sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Escutismo: Movimento Seguro (I), por C.A.P.

Escutismo: Movimento Seguro (I)








«Faço um sentido apelo à luta contra os abusos de menores, tanto no campo sexual como em outros campos, por parte de todas as autoridades e dos indivíduos, porque se trata de crimes abomináveis que devem ser banidos da face da Terre: pedem isto mesmo as vítimas escondidas nas famílias e em vários outros setores das nossas sociedades.»
Discurso conclusivo do Santo Padre Francisco, in, Cimeira no Vaticano: A Proteção dos Menores na Igreja, Consciencialização e Purificação, ed. Paulus, 2019, p.175.






É nosso propósito dar conta aos leitores do Correio do Minho o esforço que o Escutismo Católico Português tem vindo a desenvolver, na senda do fundador mundial, Baden-Powell, para quem o escutismo era um instrumento para dar esperança aos jovens do início do século vinte, que não tinham perspetivas de emprego, de integração social, de valorização pessoal e profissional, que viviam à margem de uma sociedade de elites, que lhes cerrava as portas do acolhimento, da integração e do desenvolvimento.

Por isso, as questões de maus tratos e de abusos, relativamente a crianças e jovens, têm estado presente no ideário do CNE, desde logo, na Lei do Escuta, na Promessa e nos seus Princípios, que constituem o quadro de valores, que colocam a criança e o jovem no centro do processo e do método educativo, fazendo de cada um deles os protagonistas da sua própria educação, procurando, desta forma, materializar o pensamento de B.-P. “creio que Deus nos colocou na terra para sermos felizes, mas a melhor maneira de sermos felizes é contribuir para a felicidade dos outros”, procurando “deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos”.

Desde os seus primeiros estatutos, aprovados a 27 de maio de 1923, pelo Governador Civil do Distrito de Braga, e do primeiro regulamento, de 1924, que a preocupação com o recrutamento de adultos, os candidatos a dirigente, que no CNE, à época, designado como Corpo de Scouts Católicos Portugueses, mereceu, tal como nos dias de hoje, uma atenção especial, procurando sempre melhorar o perfil do dirigente, bem como a qualidade da formação prévia, para que o discernimento possa ser o mais consciente possível e para que, durante esta fase do seu percurso inicial de formação, de aproximadamente dois anos, o candidato a dirigente seja sempre acompanhado e ajudado por um tutor local.

No livro, Normas de Acampamento, publicado pelas Edições Flor de Lis, do CNE, em julho de 1978, no ponto referente ao material de campo, página 7, podemos ler: “Alem destas [tendas] serão precisas uma tenda para dirigentes – a nenhum Chefe é permitido partilhar a tenda com escuteiros – uma (...)”, este sublinhado não é nosso.

Também o Manual do Dirigente, resultante da última alteração ao Programa Educativo do CNE, realizada no triénio de 2008/2010, e publicado, no ano escutista de 2010/2011, a norma anterior é reforçada pela determinação que cada Bando, Patrulha, Equipa e Tribo tem a sua própria tenda, sendo a tenda vista como um espaço de intimidade e privacidade, pelo que, nos casos em que estas unidades base sejam mistas, isto é, compostas por raparigas e rapazes, as tendas são duplicadas para que as raparigas durmam numa das tendas e os rapazes na outra (cfr. páginas 205 e 229).

Além disto, os acampamentos e as sedes tornaram-se, nas últimas décadas, espaços que os pais podem frequentar, tendo sido criado, no quadro normativo o conselho consultivo de pais onde estes têm representantes, eleitos pelos seus pares, para acompanhar a atividade desenvolvida pelas quatro Secções: Alcateia, Expedição, Comunidade e Clã.




[1]           Pela natureza da temática, pela sua complexidade, delicadeza e extensão, dedicar-lhe-emos algumas crónicas 

Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 22 novembro 2019 no jornal diário "Correio do Minho"

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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Chegou a Caderneta dos Santos


Caderneta dos Santos, uma maneira divertida de conhecer vidas «com Sentido»

Os Escuteiros de Nogueiró aderiram através da Paróquia, a esta iniciativa e já têm disponíveis cadernetas e cromos para venda, 
Caderneta + 1 saqueta oferta = 5 €
Saqueta com 5 cromos = 1 €
Entre em contacto connosco

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foto: Colégio Santa Maria - CSM

Este projeto pretende dar a conhecer, de maneira lúdica e com a linguagem dos mais novos, vidas de santos e santas que são "modelo para a atualidade".
Chama-se «Caderneta dos Santos» e andou "um bom par de anos" a habitar o imaginário de Tiago Rodrigues, um jovem pai, profissional de gestão, e que viu uma "lacuna" no "crescimento espiritual dos mais novos":
"A ideia de fazer uma caderneta dos Santos surgiu numa conversa com o meu afilhado. Ele tinha na altura 8 anos de idade e mostrava-me uma coleção que estava a fazer, de cartas colecionáveis de figuras mitológicas. Estas figuras, que eram ricas em ficção, tinham poderes que ele sabia de cor. No entanto, não era tão conhecedor da vida de Jesus e de Maria como eu gostaria, o que me preocupava especialmente como seu padrinho", afirma o autor.
Perante o que considera ser "uma falha" Tiago Rodrigues pôs mãos à obra e, há 4 anos, começou a «Caderneta dos Santos», um projeto que viu "a luz do dia" no último trimestre de 2018.
"Como projeto demorou muito tempo a estar como desejávamos. Quisemos um produto "lúdico e divertido de formação religiosa, histórica e cultural, virado para os mais novos", diz Tiago Rodrigues.
O autor considera que "existe, em certa medida, uma lacuna no acompanhamento deste mundo dos mais novos" e pensa que a caderneta é "disruptiva e capaz de concorrer com qualquer caderneta colecionável no mercado".
Apesar de dirigida para católicos, «A caderneta dos Santos» pretende assumir-se como "uma coleção cultural e histórica e por isso susceptível de ser feita por qualquer pessoa, de qualquer idade".
Num mundo que parece, por vezes, ignorar o dado religioso, Tiago Rodrigues quer mostrar que os "santos não são apenas modelos de vida para os crentes mas pessoas que marcaram a história do seu tempo de modo excecional através de atos concretos de caridade e amor".
A primeira edição conta com 73 santos. Ao Educris o autor considerou a tarefa de selação como "muito difícil porque há mais santos do que se imagina":
"Tivemos que fazer uma seleção difícil. Começámos pela Família de Jesus, os Primeiros Santos, os Santos Pastores, os Santos Fundadores... e depois identificaram-se os respetivos Santos de maior devoção em Portugal. Depois de alguma indecisão chegámos a 73 figuras, que não são todas figuras individuais de Santos, isto é, foram contemplados 61 Santos, 5 Anjos, 6 Imagens de Nossa Senhora e 1 mosaico de Nossa Senhora de Fátima, o que perfaz as 73 figuras".
Para além do "cromo" a «Caderneta dos Santos» acrescenta uma "nota biográfica" o que permite aos mais novos "rever repetidamente a mesma imagem e a sua história" e ir "despertando a atenção para a personagem ilustrada e para os feitos da sua vida".
Até hoje o projeto conseguiu vender "mais de 3 mil cadernetas e 15 mil saquetas [ndr: com 5 cromos cada] e está presente em "vários pontos de venda católicos e laicos como as livrarias Paulus, as livrarias Salesianos e a tabacaria do El Corte Inglés de Lisboa, bem como em alguns Colégios Católicos".
Educris|12.03.2019




segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Folhinha nº 653 de 18 de novembro a 1 dezembro de 2019

Folhinha Interparoquial nº 653 de 18 de novembro a 1 dezembro de 2019
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias










quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Semana de Oração pelos Seminários - 10 a 17 novembro 2019






Folhinha nº 652 de 11 a 17 novembro de 2019

Folhinha Interparoquial nº 652 de 11 a 17 novembro de 2019
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias







domingo, 10 de novembro de 2019

Nuno Cunha, Chefe de agrupamento eleito para o mandato 2019/2022

Realizaram-se ontem, 09 de novembro 2019 as eleições para o cargo de Chefe de Agrupamento do agrupamento nº 810 Divino Salvador de Nogueiró, do Corpo Nacional de Escutas.
Apenas um candidato concorreu a este acto, tendo obtido sete votos Sim, zero Não, zero brancos, zero nulos.
Nuno Cunha foi assim eleito para o cargo de Chefe de Agrupamento para o mandato 2019/2022.








Saudação Escutista, por C.A.P.

Carlos Alberto Pereira


Saudação Escutista

A tua saudação [escutista] mostra apenas que és pessoa honesta e que queres bem aos outros.
Baden-Powell, in, Escutismo para Rapazes, p.45.

Há dias ia conversando com um amigo pela zona pedonal quando, surgiu um amigo comum que a ambos cumprimentou e, depois de uma breve conversa de circunstância sobre o tempo e a saúde, seguiu, em passo apressado o seu destino. O meu amigo, um pouco a medo, perguntou-me porque me tinha o Pedro cumprimentado com a mão esquerda.
A resposta foi fácil e pronta - é que o Pedro, tal como eu somos escuteiros e esta é a nossa forma de cumprimentar, entre nós. Contudo fiquei com a sensação que faltava uma explicação para esta especificidade própria do escutismo que, depois de partilha do momento, agora reproduzo com os estimados leitores.
Normalmente, quando não estamos uniformizados, como aconteceu na situação que deu origem à questão, os escuteiros cumprimentam-se com a mão esquerda, cruzando entre si o dedo mínimo. Este ato contém, em si mesmo, um significado muito forte do escutismo: “que os escuteiros são irmãos de todos os outros escuteiros” e que todos integram “a fraternidade mundial do escutismo”, é, portanto, um ato de assunção pública estes valores escutistas.
O facto de se utilizar a mão esquerda é para marcar ainda mais a presença da “Amizade”, pois é feita com a mão que está mais próxima do coração, que simbolicamente representa a fonte do Amor. A mão direita, ao ficar livre permite-nos, no processo simbólico, estar preparados para defender e ajudar o outro. Diz-se que Baden-Powell colheu esta ideia, numa tribo, na sua campanha militar na África do Sul.
Quando estamos uniformizados este cumprimento é completado com uma saudação, quando não temos a cabeça coberta, com chapéu, boina ou boné, com a mão direita que se eleva à altura do ombro, ficando os dedos indicador, médio e anelar juntos e em extensão, e o polegar fletido sobre o mínimo (mindinho ou mendinho). Também aqui há uma carga simbólica para esta coreografia dos dedos da mão direita, os três dedos, juntos e em extensão recordam-nos, por um lado, os três artigos da Promessa Escutista:
«Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
• cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
• auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
• obedecer à Lei do Escuta.»
E, por outro lado, simbolizam os três Princípios do CNE:
«1º. O Escuta orgulha-se da sua Fé e por ela orienta toda a sua vida.
2º. O Escuta é filho de Portugal e bom cidadão.
3º. O dever do Escuta começa em casa.»
Finalmente, a posição dos outros dois dedos, o mínimo e o polegar, onde o polegar se sobrepõe ao mínimo, parecendo segurá-lo, é a metáfora de “o mais forte ajuda o mais fraco” ou ainda a lembrança da “Boa Ação” quotidiana.
Os Lobitos (crianças dos 6 aos 10 anos) saúdam da mesma forma, mas estendendo apenas os dedos indicador e médio, os quais ficam afastados formando um “V”; os restantes dedos ficam fletidos, o polegar sobre os outros dois. Os dedos em “V” simbolizam as orelhas do lobo que escuta, que está atento e que vê, desta forma, para além do que a vista alcança. Esta atenção é vital para o seu percurso educativo e para a sua aprendizagem, isto é a sua autoformação enquanto cidadão, ainda que de tenra idade.
A Saudação Escutista, ajuda crianças e jovens que entram para o Escutismo, a assumir as suas diferenças e o seus valores, sem medos, mas com a convicção de que não estão sós e que, uns com os outros, vão trilhando caminhos que os levam à construção de uma personalidade forte, nas convicções e nos valores, sempre em caminhos de serviço aos outros, numa relação com ele próprio, com os outros, com a natureza e com Deus, numa construção gradativa do cidadão do amanhã.

Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 9 novembro 2019 no jornal diário "Correio do Minho"

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Beata Ana Maria Javouhey - Fundadora da Congregação de S. José de Cluny

Beata Ana Maria Javouhey

Fundadora da Congregação de S. José de Cluny

Ana Maria conta a sua história
Tinha eu 10 anos quando a Revolução francesa rebentou no meu País. Com essa idade, para espanto de meu pai, que via em mim apenas uma criança travessa, alegre, cheia de fantasia e amiga da brincadeira, fiz a minha primeira Comunhão. Desde esse dia, considerei-me consagrada a Deus e às Suas obras.

Nascera a 10 de Novembro de 1779 em Jallanges – Cõte d’Or -, numa família de camponeses abastados e de costumes cristãos solidamente enraizados. Os meus pais baptizaram-me no dia seguinte, na Igreja de Seurre, sob a protecção de S. Martinho.
Mais tarde fui viver para Chamblanc, na região de Dijon.
A minha adolescência foi vivida com os ventos fortes da Revolução. O Estado Republicano intrometia-se a governar a Igreja: os Padres eram perseguidos, as igrejas saqueadas. Havia espiões por toda a parte. Vivia-se um clima de terror... e que fazer? Não podia ceder ao medo. A Fé não podia morrer… Dava catequese às crianças da paróquia, escondia em casa dos meus pais os padres perseguidos pelo poder político e, de lanterna na mão, pela noite dentro, conduzia os padres à cabeceira dos doentes e moribundos. Corria a toda a pressa até à igreja, a fim de salvar os paramentos e os vasos sagrados das igrejas em chama.
As minhas proezas e a exuberância do meu temperamento deram que falar na aldeia e os elogios despertaram em mim o gosto de agradar, de me adornar, de viver os meus romances, de ter o meu namorado, o Pedro… Mas eis que ressurge o despertar da minha vocação!

O Padre Ballanche, alojado clandestinamente e vestido de qualquer maneira, saía à noite para visitar algumas famílias da paróquia, sem nunca saber se bateria ou não a boa porta!… Em nossa casa nunca nos cansávamos de o ouvir. Ao escutá-lo, sentia que estava pronta para tudo. Seria capaz de transformar a casa paterna em capela de socorro… Iria bater a todas as portas da aldeia, se necessário fosse... Embora o meu pai, enquanto administrador municipal, me dissesse continuamente:

- “Não quero histórias com autoridades. Percebeste, Nanette?”

Os actos de culto recomeçaram em Chamblanc. Nos dias e horas combinados, acompanhava o P. Ballanche à Igreja improvisada, onde tudo estava preparado para a missa: as janelas tapadas com os cortinados das camas, a mesa coberta com um lençol, as hóstias feitas no forno da casa... E todo o povo reunido e bem escondido para a celebração.
Quando avistava um grupo de espiões que se dirigiam para inspeccionar a casa, inventava histórias e artimanhas, oferecendo uma bebida fresca aos perseguidores, a fim de os reter, enquanto as pessoas se dispersavam.

Com tudo isto, algo se passou em mim. Calaram-se os encantos fúteis da minha adolescência. Havia uma convicção que falava mais alto: o Evangelho, o exemplo do Padre Ballanche e a sua coragem em arriscar a vida pela Igreja de Jesus.

O meu pai dizia que não me reconhecia, sobretudo quando tinha necessidade de me ausentar para fazer silêncio dentro de mim ou exprimia o desejo de ter um cantinho para rezar, mas que fosse só meu. Sem perceber, mas pelo muito amor que me tinha, o meu pai construiu-me um pequeno oratório com um altar de pedra e uma estátua de Santa Ana.
As minhas irmãs acompanhavam-me neste apelo irresistível de ouvir e seguir Deus, por isso o pai começava a perceber que tinha “perdido as filhas".

Sentia que não havia tempo a perder. Deus fazia-se ouvir…
Pegava no tambor do meu pai e percorria as ruas da aldeia a chamar as crianças e os jovens para a catequese. Toda a juventude de Chamblanc corria atrás do meu porta-bandeira. Como não queria expor o meu pai com a minha atitude, resolvi colocar, à entrada da granja, um crucifixo de chumbo e uma pia de água benta. Os fardos de palha funcionavam como bancos e aí dava as aulas de catequese. Sentia-me na minha vocação. Era a minha paixão, mas também o meu tormento, sobretudo quando o meu pai me imaginava a tomar conta dos criados na quinta. Não queria enganar os meus pais ou desobedecer-lhes... mas não conseguia resistir a Deus.

Que felicidade a minha, quando as igrejas foram abertas ao culto e eu pude apresentar ao Padre Ballanche um bom grupo de catecúmenos. Sentia-me escolhida por Deus para uma missão bem precisa.
O meu desafio estava lançado, mesmo que o meu pai se alarmasse com o bisbilhotar das pessoas da aldeia: “a filha do nosso presidente descarrila”. Vi que não podia guardar por mais tempo o segredo. O pai precisava de saber que já estava consagrada a Deus no íntimo da minha alma.
Como sabia que o pai não aguentaria o embate desta verdade, resolvi comunicar com ele através de cartas, fazendo da minha irmã Claudina, de 8 anos, o meu mais fiel carteiro. Ainda recordo algumas frases de uma carta que me soube a um documento:
“Meu querido pai, todas as suas recusas não me fazem desanimar. Creio que seria preciso arrancarem-me o coração para me tirarem o desejo da vida religiosa. Reconheço que é um grande sacrifício que vai fazer, mas creia que não será menor para mim. Evite o desgosto que um dia poderia ter de não permitir aos seus filhos de seguirem a sua vocação. Prometi a Deus dedicar-me inteiramente ao serviço dos doentes e à instrução das crianças. O dia de S. Martinho foi o que escolhi para esse acto. Queria ouvir de meu pai: “Minha filha, faz o que o Senhor te inspira”.
Com muita dor, o meu pai, apoiado pela mãe, foi-se conformando. Assim, na noite do 11 de Novembro de 1798, em casa do meu irmão Estêvão, na presença de toda a família, o Padre Ballanche celebrou a Missa e, na frescura dos meus 19 anos, pronunciei o acto de consagração dizendo a Deus que Lhe pertencia sem reservas.

Mas, no concreto, o que queria Deus de mim? Sempre à procura da Vontade de Deus, fiz uma experiência nas Irmãs da Caridade, em Besançon. Preparava-me para receber o hábito e, de repente, senti-me mergulhada num abismo de tristeza. Foi aí que tive uma visão premonitória: ao despertar, julguei ver à minha volta crianças de cor, trazendo aos ombros pás e enxadas e outros utensílios agrícolas. Ao mesmo tempo, pareceu-me ouvir uma voz: “estes são os filhos que Deus te dá. Eu sou Santa Teresa, a protectora da tua Ordem”.
Eu nunca tinha ouvido falar de pretos, de crianças de cor…
Regressei a Chamblanc, para decepção de meus pais, com a certeza interior que era chamada por Deus a fundar uma Ordem Religiosa. Quando? Como? Era o segredo de Deus. O Padre Ballanche aconselhou-me entretanto a instalar-me fora da minha terra para não perturbar mais o meu pai.
Recorri a Dom de Lestrange, abade da Trapa em Val-Sainte na Suiça, homem espiritual com o dom do discernimento e muito admirado pelo meu pai. Era pessoa de grande influência e prestígio; o único religioso que Napoleão consentia receber e ouvir. Este monge foi a Chamblanc e convenceu o meu pai a instalar-me em Seurre. Aí, acolhia e ensinava crianças pobres. Mais tarde, fui instalar-me em Dôle, numa escola, com as minhas duas irmãs.
Com o coração angustiado, dei mais um passo à procura da Sua Vontade sobre mim e dali parti para a Trapa em Riedra, na Suiça. No mesmo dia o “humor de Deus” chamou Pedro a ser monge trapista.

Preparei-me para tomar o hábito nas Irmãs da Trapa, com o nome de Ir. Faustina. E, mais uma vez, senti que não era ali. Era chamada a fundar uma Congregação com a confirmação do director espiritual. Decidida, regressei a Chamblanc, com toda a riqueza da experiência da Trapa e o apoio de Dom de Lestrange.
Parti para Souvans, perto de Dôle e aí abri uma escola que acolhia órfãos. Os dias eram difíceis e as reservas chegavam ao fim; não tinha nada para dar de comer às crianças. Muito perturbada, corri para a igreja e bati à porta deste sacrário a pedir socorro.
As crianças estavam a rezar quando se ouviu uma voz lá fora: “Menina Javouhey, estão a perguntar por si”. Saí e no limiar da porta fiquei sem fala: era o meu pai e o meu irmão Estêvão que chegavam com uma carroça cheia de provisões. Lancei-me nos braços de meu pai que me diz: ”Pois é, Nanette, nesta noite não consegui pregar olho. Vi-te infeliz.” Deus estava comigo!
As provações continuavam e Dom de Lestrange enviou-me para Choisey que oferecia mais possibilidades. Entretanto o pai Javouhey cansava-se de tantas experiências. Foi a Choisey e trouxe as suas três filhas para casa, assim como as nossas colaboradoras e as crianças, cedendo-nos metade da casa para as nossas “fantasias”. Tínhamos o "Convento de Baltazar" e a partir daí, começava a ansiar pela aprovação da nossa pequena comunidade.
Corriam rumores de que o Papa Pio VII faria uma paragem em Châlon-sur- Saône, na sua viagem a Paris, para a sagração do Imperador Napoleão. Então fui a Châlon com as minhas Irmãs e obtivemos uma audiência e a bênção do Papa, que me disse: “Coragem, minha filha, Deus realizará, por teu intermédio, muitas coisas para a Sua glória”.
Com este acontecimento, começam a chegar a Chamblanc algumas jovens de Châlon que queriam ver como funcionava a nossa pequena comunidade. De regresso, disseram ao pároco que não havia condições para se viver em Chamblanc e depressa nos pediu, com a autorização do Bispo, para irmos para a sua paróquia de Châlon, a fim de nos ocuparmos das crianças.
A comunidade de S. José foi inaugurada a 20 de Agosto de 1806, dia de S. Bernardo, patrono da Trapa. Desejei escolher este santo como patrono mas o Padre de Châlon disse-me que Santa Teresa escolhia S. José para patrono das suas comunidades. Então, a partir daqui, começámos a ser conhecidas como Filhas de S. José.
E a 12 de Maio de 1807 nascia a Congregação com a tomada de hábito das quatro filhas Javouhey e ainda cinco jovens que assumiram o mesmo compromisso, consagrando-se a Deus na Igreja de Châlon-sur-Saône.
Em 1821, estabeleçi em Cluny a Casa-Mãe do Instituto, que se chamará para sempre “S. José de Cluny”. E ano após ano Deus foi abençoando a sua obra com vocações e novos campos de missão.

(informação retirada do site Cluny Portugal)



ORAÇÃO

Ó Bem-aventurada Ana Maria Javouhey, cujo coração pulsou unicamente por Deus e pelas almas, ensinai-nos a amar como vós, a rezar como vós, a sofrer e a perdoar como vós, a darmo-nos como vós. Obtende-nos um coração como o vosso apaixonado pela Vontade de Deus, crendo no Seu Amor através de tudo, um coração forte e bom, ardente e puro, leal e fiel, humilde e confiante, um coração pronto para todos os sacrifícios, um coração semelhante aos corações de Jesus, Maria e José.

Datas importantes

1779
10 de Novembro, nascimento de Ana Maria Javouhey numa aldeia da Borgonha, em França
1798
11 de Novembro, consagra-se a Deus durante uma missa clandestina
1807
Fundação da Congregação em Chalon-sur Saône
1812
Aquisição da casa de Cluny; a Congregação toma o nome de S. José de Cluny.
1817
Partida das Irmãs para a Ilha de Bourbon (Reunião) e, mais tarde para o Senegal, Antilhas francesas e inglesas, S. Pedro e Miquelão, Índia, Oceânia, Madagáscar…
1822
A fundadora parte por dois anos para África: Senegal, Gâmbia e Serra Leoa
1828
Vai para a Guiana, Maná, até 1833.
1835
Segunda estadia da madre Javouhey na Guiana onde o governo lhe confia a preparação de centenas de escravos para a libertação
1840
19 de Setembro: em Paris são ordenados os três primeiros padres senegaleses formados pelos cuidados da Madre Javouhey
1843
A Madre Javouhey regressa a França em Agosto, depois da libertação de todos os escravos de Maná
1849
Aquisição da casa que passa a ser a Casa Mãe, no bairro de Saint Jacques, em Paris.
1851
15 de Julho: Morte de Ana Maria Javouhey em Paris. Deixa mais de 1000 Irmãs que formam 140 comunidades nas cinco partes do mundo
1950
Beatificação de Ana Maria Javouhey em Roma, pelo Papa Pio XII.
2004
Lançada em 2004 como parte do “Ano Internacional de Comemoração da Luta contra a Escravatura e a sua Abolição”, Chamblanc, Seurre e Jalanges (os lugares da infância de Ana Maria Javouhey) foram incluídos no projeto internacional da “ Rota do Escravo” pela Unesco.
2011
Os descendentes dos 185 escravos libertos por Ana Maria Javouhey em 1838, vieram seguir os passos da sua « ché Mé » para plantar a floresta da memória em três locais: Jallanges, sua aldeia natal, Seurre onde foi batizada e Chamblanc, aldeia da sua infância.


sábado, 2 de novembro de 2019

Folhinha nº 651 de 4 a 10 novembro de 2019

Folhinha Interparoquial nº 651 de 4 a 10 novembro de 2019
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias










Um dia com a Zona Este

No passado domingo dia 27 outubro 2019 o agrupamento esteve representado, pela Chefe de Agrupamento, no dia do Idoso, organizado pela Junta de Freguesia de Nogueiró e Tenões. O Agrupamento esteve também presente na actividade "Um dia com a Zona este" organizada pelos agrupamentos que compõem a zona Este do Núcleo de Braga. Estiveram presentes além dos escuteiros de Nogueiró, os agrupamentos de Gualtar, Lamaçães e Pedralva.
Da actividade consistiu a concentração no fundo dos escadórios pelas 9:00h, seguiu-se a oração e um jogo de observação pelos escadórios até ao Santuário do Bom Jesus, seguiu-se a Eucaristia e de seguida o Jogo de conhecimento da Zona Este. Após o almoço seguiu-se a apresentação das paróquias, dando a conhecer aos presentes um pouco da sua história. Seguiu-se o jogo que cada agrupamento trouxe para partilhar e jogar com os restantes agrupamentos. a actividade terminou pelas 14:30h.



















segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Folhinha nº 650 de 28 outubro a 3 novembro de 2019

Folhinha Interparoquial nº 650 de 28 outubro a 3 novembro de 2019
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias







quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A Boa Ação na Vida de um Escuteiro, por C.A.P.






A Boa Ação na Vida de um Escuteiro

O escuteiro obriga-se a praticar diariamente uma Boa Ação, pelo menos.
Baden-Powell, in, Escutismo para Rapazes, p.32.

O fundador mundial do escutismo foi beber este desígnio da boa ação diária ao código da cavalaria, ao qual deu sempre uma grande importância, de tal forma, que o consagrou no código de honra dos escuteiros: a Lei do Escuta, onde podemos ler no terceiro de dez artigos: “O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa ação”.
Na formulação deste artigo, Baden-Powell, teve o cuidado de juntar o “ser útil” à boa ação, objetivando e caracterizando esta com o sentido da utilidade e teve a delicadeza, leia-se, o bom senso, de não quantificar nem a utilidade, nem a dimensão da boa ação.
É certo que a situação caricata, a que muitas vezes se recorre para, de forma irónica, caraterizar a boa ação de um escuteiro que ajuda uma velhinha a atravessar a rua, quando esta não desejava fazê-lo, ilustra bem que a boa ação para com os outros tem de ser útil a que a recebe, e não a quem a pratica.
Na página 33 do Escutismo para Rapazes, B.-P. afirma: “A boa ação pode ser coisa pequena. Será uma boa ação, mesmo que não seja senão lançar uma moeda numa caixa de esmolas, ou ajudar um velhinho a atravessar a rua, ou a ceder a outrem o lugar num banco, (...) ou a apanhar uma casca de banana do passeio. Mas é preciso fazer uma por dia, e só conta quando se não recebe por ela qualquer recompensa”. O fundador junta também, à boa ação, o conceito de gratuitidade, sinal de “bondade” e “gentileza”, poderíamos evocar o ditado popular “faz o bem, não olhes a quem” para dar uma dimensão de altruísmo à boa ação, para lhe reconhecermos a importância e o impacto na vida dos outros e na vida de quem a pratica.
Madre Teresa da Calcutá lembra-nos “nós sentimos que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas o oceano será menor por causa dessa gota que falta” ou ainda, “o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”, antes de mais, notar a coincidência de pensamento em duas grandes personagens do nosso tempo. Depois, cruzar ambos no contexto de educação não formal, segundo o método escutista, onde cada criança ou jovem é o protagonista da sua própria educação e onde o serviço ao próximo assume um grande relevo, o papel da boa ação, assim caraterizado, permite, que, sendo a boa ação realizada com Amor, crie autossatisfação, na criança ou no jovem, que sustenta a vontade de fazer mais e melhor. Permite que, gradativamente, possa evoluir no grau de grandeza e de complexidade, marcando, positivamente, a personalidade ou caráter de cada um, promovendo uma verdadeira educação com e para valores.
Baden-Powell também alarga a boa ação ao âmbito coletivo, do pequeno grupo (Bando, Patrulha, Equipa e Tribo) ao nível nacional e internacional. Naturalmente que estas experiências dão à criança e ao jovem uma dimensão de comunidade onde todos, graças à vivência da boa ação, participam no bem-estar comum, por vezes de comunidades que não conhecemos e que talvez nunca chegaremos a visitar, mas o importantes é ter consciência que, cada um, está a contribuir para que o outro seja beneficiário da nossa ação e do nosso empenho.
No fundo, a boa ação, individual ou coletiva, permite que cada escuteiro (ou cidadão) se sinta como sujeito ativo na missão “criando de um mundo melhor” que a 35ª Conferência Mundial do Escutismo, reunida em Durban, África do Sul, em 1999, adotou e incorporou na marca do Escutismo Mundial.
Finalmente, poderíamos dizer que, com a prática da Boa Ação, os escuteiros, de todo o mundo, estão a seguir o conselho que Baden-Powell deixo na “Última Mensagem do Chefe”, texto também conhecido como sendo o “Testamento Espiritual do Chefe”, onde o podemos escutar: “Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste”.



Carlos Alberto Lopes Pereira - publicado a 25 out 2019 no jornal diário "Correio do Minho"

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Precisamos de si - Orçamento Participativo Braga /PROJ0023






Podem participar no Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Braga todos os cidadãos com idade igual ou superior a 16 anos recenseados em Braga ou que, comprovadamente, residam, trabalhem ou estudem no concelho que se inscrevam no portal do Orçamento Participativo.


15 outubro a 15 novembro – Fase de Votação dos projetos




Conheça o Projecto

Projeto número:
OP20/PROJ0023
Área de intervenção:
ecologia, ambiente e energia
Título do projeto:
Espaço "Natureza em Ação" n' O Apeadeiro
Descrição sucinta do projeto:
A Educação Ambiental é um instrumento privilegiado e indispensável para alcançar o desenvolvimento da sociedade rumo à competitividade sustentável, pois contribui de forma decisiva para a construção de novos valores e atitudes/hábitos.

O projeto “Espaço ‘Natureza em ação’” ambiciona dotar este espaço físico de melhores condições (equipamentos/utensílios técnicos, vedações, rede elétrica, áreas de plantação, entre outras), para se tornar num espaço facilitador da educação ambiental, procurando através dele criar uma plataforma que sirva de suporte a um conjunto amplo e duradouro de ações e atividades, que visem a promoção e facilitação de uma educação ambiental.

Alguns dos objetivos do projeto são:
· Fomentar a cidadania ativa;
· Contribuir para uma maior educação/consciência ambiental e consequente redução da pegada ecológica;
· Facilitar o conhecimento à comunidade de várias formas de vida e da importância de um modo de vida equilibrado e respeitador do meio ambiente;
· Sensibilizar para a necessidade de reduzir a quantidade de lixo produzido;
· Implementar uma agenda de atividades aberta à comunidade;
· Criar um espaço de formação e educação não formal para jovens e adultos, privilegiando a componente prática de experimentação;
· Possibilitar aos visitantes uma experiência de contacto direto com algumas atividades agrícolas, no pomar e na horta, com possibilidade pernoita.
Todos somos importantes, todos podemos fazer a diferença na valorização da CASA COMUM.
Propostas que deram origem ao projeto:
OP20/PROP0025
Custo estimado:
85.000,00 €
Local da execução:
R. do Monte, 4705-050 Aveleda, Portugal (41.521502, -8.472906)
Freguesias abrangidas:
CELEIRÓS, AVELEDA E VIMIEIRO;