se assumam como
verdadeiros exemplos de cidadania e não abdiquem do exercício de votar, pois,
no escutismo eles são, cada um à sua maneira, exemplos vivos para os mais novos,
e todos sabemos a importância que o “exemplo” tem na educação, em geral, e no
escutismo, em particular.
A Junta Regional e o Conselho Fiscal e
Jurisdicional Regional, tomarão posse no próximo dia 27 de setembro, na Póvoa
de Lanhoso, durante uma das atividades mais marcantes da região de Braga: a Abertura Regional do Ano Escutista.
Lá, nas terras da lendária Maria da
Fonte, esperam-se tempos de reação e de mudança. De reação à pandemia que nos
oprime os movimentos e a ação, mas também a liberdade do “fazer” e do “ser”, e,
tal como este mito vivo da nossa História, mudança porque estas terras também
tiveram um papel importante na criação de Portugal, queremos comprometemo-nos
numa mudança consciente de luta sem tréguas, mas sem desguarnecer as defesas de
cada um e de todos os outros. Claro que também nós sabemos que uma “guerra” não
se ganha pelo número dos combatentes que tombam em combate, mas pelo número de
soldados que se conservam vivos.
Votos para que sejam soldados de paz e que
vivam para que os outros também possam viver cada vez melhor.
A Direção do Agrupamento de Escuteiros nº 810 Nogueiró, do Corpo Nacional de Escutas, cumpre o doloroso dever de informar o falecimento da D. Deolinda Ferreira Fernandes (1963/2020), mãe da Ex- Pioneira Marta Coelho, cunhada dos Dirigentes Alberto e Márcia Coelho, e tia dos escuteiros Elsa e Diogo Coelho mais informa que o corpo se encontra em câmara ardente na Capela Mortuária de Nogueiró no final da tarde de hoje dia 24.
O funeral, com missa de corpo presente, realiza-se amanhã terça-feira, dia 25 de agosto de 2020 ás 17h na Igreja Paroquial de Nogueiró.
A direção do agrupamento envia à Marta e a toda a família, sentidas condolências. Que o Chefe Divino acolha a D. Deolinda no acampamento eterno, descanse em paz.
UM JOVEM DA JOC - O PRIMEIRO SANTO ESCOTEIRO por: D. Antonino Dias
Marcel Callo é mais um dos jovens citados no documento conclusivo do Sínodo que o Papa Francisco dirigiu aos jovens. Marcel foi alguém que se deu generosamente para deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrou. Nasceu em Rennes, França, a 6 de Dezembro de 1921, numa família católica de nove filhos. Foi acólito, ingressou no Escotismo. Este marcou para sempre a sua formação cristã. Por conselho do seu Assistente religioso, entrou na Juventude Operária Católica, na JOC. Aos 12 anos, tornou-se aprendiz numa gráfica, ficou a trabalhar como tipógrafo. Ajudado pelo grupo e fortalecido pela oração, pela dinâmica sacramental e por uma ação apostólica concebida segundo a metodologia daqueles Movimentos, testemunhou a sua fé no mundo do trabalho, permaneceu fiel à promessa de escoteiro, sabia orientar os azimutes do percurso existencial, a bússola dos ideais jamais o deixou perder o norte. Tinha a consciência de que é na Igreja que nos tornamos cristãos, é com a Igreja que poderemos ajudar a construir uma sociedade intelectualmente mais habitável. Amando a vida e gostando de viver, lutava contra as solicitações menos saudáveis, contra tudo quanto o pudesse tornar menos livre, tendo em Jesus o seu primeiro e grande Amigo a cuja amizade procurava corresponder. Por isso, apesar do sofrimento e das contrariedades que teve de suportar, viveu feliz, de bem com a vida, sabia em quem confiava, tudo fazia para que os outros pudessem fazer a experiência dessa amizade com Jesus. Até, na Quaresma, ia de porta em porta, com outros elementos da JOC, a convidar as pessoas para que celebrassem convenientemente a Páscoa de Jesus, a festa por excelência dos cristãos. Certo dia, a mãe perguntou-lhe se ele não teria vocação para o sacerdócio, como seu irmão mais velho. Ele respondeu: "Não me sinto chamado ao sacerdócio. Eu acho que faço mais coisas boas ao permanecer no mundo". Aos vinte anos apaixonou-se por uma jovem, fazendo do seu namoro um verdadeiro itinerário de fé. Rezavam juntos, participavam juntos na Eucaristia, respeitavam-se mutuamente, tencionavam casar-se no mesmo dia em que o seu irmão seria ordenado sacerdote.
Com o armistício de 1940, com a ocupação da França pela Alemanha nazi, Marcel foi inscrito no serviço de trabalho obrigatório. Se havia quem não estivesse de acordo e escolhesse a resistência, Marcel foi para a Alemanha: “Eu vou como missionário, para ajudar os outros a resistir”. Não esqueceu a sua cruz da promessa de escoteiro e o seu emblema da JOC. Associou-se a alguns amigos e ofereceram-se como 'missionários de estação de comboios', onde ajudaram muita gente a escapar para os territórios não ocupados. Não demorou em procurar uma comunidade cristã, onde pudesse participar na Eucaristia - a sua maior alegria!, ele mesmo se fez eucaristia!. Aí, traduzia em francês para os seus compatriotas, participava e organizava grupos de ação diversa em prol da comunidade, desde o futebol ao teatro, da liturgia aos doentes e necessitados.
Numa fábrica de armamento, na Alemanha, onde eram forçados a trabalhar onze horas por dia, com fome, frio e desconforto de toda a espécie, mesmo aí, Marcel encontrou espaço para agir. Sem se deixar abater, meteu mãos à obra, descobriu outros elementos da JOC e dos escoteiros, organizou grupos de ação. Procurou e encontrou, entre os deportados, um padre para celebrar a Eucaristia e confessar quem o desejasse. Sem receio, convida outros a participar nos atos religiosos, levando muitos à conversão, pela palavra e pelo testemunho. Em qualquer lugar que se encontrasse e fossem quais fossem as circunstâncias, Marcel mantinha sempre vivo o entusiasmo, a fé, a esperança e o amor a todos. A todos procura apaixonar por Jesus Cristo à boa maneira dos cristãos da primeira hora, sem nada que o fizesse desanimar. Todos os dias procurava novas formas de testemunhar Jesus e ajudar os outros. Assobiando a divisa dos escoteiros ou da JOC, esse era o sinal para que todos fizessem, cada um para si, uma pequena oração. Esta intensa atividade de Marcel caiu sob suspeita, até a correspondência com a sua noiva lhe era intercetada. Em 19 de Abril de 1944, com os seus amigos de luta, acabou por ser preso pela Gestapo, por ser "muito católico" e ativo. Da prisão, escreveu a seu irmão, recentemente ordenado sacerdote, dizendo-lhe: “Felizmente, há um amigo que não me deixa um momento e que sabe como me apoiar e me consolar. Com ele, os momentos mais dolorosos e perturbadores são superados. Nunca vou agradecer a Cristo o suficiente por me indicar o caminho que eu agora sigo”.
A 7 de outubro, um grupo de pessoas foi enviado para o campo de extermínio de Mauthausen, Marcel, passando pelo campo de Flossenbuerg, também. Esteve no subcampo de Gusen II, onde se construíam partes de aviões de combate em instalações subterrâneas. As péssimas condições destes lugares aliadas à brutalidade, à subnutrição e aos forçados trabalhos, trabalhos dificílimos pelo frio e a humidade, tornavam os prisioneiros presa fácil de gangrenas, diarreias, úlceras, tuberculose... Marcel adoeceu com tuberculose, em Janeiro de 1945. Na enfermaria, amontoavam-se aos cinco por cama. No último dia, Marcel caiu nas latrinas, regressou à enfermaria. Quem o levou nos braços testemunhou a expressão de felicidade do seu olhar moribundo. Tinha a aparência de um santo, um olhar de amigo sereno, um suave sorriso que a todos impressionava. Faleceu a 19 de março de 1945, com vinte e três anos de idade. Assumindo heroicamente a pesada cruz de cada dia, o seu testemunho de vida e a sua dedicação aos outros foram reconhecidas não só pelos cristãos da Alemanha, mas também pelos Bispos da Alemanha e Áustria.
Foi beatificado por São João Paulo II a 4 de Outubro de 1987. Foi o primeiro escoteiro no mundo a ser beatificado. Celebra-se a 19 de Abril. No processo de beatificação de Marcel, um prisioneiro que se converteu depois da guerra, declarou: "Se eu, não-crente, vi milhares de prisioneiros morrerem, e era atingido pelo olhar de Marcel, é porque havia algo extraordinário sobre ele: para mim era uma revelação: o seu olhar expressava uma profunda convicção que levava à felicidade. Era um ato de fé e esperança para uma vida melhor. Eu nunca vi em nenhum moribundo, e já vi milhares deles, um olhar como o dele: pela primeira vez diante de um deportado, vi uma marca que não era apenas o desespero".
Marcel, se nos lembra o horror dos campos de extermínio, faz-nos ter saudades daqueles Movimentos Apostólicos que apostavam fortemente na formação humana e cristã dos seus membros, que os preparavam para o compromisso eclesial e social, vivendo habitados por Cristo. Preparados e estimulados a meterem mãos à obra na transformação da sociedade, a todos ajudavam, a todos incentivavam ao bem, sem medo, com a valentia do Espírito.
Quanto bem podem fazer os Movimentos eclesiais se forem levados a sério!...
A determinação deste jovem leigo, se nasceu no seio duma família cristã, fortaleceu-se naqueles Movimentos que escolheu para se integrar e crescer, onde a formação era, de facto, uma prioridade para depois se atuar nos ambientes sociais e laborais. O seu testemunho interpela-nos, faz-nos pequeninos, envergonha-nos. Como refere o Papa Francisco, “muitos santos jovens têm feito brilhar os traços de idade juvenil em toda a sua beleza e, na sua época, foram verdadeiros profetas da mudança; o seu exemplo mostra de que são capazes os jovens quando se abrem ao encontro com Cristo” (CV49).
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 14-08-2020