domingo, 13 de novembro de 2022

VI DIA MUNDIAL DOS POBRES

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO

PARA O VI DIA MUNDIAL DOS POBRES

(XXXIII Domingo do Tempo Comum – 13 de novembro de 2022)

Jesus Cristo fez-Se pobre por vós (cf. 2 Cor 8, 9)

 

1. «Jesus Cristo (…) fez-Se pobre por vós» (2 Cor 8, 9). Com estas palavras, o apóstolo Paulo dirige-se aos cristãos de Corinto para fundamentar o seu compromisso de solidariedade para com os irmãos necessitados. O Dia Mundial dos Pobres torna este ano como uma sadia provocação para nos ajudar a refletir sobre o nosso estilo de vida e as inúmeras pobrezas da hora atual.

Há alguns meses, o mundo estava a sair da tempestade da pandemia, mostrando sinais de recuperação económica que se esperava voltasse a trazer alívio a milhões de pessoas empobrecidas pela perda do emprego. Abria-se uma nesga de céu sereno que, sem esquecer a tristeza pela perda dos próprios entes queridos, prometia ser possível tornar finalmente às relações interpessoais diretas, encontrar-se sem embargos nem restrições. Mas eis que uma nova catástrofe assomou ao horizonte, destinada a impor ao mundo um cenário diferente.

A guerra na Ucrânia veio juntar-se às guerras regionais que, nestes anos, têm produzido morte e destruição. Aqui, porém, o quadro apresenta-se mais complexo devido à intervenção direta duma «superpotência», que pretende impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos. Vemos repetir-se cenas de trágica memória e, mais uma vez, as ameaças recíprocas de alguns poderosos abafam a voz da humanidade que implora paz.

2. Quantos pobres gera a insensatez da guerra! Para onde quer que voltemos o olhar, constata-se como os mais atingidos pela violência sejam as pessoas indefesas e frágeis. Deportação de milhares de pessoas, sobretudo meninos e meninas, para os desenraizar e impor-lhes outra identidade. Voltam a ser atuais as palavras do Salmista perante a destruição de Jerusalém e o exílio dos judeus: «Junto aos rios da Babilónia nos sentamos a chorar, / recordando-nos de Sião. / Nos salgueiros das suas margens / penduramos as nossas harpas. / Os que nos levaram para ali cativos / pediam-nos um cântico; / e os nossos opressores, uma canção de alegria / (...). Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor, / estando numa terra estranha?» (Sal 137, 1-4).

Milhões de mulheres, crianças e idosos veem-se constrangidos a desafiar o perigo das bombas para pôr a vida a salvo, procurando abrigo como refugiados em países vizinhos. Entretanto, aqueles que permanecem nas zonas de conflito têm de conviver diariamente com o medo e a carência de comida, água, cuidados médicos e sobretudo com a falta de afeto familiar. Nestes momentos, a razão fica obscurecida e quem sofre as consequências é uma multidão de gente simples, que vem juntar-se ao número já elevado de pobres. Como dar uma resposta adequada que leve alívio e paz a tantas pessoas, deixadas à mercê da incerteza e da precariedade?

3. Neste contexto tão desfavorável, situa-se o VI Dia Mundial dos Pobres, com o convite – tomado do apóstolo Paulo – a manter o olhar fixo em Jesus, que, «sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). Na sua visita a Jerusalém, Paulo encontrara Pedro, Tiago e João, que lhe tinham pedido para não esquecer os pobres. De facto, a comunidade de Jerusalém debatia-se com sérias dificuldades devido à carestia que assolara o país. O Apóstolo preocupou-se imediatamente em organizar uma grande coleta a favor daqueles pobres. Os cristãos de Corinto mostraram-se muito sensíveis e disponíveis. Por indicação de Paulo, em cada primeiro dia da semana recolhiam quanto haviam conseguido poupar e todos foram muito generosos.

Como se o tempo tivesse parado naquele momento, também nós, cada domingo, durante a celebração da Santa Missa, cumprimos o mesmo gesto, colocando em comum as nossas ofertas para que a comunidade possa prover às necessidades dos mais pobres. É um sinal que os cristãos sempre cumpriram com alegria e sentido de responsabilidade, para que a nenhum irmão e irmã faltasse o necessário. Já o testemunhava no século II São Justino que, ao descrever ao imperador Antonino Pio a celebração dominical dos cristãos, escrevia: «No dia do Sol, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades quer dos campos, e leem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos ora os escritos dos Profetas. (…) Seguidamente, a cada um dos presentes se distribui e faz participante dos dons sobre os quais foi pronunciada a ação de graças, e dos mesmos se envia aos ausentes por meio dos diáconos. Os que possuem bens em abundância dão livremente o que lhes parece bem, e o que se recolhe põe-se à disposição daquele que preside. Este socorre os órfãos e viúvas e os que, por motivo de doença ou qualquer outra razão, se encontram em necessidade, assim como os encarcerados e hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele toma sobre si o encargo de todos os necessitados» (Primeira Apologia, LXVII, 1-6).

4. Voltando à comunidade de Corinto, sucedeu que, depois do entusiasmo inicial, começou a esmorecer o empenho, e a iniciativa proposta pelo Apóstolo perdeu impulso. Este é o motivo que leva Paulo a escrever com grande paixão, relançando a coleta, «para que, como fostes prontos no querer, também o sejais no executar, conforme as vossas possibilidades» (2 Cor 8, 11).

Neste momento, penso na disponibilidade que, nos últimos anos, moveu populações inteiras para abrir as portas a fim de acolher milhões de refugiados das guerras no Médio Oriente, na África Central e, agora, na Ucrânia. As famílias abriram as suas casas para deixar entrar outras famílias, e as comunidades acolheram generosamente muitas mulheres e crianças para lhes proporcionar a devida dignidade. Mas quanto mais se alonga o conflito, tanto mais se agravam as suas consequências. Os povos que acolhem têm cada vez mais dificuldade em dar continuidade à ajuda; as famílias e as comunidades começam a sentir o peso duma situação que vai além da emergência. Este é o momento de não ceder, mas de renovar a motivação inicial. O que começamos precisa de ser levado a cabo com a mesma responsabilidade.

5. Com efeito, a solidariedade é precisamente partilhar o pouco que temos com quantos nada têm, para que ninguém sofra. Quanto mais cresce o sentido de comunidade e comunhão como estilo de vida, tanto mais se desenvolve a solidariedade. Aliás, deve-se considerar que há países onde, nas últimas décadas, se verificou um significativo crescimento do bem-estar de muitas famílias, que alcançaram um estado de vida seguro. Trata-se dum resultado positivo da iniciativa privada e de leis que sustentaram o crescimento económico, aliado a um incentivo concreto às políticas familiares e à responsabilidade social. Possa este património de segurança e estabilidade alcançado ser agora partilhado com quantos foram obrigados a deixar as suas casas e o seu país para se salvarem e sobreviverem. Como membros da sociedade civil, mantenhamos vivo o apelo aos valores da liberdade, responsabilidade, fraternidade e solidariedade; e, como cristãos, encontremos sempre na caridade, na fé e na esperança o fundamento do nosso ser e da nossa atividade.

6. É interessante notar que o Apóstolo não quer obrigar os cristãos, forçando-os a uma obra de caridade; de facto, escreve: «Não o digo como quem manda». O que ele pretende é «pôr à prova a sinceridade do amor» demonstrado pelos Coríntios na atenção e solicitude pelos pobres (cf. 2 Cor 8, 8). Na base do pedido de Paulo, está certamente a necessidade de ajuda concreta, mas a sua intenção vai mais longe. Convida a realizar a coleta, para que seja sinal do amor testemunhado pelo próprio Jesus. Enfim, a generosidade para com os pobres encontra a sua motivação mais forte na opção do Filho de Deus que quis fazer-Se pobre.

Na realidade, o Apóstolo não hesita em afirmar que esta opção de Cristo, este seu «despojamento», é uma «graça» – aliás, é «a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 8, 9) – e só acolhendo-a é que podemos dar expressão concreta e coerente à nossa fé. O ensinamento de todo o Novo Testamento revela a propósito uma especial unanimidade, como se verifica nesta passagem da Carta do apóstolo Tiago sobre a Palavra que foi semeada nos crentes: «Tendes de a pôr em prática e não apena ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos. Porque, quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era. Aquele, porém, que medita com atenção a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera – não com quem a ouve e logo se esquece, mas como quem a cumpre – esse encontrará a felicidade ao pô-la em prática» (1, 22-25).

7. No caso dos pobres, não servem retóricas, mas arregaçar as mangas e pôr em prática a fé através dum envolvimento direto, que não pode ser delegado a ninguém. Às vezes, porém, pode sobrevir uma forma de relaxamento que leva a assumir comportamentos incoerentes, como no caso da indiferença em relação aos pobres. Além disso acontece que alguns cristãos, devido a um apego excessivo ao dinheiro, fiquem empantanados num mau uso dos bens e do património. São situações que manifestam uma fé frágil e uma esperança fraca e míope.

Sabemos que o problema não está no dinheiro em si, pois faz parte da vida diária das pessoas e das relações sociais. Devemos refletir, sim, sobre o valor que o dinheiro tem para nós: não pode tornar-se um absoluto, como se fosse o objetivo principal. Um tal apego impede de ver, com realismo, a vida de todos os dias e ofusca o olhar, impedindo de reconhecer as necessidades dos outros. Nada de mais nocivo poderia acontecer a um cristão e a uma comunidade do que ser ofuscados pelo ídolo da riqueza, que acaba por acorrentar a uma visão efémera e falhada da vida.

Entretanto não se trata de ter um comportamento assistencialista com os pobres, como muitas vezes acontece; naturalmente é necessário empenhar-se para que a ninguém falte o necessário. Não é o ativismo que salva, mas a atenção sincera e generosa que me permite aproximar dum pobre como de um irmão que me estende a mão para que acorde do torpor em que caí. Por isso, «ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências. Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais. (…) Ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 201). Urge encontrar estradas novas que possam ir além da configuração daquelas políticas sociais «concebidas como uma política para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres e muito menos inserida num projeto que reúna os povos» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 169). Em vez disso, é preciso tender para assumir a atitude do Apóstolo, que podia escrever aos Coríntios: «Não se trata de, ao aliviar os outros, vos fazer entrar em apuros, mas sim de que haja igualdade» (2 Cor 8, 13).

8. Estamos diante dum paradoxo, que, hoje como no passado, é difícil de aceitar, porque embate na lógica humana: há uma pobreza que nos torna ricos. Recordando a «graça» de Jesus Cristo, Paulo quer confirmar o que o próprio Senhor pregou, ou seja, que a verdadeira riqueza não consiste em acumular «tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar» (Mt 6, 19), mas, antes, no amor recíproco que nos faz carregar os fardos uns dos outros, para que ninguém seja abandonado ou excluído. A experiência de fragilidade e limitação, que vivemos nestes últimos anos e, agora, a tragédia duma guerra com repercussões globais, devem ensinar-nos decididamente uma coisa: não estamos no mundo para sobreviver, mas para que, a todos, seja consentida uma vida digna e feliz. A mensagem de Jesus mostra-nos o caminho e faz-nos descobrir a existência duma pobreza que humilha e mata, e há outra pobreza – a d’Ele – que liberta e nos dá serenidade.

A pobreza que mata é a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da iníqua distribuição dos recursos. É a pobreza desesperada, sem futuro, porque é imposta pela cultura do descarte que não oferece perspetivas nem vias de saída. É a miséria que, enquanto constringe à condição de extrema indigência, afeta também a dimensão espiritual, que, apesar de muitas vezes ser transcurada, não é por isso que deixa de existir ou de contar. Quando a única lei passa a ser o cálculo do lucro no fim do dia, então deixa de haver qualquer freio na adoção da lógica da exploração das pessoas: os outros não passam de meios. Deixa de haver salário justo, horário justo de trabalho e criam-se novas formas de escravidão, suportada por pessoas que, sem alternativa, devem aceitar este veneno de injustiça a fim de ganhar o mínimo para comer.

Ao contrário, pobreza libertadora é aquela que se nos apresenta como uma opção responsável para alijar da estiva quanto há de supérfluo e apostar no essencial. De facto, pode-se individuar facilmente o sentido de insatisfação que muitos experimentam, porque sentem que lhes falta algo de importante e andam à sua procura como extraviados sem rumo. Desejosos de encontrar o que os possa saciar, precisam de ser encaminhados para os humildes, os frágeis, os pobres para compreenderem finalmente aquilo de que tinham verdadeiramente necessidade. Encontrar os pobres permite acabar com tantas ansiedades e medos inconsistentes, para atracar àquilo que verdadeiramente importa na vida e que ninguém nos pode roubar: o amor verdadeiro e gratuito. Na realidade, os pobres, antes de ser objeto da nossa esmola, são sujeitos que ajudam a libertar-nos das armadilhas da inquietação e da superficialidade.

Um padre e doutor da Igreja, São João Crisóstomo, em cujos escritos se encontram fortes denúncias contra o comportamento dos cristãos para com os mais pobres, escrevia: «Se não consegues acreditar que a pobreza te faça tornar rico, pensa no teu Senhor e deixa de duvidar quanto a isso. Se Ele não tivesse sido pobre, tu não serias rico; trata-se de algo extraordinário: que da pobreza tenha derivado riqueza abundante. Aqui Paulo entende por “riquezas” o conhecimento da piedade, a purificação dos pecados, a justiça, a santificação e milhares doutras coisas boas que nos foram dadas agora e para sempre. Tudo isto, o temos graças à pobreza» (Homilias sobre a II Carta aos Coríntios, 17, 1).

9. O texto do Apóstolo a que se refere este VI Dia Mundial dos Pobres apresenta o grande paradoxo da vida de fé: a pobreza de Cristo torna-nos ricos. Se Paulo pôde comunicar este ensinamento – e a Igreja difundi-lo e testemunhá-lo ao longo dos séculos – é porque Deus, em seu Filho Jesus, escolheu e seguiu esta estrada. Se Ele Se fez pobre por nós, então a nossa própria vida ilumina-se e transforma-se, adquirindo um valor que o mundo não conhece nem pode dar. A riqueza de Jesus é o seu amor, que não se fecha a ninguém mas vai ao encontro de todos, sobretudo de quantos estão marginalizados e desprovidos do necessário. Por amor, despojou-Se a Si mesmo e assumiu a condição humana. Por amor, fez-Se servo obediente, até à morte e morte de cruz (cf. Flp 2, 6-8). Por amor, fez-Se «pão de vida» (Jo 6, 35), para que a ninguém falte o necessário, e possa encontrar o alimento que nutre para a vida eterna.Também em nossos dias parece difícil, como foi então para os discípulos do Senhor, aceitar este ensinamento (cf. Jo 6, 60); mas a palavra de Jesus é clara. Se quisermos que a vida vença a morte e que a dignidade seja resgatada da injustiça, o caminho a seguir é o d’Ele: é seguir a pobreza de Jesus Cristo, partilhando a vida por amor, repartindo o pão da própria existência com os irmãos e irmãs, a começar pelos últimos, por aqueles que carecem do necessário, para que se crie a igualdade, os pobres sejam libertos da miséria e os ricos da vaidade, ambos sem esperança.

10. No passado dia 15 de maio, canonizei o Irmão Carlos de Foucauld, um homem que, tendo nascido rico, renunciou a tudo para seguir Jesus e com Ele tornar-se pobre e irmão de todos. A sua vida eremita, primeiro em Nazaré e depois no deserto do Saara, feita de silêncio, oração e partilha, é um testemunho exemplar da pobreza cristã. Ajudar-nos-á a meditação destas suas palavras: «Não desprezemos os pobres, os humildes, os operários; são não só nossos irmãos em Deus, mas também os que mais perfeitamente imitam a Jesus na sua vida exterior. Eles apresentam-nos perfeitamente Jesus, o Operário de Nazaré. São primogénitos entre os eleitos, os primeiros chamados ao berço do Salvador. Foram a companhia habitual de Jesus, desde o seu nascimento até à sua morte (…). Honremo-los, honremos neles as imagens de Jesus e dos seus santos progenitores (…). Tomemos para nós [a condição] que Ele tomou para Si (…). Nunca deixemos de ser, em tudo, pobres, irmãos dos pobres, companheiros dos pobres; sejamos os mais pobres dos pobres, como Jesus, e como Ele amemos os pobres e rodeemo-nos deles» ( Comentário ao Evangelho de Lucas, Meditação 263) [1]. Para o Irmão Carlos, estas não eram apenas palavras, mas estilo concreto de vida, que o levou a partilhar com Jesus o dom da própria existência.

Oxalá este VI Dia Mundial dos Pobres se torne uma oportunidade de graça, para fazermos um exame de consciência pessoal e comunitário, interrogando-nos se a pobreza de Jesus Cristo é a nossa fiel companheira de vida.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Santo António, 13 de junho de 2022.

 

FRANCISCO

 


[1] Meditação n. 263, sobre Lc 2, 8-20: C.De Foucauld, A Bondade de Deus. Meditações sobre os santos Evangelhos, I, Nouvelle Cité – Montrouge 1996, 214-216.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Eleições Nacionais do CNE 2023

 Caros Dirigentes, Noviços a Dirigente e Caminheiros,

Considerando, a circular 10-MCN-2022 que fixa o dia 05 de março de 2023
das Eleições para a Junta Central e Conselho Fiscal e Jurisdicional Nacional,
do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, e a circular 01-CEN-2022 que determina o dia 25 de outubro de 2022 como a data de
abertura do processo eleitoral, reforça-se a informação de que os cadernos
eleitorais encontram-se disponíveis para consulta, e por um prazo de vinte dias,
no SIIE (através do acesso individual e/ou de Agrupamento) ou através da
seguinte aplicação de consulta, bastando para isso colocar o NIN (clicar em
ligação direta:https://cadeleitoral.escutismo.pt/CadEleitoral.dll/m).

Em caso de dificuldade na consulta dos cadernos eleitorais, poderão, os
interessados, solicitar ajuda junto das respetivas Juntas Regionais e de Núcleo
ou através de e-mail para cen@escutismo.pt indicando o nome completo, NIN,
Região, Cargo/ Função, nível em que está inscrito/ recenseado (nacional,
regional, de núcleo ou local).

Pela Comissão Eleitoral Nacional
O Presidente
Francisco Brado
(cen@escutismo.pt)




O Guia de Bando, Patrulha, Equipa ou Tribo

O Guia de Bando, Patrulha, Equipa ou Tribo"


por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 11 de novembro 2022 no jornal diário "Correio do Minho"


"O melhor progresso realiza-se naqueles Grupos em que o poder e a responsabilidade são efetivamente confiados aos Guias (...). Está nisto o segredo do êxito da Educação Escutista"
Baden-Powell, in Auxiliar do Chefe Escuta (p.40)

Esta citação do Fundador parece-me eficaz e demostrativa da importância que ele dava aos Guias, embora este livro só tenha sido publicado em 1919, e o livro fundador “Escutismo Para Rapazes” tenha iniciado a sua publicação em seis fascículos, em janeiro de 1908, e o primeiro Acampamento Escutista tenha sido realizado na ilha de Brownsea, no verão de 1907. Por isso Baden-Powell já tinha doze anos de observação sobre o desenvolvimento do seu Movimento, é, portando, uma afirmação com conhecimento de causa.

Nos dias de hoje, no Corpo Nacional de Escutas, temos quatro Secções, compostas por Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros, organizadas em pequenos grupos que tomam a designação de Bandos, Patrulhas, Equipas e Tribos, respetivamente e cada um destes pequenos grupos é liderado pelo Guia de Bando, de Patrulha, de Equipa e de Tribo.

Desde o princípio, que o Fundador definiu no livro “Escutismo Para Rapazes” que «Cada patrulha [recorde-se que em 1908 só havia a secção dos Exploradores e só havia escutismo masculino] escolhe um rapaz para Guia. Chama-se Guia de patrulha.

O chefe espera muito do Guia e dá-lhe carta branca para executar os trabalhos da patrulha. O Guia de patrulha escolhe outro rapaz para seu ajudante. Este chama-se sub-Guia. O Guia é responsável pela eficiência e aprumo da sua patrulha. Os escuteiros desta cumprem as suas ordens, não com receio de castigo, como muitas vezes acontece com a disciplina militar, mas porque constituem um todo que joga em conjunto e que apoia o seu Guia para honra e êxito da patrulha.

E o Guia de patrulha, ao instruir e dirigir a sua patrulha, está a alcançar experiência e prática para poder aceitar responsabilidades.
Depois, além de instruir a patrulha, o Guia tem de a dirigir, isto é, precisa de valer pelo menos tanto como qualquer escuteiro nas diferentes tarefas que eles têm de fazer. Não pode nunca mandar fazer qualquer coisa que ele próprio que ele próprio não faria e nunca deve censurar ninguém, mas despertar o entusiasmo e a ação voluntária de todos, animando-os alegremente nos seus esforços.

Em todos os misteres se precisa de jovens a quem se possam confiar responsabilidades e funções de mando. Por isso, o Guia que dirigiu a sua patrulha tem muita probabilidade de alcançar êxitos na vida, quando entrar no mundo da atividade. A maior parte das atividades da patrulha consta de jogos e de práticas pelas quais os escuteiros alcançam experiência.»

Alguns anos mais tarde no livro, “The Wolf Cub’s Handbook” (“Manual do Lobito”), haveria de aconselhar, sobre o papel do Guia de Bando: «Deve dar-se-lhes (aos Guias e Subguias de Bando) a responsabilidade real de dirigir e de ensinar, sob a supervisão direta do Chefe. Um Guia de Bando não é “um Guia de Patrulha mais novo” e não deve ser considerado capaz de tomar conta do seu Bando ou de o instruir.»

Baden-Powell apresenta-nos o Conselho de Guias como uma espécie de conselho de administração que gere a Unidade ou Secção assumindo as funções executivas, legislativas e de justiça, sendo sempre presidido por um deles, por eles escolhido, o adulto nunca poderá presidir ao conselho. Lá, os Guias assumem um duplo papel o de “administradores” do Grupo, mas também o de representarem as suas Patrulhas é uma aprendizagem da regra vital da democracia representativa: o exercício do poder que recebem dos seus pares que os elegem e a prestação de contas dessa ação.

Em toda a literatura escutista não deverá haver expressão mais bela e profunda que esta, cujo autor se esfumou no decurso dos anos: «O Conselho de Guias é responsável pela manutenção da Honra do Grupo». Com esta expressão percebemos ainda melhor a importância dos Guias, investidos na função de “guardiões da Honra do Grupo”.





domingo, 6 de novembro de 2022

Folhinha interparoquial nº 782 de 7 a 13 de novembro 2022

Folhinha interparoquial nº 782 de 7 a 13 de novembro 2022

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:




sexta-feira, 4 de novembro de 2022

São Nuno de Santa Maria e o Centenário do CNE

São Nuno de Santa Maria e o Centenário do CNE"


por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 28 de outubro 2022 no jornal diário "Correio do Minho"


O plano anual do CNE para 2022/2023, que coincide com as comemorações do centenário do CNE, tem como figura inspiradora São Nuno de Santa Maria que Dom Manuel Vieira de Matos, o Arcebispo fundador do Corpo de Scouts Católicos Portugueses, em 27 de maio de 1923, escolheu para ser o patrono do Escutismo Católico Português.

«Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. (...) Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. (...)

Os dotes militares de Nuno eram, no entanto, acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a tra- ve-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. (...)

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabou por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. (...) Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável (...) ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria - a sua terna Padroeira que sempre venerou -, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável” ...»1

O Papa Bento XVI, na homilia na canonização apresenta ao Povo de Deus São Nuno de Santa Maria, com as seguintes palavras: «Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos - não sem um desígnio particular de Deus – abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. (...) São Nuno embora fosse um ótimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à ação suprema que vem de Deus. São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à ação de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o Convento do Carmo por ele mandado construir. Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível atuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus.»

1Trecho retirado do perfil biográfico publicado no livro editado para a cerimónia de canonização dos cinco novos Santos, realizada no dia 26 de abril de 2009, na praça de São Pedro, em Roma, pp. 29 e 30.




domingo, 30 de outubro de 2022

Folhinha nº 781 de 31 de outubro a 6 de novembro 2022

Folhinha interparoquial nº 781 de 31 de outubro a 6 de novembro 2022

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:




domingo, 16 de outubro de 2022

Folhinha nº 780 de 17 a 30 de outubro 2022

Folhinha interparoquial nº 780 de 17 a 30 de outubro 2022

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:




sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Planear no Agrupamento o Ano do Centenário

Planear no Agrupamento o Ano do Centenário"


por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 14 de outubro 2022 no jornal diário "Correio do Minho"



Já por duas vezes abordamos o enquadramento das comemorações do Centenário da fundação Corpo Nacional de Escutas, que se iniciaram a 27 de maio passado, na região de Lisboa e terminarão em Coimbra, no mês de outubro do próximo ano.
Há, contudo, dois momentos que não deixarão de ser dos mais aglutinadores nestas comemorações, a saber: a data de aniversário, o dia 27 de maio de 2023, a celebrar na Arquidiocese fundadora e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a realizar em Lisboa (1-6 de agosto de 2023), presidida pelo Papa Francisco e que não deixará de envolver os jovens católicos que integram o Movimento Escutista Mundial. Para estes jovens, o Corpo Nacional de Escutas que deverá criar condições de acolhimento para aqueles que vão chegar na(s) semana(s) que antecede(m) a jornada propriamente dita. Nas proximidades do espaço reservado para este megaevento, como seria bom que, no final da JMJ, o acampamento dos escuteiros a todos fizesse recordar o Acampamento Mundial de Moison, França, realizado em 1947, depois da II Guerra Mundial, que ficou consagrado como o Jamboree da Paz.

Para que este desejo se possa tornar realidade é necessário que as Juntas Centrais: a atual e a futura, resultante do ato eleitoral a realizar, no princípio do próximo ano, têm que, como dizia a raposa ao principezinho, na narrativa de Saint-Exupéry, “cativar” as estruturas regionais, de núcleo e de agrupamento, para que este objetivo seja comum a todo o CNE, não deixando de fora as Associações dos Escoteiros de Portugal e das Guias de Portugal.

Este é o tempo certo, uma vez que os
 órgãos executivos, nacional, regionais e de núcleo já aprovaram os respetivos planos de atividades e que o mês de outubro é dedicado à elaboração e aprovação dos planos de atividade de agrupamento.

Sendo verdade que, muitas vezes dizemos «Deus escreve direito por linhas tortas», o que é certo é que a figura central do plano anual de atividades para este ano escutista, São Nuno de Santa Maria, é um homem verdadeiramente aglutinador no seu tempo e nos dias de hoje, o Condestável que defendeu «a terra que o viu nascer», mas que, cumprida a missão militar trocou a posição de vencedor para se dedicar ao serviço dos outros. Um homem que, mesmo nos tempos de guerra, finda a batalha, mandava tratar todos os feridos, independentemente de serem os seus soldados ou os de Castela. À qual se associa também o lema: «Saber: recordar o caminho feito, para projetar o futuro». Este enquadramento permitir-nos-á, recorrendo, novamente, à expressão de Saint-Exupéry, estabelecer os laços de amizade que criam as condições de paz e a consolidam nos nossos corações.

Assim sendo, os planos de atividade, dos 999 Agrupamentos em atividade, poderão ser o instrumento vital para que o ano escutista de 2022/2023, aproveitando a riqueza dos acontecimentos programados, criem as condições para que, crianças e jovens, consolidem os seus percursos de autoformação e que estes preencham, plenamente, o célebre lema da educação da Atenas do século V antes de Cristo «Alma sã em corpo são».

Um outro objetivo que, certamente, marcará estes planos de atividades dos agrupamentos e que numa linguagem mais aventureira poderíamos definir como «à procura do tempo perdido» e neles deixará uma marca indelével de autonomia, de responsabilidade e de serviço. Os últimos três anos foram marcados pelos tempos pandémicos que a todos impuseram condicionalismos extremamente duros. De certa forma, todos, em geral, tivemos uma grande capacidade de adaptação, não de sobreviver, mas de viver a nossa vida, apesar das dificuldades. Temos consciência que esses tempos nos impediram de viver a vida que gostaríamos e, por isso, a vontade de recuperar tudo aquilo que projetamos e que tivemos de deixar para trás será grande, mas este objetivo tem que ser definido com “peso, conta e medida” para que os resultados nos proporcionem satisfação e progresso e não desilusão. Não podemos perder as nossas ilusões!

Assim como «Roma e Pavia não se fizeram num dia», também a nossa recuperação do “tempo perdido” tem que ser progressiva e harmoniosa para que as crianças e jovens que nos são confiados, também eles, possam «crescer em idade, sabedoria e graça».




Catequese Paroquial de Nogueiró - Inicio 15 Outubro, 10:30h

 Catequese Paroquial de Nogueiró

Tem início, sábado, dia 15 de outubro, ás 10:30h a Catequese Paroquial de Nogueiró. (Junto à Igreja Paroquial



quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Folhinha nº 779 de 10 a 16 de outubro 2022

Folhinha interparoquial nº 779 de 10 a 16 de outubro 2022

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:

 



terça-feira, 4 de outubro de 2022

Folhinha interparoquial nº 778 de 3 a 9 de outubro 2022

Folhinha interparoquial nº 778 de 3 a 9 de outubro 2022

Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:

Ficha Inscrição novos escuteiros: aqui



domingo, 2 de outubro de 2022

Recordando o Fundador: D. Manuel Vieira de Matos (I)

Recordando o Fundador: D. Manuel Vieira de Matos (I)"


por: Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 30 de setembro 2022 no jornal diário "Correio do Minho"


No âmbito das celebrações do Centenário do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, recordamos o seu Fundador, D. Manuel Vieira de Matos.
28 de setembro de 2022 1

A Junta de Núcleo de Braga, já há alguns anos que inclui, nos planos anuais de atividades, a celebração do dia do fundador do Corpo de Scouts Católicos Portugueses, designação inicial do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, no dia 28 de setembro, dia do seu falecimento.
Recorde-se que as celebrações do centenário da fundação do centenário do CNE, decorrerão entre o primeiro evento se realizou na cidade de Lisboa, no passado dia 27 de maio de 2022, estando previsto o seu encerramento para o mês de outubro de 2023, na cidade de Coimbra.

Assim, nestes tempos de centenário, a Junta de Núcleo de Braga, na passada quarta-feira, decidiu colocar uma lápide evocativa do ato fundacional perpetrado pelo Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos, na rua que, por decisão da Câmara Municipal de Braga, tem, desde a sua abertura, o nome deste prelado.

O pequeno Manuel nasceu no dia 22 de março de 1861, na freguesia de Poiares, do concelho de Peso da Régua, à época território integrado na Arquidiocese de Braga. Fez a instrução primária num colégio em Lamego, e órfão de pai ingressou no seminário da diocese de Braga. Em 1882, terminou os seus estudos de formação teológica, tendo sido escolhido para exercer as funções de professor no seminário de Lamego, pois a sua terra natal fora incorporada na diocese de Lamego, em 1881 e no dia 22 de setembro de 1883 foi ordenado presbítero na Sé desta diocese.

Em 1885, rumou à universidade de Coimbra para cursar Teologia, que concluiria em 1890. No ano seguinte foi nomeado cónego da Sé de Viseu, professor no seminário desta diocese e secretário particular do bispo D. José Dias Carvalho.

Em 1899, o Papa Leão XIII nomeou-o Arcebispo de Mitilene e Vigário-Geral do Patriarcado de Lisboa, sendo, no dia 15 de agosto desse ano, ordenado bispo na Sé de Viseu. Em abril de 1903 o mesmo Papa nomeou-o para a diocese da Guarda, com o título de Arcebispo-bispo, entrou na diocese no dia 4 de junho do mesmo ano.
Finalmente, no dia 1 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, nomeou-o Arcebispo de Braga, mas só, cerca de seis meses depois, a 14 de março de 1915 é que o prelado entrou na Sé de Braga, quando já havia tomado posse em 25 de fevereiro. No dia 28 de setembro de 1932, D. Manuel Vieira de Matos faleceu com 71 anos de idade, na cidade dos Arcebispos.

Podemos dizer que este prelado, que o Expresso, em 2013, consagrou, na primeira de quatro revistas especiais que publicou sobre “Os 100 portugueses que moldaram o século XX”, tendo esta lista sido elaborada pelo historiador Rui Ramos e pelo ex-diretor do Expresso Henrique Monteiro, foi um homem determinante e determinado do seu tempo, com uma visão de Sociedade e de Igreja clara e envolvente para as dioceses que serviu, demonstrando uma envergadura admirável, como Homem, como Cidadão e como Pastor – alguém que não se subjugava nem se deixava subjugar. Sem receio do confronto com os poderosos do mundo do seu tempo, em defesa do seu rebanho, este “mártir da Primeira República” que partilhava o martírio com D. António Barroso, Bispo do Porto, que produziria uma afirmação que ficou célebre: “há duas coisas de que eu não morro: de medo e de parto”.

Assim o demonstrou D. Manuel Vieira de Matos na sua luta contra a repristinação das leis do Marquês de Pombal contra os jesuítas, bem como as de Joaquim António de Aguiar (o Mata-Frades) quanto às ordens religiosas (1834) e, de um modo especial, contra a legislação aprovada pelo governo da Primeira República - Lei da Separação da Igreja e do Estado em Portugal, não por esta lei deixar de considerar o catolicismo como a religião oficial do estado, mas porque pretendia manietar a Igreja com mecanismo que lhe retirava a autonomia e a independência e impedia a articulação com a Igreja Universal. Mas também porque foram arrolados os bens e as propriedades da Igreja e incorporados no Estado. Além disso, Afonso Costa, o grande estratega destas ações, suportado por outras figuras republicanas, não se coibia de apregoar e garantir que, com esta legislação o catolicismo seria, no espaço de duas ou três gerações, completamente irradiado de Portugal.


1Texto da lápide colocada, na Rua D. Manuel Vieira de Matos, pela Junta de Núcleo de Braga do CNE.