Folhinha Interparoquial nº 712 de 10 a 16 de maio de 2021
Paróquias de:- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias:
Folhinha Interparoquial nº 712 de 10 a 16 de maio de 2021
Paróquias de:“O Acampamento do Centenário do CNE”
O Escutismo Católico Português
prepara-se para comemorar o seu centenário no dia 27 de maio de 2023, inicialmente,
estava previsto que as festividades atingissem o seu ponto mais alto, no verão
de 2023, com a realização do XXIV Acampamento Nacional. Com o surgimento da
pandemia, nos inícios de 2020, o Vaticano publicou um comunicado, no dia 20 de
abril de 2020, onde anunciava que a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa,
prevista para junho de 2022, seria adiada para o mês de agosto de 2023, «devido
à atual situação de saúde e suas consequências no movimento e agregação de
jovens e famílias, o Santo Padre, juntamente com o Dicastério para Leigos, Família e Vida, decidiu adiar (...) a próxima Jornada Mundial da
Juventude».
Este facto levou a Junta Central do CNE
a reequacionar o calendário e a estratégia para as comemorações do centenário do
movimento, de forma harmonizar a possibilidade dos jovens escuteiros poderem
participar nos dois eventos, sem quaisquer restrições.
Assim, inverteu a lógia da primeira
estratégia, antecipando a data de realização do Acampamento Nacional (AcaNac)
para o verão de 2022, com ele abrindo as comemorações do centenário que
passaram a ter como epílogo a Jornada Mundial da Juventude. O Escutismo Católico
Português, tendo bem presente que a JMJ é o maior evento mundial realizado pela
Igreja, não quis privar os jovens escuteiros da oportunidade de participarem
neste evento único nas suas vidas de jovens ou de jovens adultos, mas também
não se esqueceu da necessidade de voluntários que este evento acarreta para dar
vida à organização do evento e quis responder com o seu lema «Sempre Alerta
para Servir». A equipa nacional do CNE está a preparar um jogo que una
estes dois pontos fortes das comemorações do nosso primeiro centenário.
Recordemos que o Acampamento Nacional reúne,
milhares de crianças, jovens e adultos durante uma semana, em quatro campos, um
para cada uma das 4 Secções: o da Alcateia - Lobitos dos 6 aos 10 anos, o da
Expedição - Exploradores dos 10 aos 14 anos, o da Comunidade – Pioneiros dos 14
aos 18 anos e o do Clã – Caminheiros dos 18 aos 22 anos. Juntos num mesmo
espaço onde desenvolvem atividades por Secção e algumas outras destinadas às
quatro Secções em simultâneo. Há um tema comum a todo o acampamento que cada
uma das Secções desenvolve em função da faixa etária dos seus elementos.
Telegraficamente, lancemos um olhar
sobre os três últimos, que se realizaram no mesmo espaço, o Centro de
Atividades Escutistas de Idanha-a-Nova, onde também se realizará o próximo.
·
2007
– o XXI AcaNac, sob o tema: “Um Mundo, Uma Promessa”, teve 9.700
participantes (crianças, jovens e adultos) e integrado nas comemorações do
centenário do Escutismo Mundial;
·
2012
– o XXII AcaNac, sob o tema: “Escuteirar, Educar para a Vida”, teve 17.100
participantes, sendo 14.410 crianças e jovens e 2.690 adultos voluntários e abrindo
as comemorações do 90º aniversário;
· 2017
– o XXIII AcaNac, sob o tema: “Abraça o Futuro”, teve 21.333
participantes, sendo 18.233 crianças e jovens e 3.100 adultos voluntários e
abrindo as comemorações do 95º aniversário.
Em 2023, o XXIV AcaNac, sob
o tema: “Construtores do Amanhã”, abrirá as comemorações do Centenário
do Escutismo Católico e será, com certeza, um excelente instrumento de
preparação da comunidade escutista para a sua participação na Jornada Mundial
da Juventude de Lisboa.
Organizar um AcaNac não é tarefa fácil,
nem de um homem só! O seu “estado maior” é constituído por um grande número de
equipas e por muitos adultos voluntários de idades e saberes variados e multifacetados,
bem conhecedores dos trabalhos e das experiências já realizadas, certos de que
os feitos passados são isso mesmo e, por isso, devem ser tidos em conta da
construção do XXIV AcaNac, mas não podem aprisionar, nem a criatividade, nem a
inovação, exercidas com responsabilidade. É assim que fazem os verdadeiros
construtores do amanhã.
A minha convicção pessoal é que o
próximo Acampamento Nacional deixará, como os que o antecederam, uma marca
indelével na vida de todos os escuteiros que nele venham a participar,
ajudando-os a serem cidadãos, solidariamente ativos e agindo à luz da fé professada.
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Folhinha Interparoquial nº 711 de 3 a 9 de maio de 2021
Paróquias de:Folhinha Interparoquial nº 710 de 26 de abril a 2 de maio de 2021
Paróquias de:“Uma Oportunidade de Regresso às Origens”
Das regras vigentes para o
desconfinamento destacam-se os pequenos grupos de 6 elementos na restauração,
na atividade física em grupo, bem como a pequena taxa de ocupação de espaços
para celebrações religiosas ou espetáculos culturais, por forma a manter-se o
afastamento social, também recomendado.
Naturalmente que a etiqueta social também
se mantém em vigor, sendo que o álcool-gel e máscara são dois “compagnons
de route”
imprescindíveis na nossa vida quotidiana, alguns até personalizados a nosso
gosto ou à circunstância.
O escutismo não pode esquecer estas
normas, bem pelo contrário, deve incrementá-las e, desta forma, aproveitar a
oportunidade para revisitar as origens.
Recordemos que Baden-Powell, no primeiro
acampamento escutista realizado no verão de 1907, na ilha de Brownsea, no sul
de Inglaterra, organizou o campo com 4 pequenos grupos (patrulhas), sendo, cada
um deles composto por 5 elementos, um do quais era o líder: “o guia patrulha”.
Estes guias reuniam com os adultos para trabalharem os conteúdos de modo que
estes fossem capazes de ser os instrutores dos restantes membros da patrulha.
Só depois se faziam os jogos entre patrulhas para se apurar a destreza dos
jovens na aplicação desses conteúdos a novas realidades, mas também ao
desenvolvimento do “espírito de patrulha”, isto é, a união e entreajuda no seio
da patrulha, pois a performance da equipa sobrepõe-se a performance individual,
bem como a assunção das funções e competências de cada um dos membros.
Hoje, já que temos de viver as nossas
reuniões, encontros ou atividades em pequenos grupos, devemos aproveitar estas
situações, impostas pelo combate à pandemia, não como um problema em si, mas
antes como uma oportunidade para que todos nós (adultos, crianças e jovens)
possamos aprofundar a vivência do sistema de “patrulhas” e de “conselhos”. Esta
é a designação dada às reuniões onde os jovens são chamados a apresentar, por
patrulha, os seus projetos de atividades, onde eles próprios, e só eles, podem escolher,
por votação, a atividade que vão desenvolver e constituindo pequenas equipas de
especialidade que programam as diversas fases e momentos da atividade que vão
viver, desde o reconhecimento do local, da escolha do material adequado, das
ementas e dos respetivos víveres até toda a logística de transporte e
acomodação de pessoas e bens, da atribuição de tarefas individuais e coletivas,
até ao modelo de avaliação da atividade.
Depois das fases de escolha e de
preparação da atividade, tendo passado algumas semanas ou meses, dependendo do
grau de complexidade e exigência, entra-se na fase da realização, ou vivência da
atividade, onde se observa a aplicação das aprendizagens a situações do
quotidiano, tantas vezes trabalhadas na fase anterior. É a alegria de ver que o
esforço produzido na preparação deu os seus frutos, ainda que, aqui ou ali,
tomemos consciência que podíamos ter feito mais e melhor.
Terminada a aventura há que cuidar do
material para que esteja pronto para a próxima, seguindo-se o momento da
avaliação de forma individual, seguido da partilha em patrulha e depois cada
guia de patrulha leva a conselho de guias as avaliações dos pequenos grupos e
consolida-se a avaliação final da atividade.
Desta, deve resultar o reconhecimento do
progresso individual de cada elemento bem como as recomendações de melhoria
para atividades futuras.
Em tempos normais este processo
culminaria com uma confraternização entre todos os elementos da Secção, para a
qual também eram convidadas as famílias dos jovens onde os guias apresentavam
as conclusões da avaliação e os resultados obtidos e o chefe de Unidade
aproveita para evidenciar o progresso realizado, entregando, se fosse o caso,
as respetivas insígnias. O encontro terminaria com um pequeno lanche preparado
pelas patrulhas.
Hoje, este “happy end” deverá ser
realizado em cada uma das patrulhas, reunidas presencialmente, mas em espaços
diferentes, estando ligadas entre si de forma digital, assim como os seus
familiares. Claro que não será um momento tão efusivo, temos que ter presente
as palavras de Fernando Pessoa: “mas o melhor do mundo são as crianças”
e, por isso, a primeira obrigação de todos nós é a sua proteção.
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Folhinha Interparoquial nº 709 de 19 a 25 de abril de 2021
Paróquias de:Folhinha Interparoquial nº 708 de 12 a 18 de abril de 2021
Paróquias de:“Primavera de Esperança”
A primavera, até porque sucede ao
inverno, é sempre um tempo de esperança. A natureza renasce, após um período de
hibernação, marcando um novo ciclo de vida que todos desejamos melhor que o ano
anterior. No caso concreto desta primavera este desejo é ainda maior porque o
outono anterior foi “produtivo” da disseminação do coronavírus e as
consequências foram as que conhecemos e nos marcaram profundamente.
A primavera surgiu com a esperança da
vacinação e com uma estratégia de combate à propagação da covid-19 que mostrou
eficácia e logo todos sonhamos com um desconfinamento cuidado e acompanhado,
para evitar a repetição dos erros cometidos. Cada um de nós parece mais
consciente que evitar o contágio depende muitíssimo mais do “eu” do que do
“outro” e, deste modo, a nossa esperança parecer assentar sobre bases mais
sólidas do que há 10 meses quando iniciamos o primeiro desconfinamento. Nessa
altura parecíamos uns “super-heróis” imunes a tudo, todos conhecemos o “período
das trevas” consequência desses comportamentos que agora a maioria dos
portugueses parece rejeitar.
No escutismo também estamos a preparar
este desconfinamento, enquanto movimento de educação não formal, segundo a
terminologia usada pela ONU, decidiu-se que se utilizaria o calendário estabelecido
para o ensino básico e para o ensino secundário, pelas competentes entidades
públicas, por ser aquele que cobre as mesmas faixas etárias de lobitos e exploradores
e pioneiros e caminheiros.
Claro que temos consciência que as
escolas e os agrupamentos são realidades completamente distintas onde
praticamente apenas estas faixas são o elemento comum além serem público alvo
da escola e do escutismo, crianças, adolescente jovens e jovens adultos. Todos
sabemos que a frequência da escola no 1º, 2º e 3º ciclos e secundário é
obrigatória enquanto no escutismo esta presença é livre e voluntária. A escola,
enquanto organização nacional depende, apesar dos inúmeros progressos
verificados, de um modelo hierárquico muito vertical, construído de cima para
baixo, sendo que o poder emana da hierarquia para a base, enquanto no escutismo
a sua força motriz está na base, isto é, nos agrupamentos, estando as
estruturas de núcleo, regional e nacional ao serviço destas.
Da mesma forma, é o Ministério da
Educação que define programas, conteúdos, métodos de avaliação e ainda promove
uma aferição do sistema. No escutismo isto não acontece assim, há um programa
educativo que baliza o método escutista, onde se estabelecem os objetivos
finais de dada uma das quatro Secções, mas são os lobitos, os exploradores, os pioneiros
e os caminheiros que escolhem os percursos educativos, as atividades e os jogos
que os sustentam e que procedem à avaliação entre pares do progresso (individual
e coletivo) conseguido. Dentro de cada Secção os elementos não estão agrupados
nem por grupos de idades nem por níveis de conhecimentos, mas apenas se constituem
na célula base da Unidade, pequeno grupo a que chamamos: bando, patrulha,
equipa e tribo.
Neste momento, cada uma das Secções,
está a preparar o seu plano de desconfinamento, recorrendo a uma das
plataformas digitais de comunicação simultânea, para realizar reuniões de
patrulha, de conselho de guias, de pais e da equipa de animação, para verificar
se há condições para iniciar atividades presenciais, preferencialmente ao ar
livre ou na sede, uma sala para cada patrulha, capaz de suportar as exigências
do distanciamento social, arejada, limpa e desinfetada e com os materiais
recomendados. O nível central do CNE preparou e distribuiu por todos os
agrupamentos brochuras que permitem aos dirigentes observarem se todas as
condições necessárias determinadas pela DGS são observadas.
Depois destes trabalhos preparatórios, o
órgão executivo do Agrupamento reúne-se e elabora o plano de contingência, a
partir de documento base previamente distribuído pelos serviços centrais do
movimento, que depois de aprovado será distribuído pelos adultos das equipas de
animação de cada Secção e por todos os guias das quatro Secções. Serão ainda
copiados cartazes para afixar em todas as salas e espaços utilizados quer por
crianças e jovens quer por adultos.
Uma vez por mês, nas reuniões dos
conselhos de guias, de equipas de animação e de Agrupamento, estes documentos serão
revisitados e estão sujeitos, de forma permanente a um processo de melhoria.
Temos consciência que nós não dependemos só de nós, mas sabemos que todos os
outros podem sofrer com a desatenção de cada um de nós.
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Folhinha Interparoquial nº 707 de 6 a 11 de abril de 2021
Paróquias de:Folhinha Interparoquial nº 706 de 28 de março a 5 de abril de 2021
Folhinha Interparoquial nº 705 de 22 a 28 de março 2021
Paróquias de:Encontro de Guias do Núcleo de Braga.
Folhinha Interparoquial nº 704 de 15 a 21 março 2021
Paróquias de:“Errare humanum est, perseverare autem diabolicum”
(“Errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico”)[1]
O título deste artigo seria, só por si,
motivo para uma reflexão mais profunda quanto à sua origem e autoria, mas aqui
quero utilizar esta expressão, cujo autor se desconhece; que alguns consideram
como um ditado popular, mas a verdade é que ela foi usada, com algumas variantes
textuais mantendo, na essência, o significado, por São Jerónimo - Epist. 57,11
- (347-420), Santo Agostinho (354-430), Venerável Beda (673-735) e São Bernardo
(1090-1153).
O importante é que este título permite-me
perspetivar o desafio que me foi lançado sobre a “pedagogia do erro no escutismo”,
tendo contraponto o pensamento de Theodore Roosevelt «o único homem que
nunca comete erros é aquele que nunca faz coisa alguma. Não tenha medo de
errar, pois aprenderá a não cometer o mesmo erro duas vezes», o 26º
presidente dos EUA (1901-1909), que Baden-Powell refere no “Escutismo para
Rapazes”, página 70, edição de 2007, como sendo um homem que «também tinha
fé na vida ao ar livre (...) Quando jogardes, jogai forte; e quando
trabalhardes, trabalhai bem. Mas não permitais que os jogos e desportos vos
prejudiquem os estudos».
O método escutista permite que o jovem
seja o protagonista da sua educação, desde logo pela autonomia e liberdade que
goza com o sistema de patrulhas e as dinâmicas dos diversos conselhos, onde
cada um deles assume as suas responsabilidades na conceção, negociação,
preparação, realização e avaliação de projetos e programas, mas também o
enquadramento nos valores da promessa e Lei, mística e simbologia e missão e princípios
do escutismo. Pela teia de relações que estabelece consigo próprio (progresso
pessoal), com os outros membros da patrulha, da unidade e do agrupamento, com
os dirigentes e animadores, com as comunidades onde se integra, com a natureza
que o acolhe e com Deus - o Amigo entre os amigos -; finalmente, pela forma
como aprende e como ajuda os outros a aprender.
Neste contexto de autoeducação, o erro é
uma possibilidade permanente, mas não podemos prolongar a conceção,
enriquecimento e preparação da atividade de forma indefinida, pois quando
chegasse o momento da realização o tempo adequado poderia já ter passado. Assim,
a fase de enriquecimento, que é uma linha de tempo e não um ponto no tempo, é
vital para a redução do risco.
Há muitos anos, em 1649, João Amós
Coménio publicou a sua “Didática Magna”, também conhecido pelo subtítulo
“Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos” define que: «Aprende-se
a fazer fazendo. Os mecânicos não detêm os aprendizes nas suas artes de
especulações teóricas, mas põem-nos imediatamente a trabalhar, para que
aprendam a fabricar fabricando, a esculpir esculpindo, a pintar pintando, a
dançar dançando, etc…» (p.320), nós poderíamos acrescentar aqui as nossas
mais diversas competências e atitudes escutistas ou todo o aprender fazendo do
método. Claro que Coménio, evocando Séneca (4 aC-65 dC – Epist. VI, 5),
lembra-nos as palavras do filósofo sobre este tema «é longo e difícil o
caminho por meio de regras, mas breve e eficaz por meio de exemplos»
(p.320). Ambos parecem ter lido B.-P., vários séculos antes da publicação do
“Escutismo para Rapazes”!
Todos sabemos que as crianças quando
aprendem a andar caem uma boa centena de vezes e isso é natural, mesmo assim,
os pais protegem as esquinas do mobiliário e outros elementos semelhantes e
nunca põem os filhos sobre um muro para aprender a andar. É esta gestão do erro
e do risco que devemos dominar.
Nos seus percursos de aprendizagem o
escuteiro tem que experimentar o erro para depois, integrando a aprendizagem
realizada, corrigir e melhorar a sua performance. O erro é um elemento
importante no processo de melhoria. Esperemos que nenhum escuteiro tenha de
reproduzir a justificação que Thomas Edison, em 1910, deu a um jornalista: «eu
não falhei 10 mil vezes. Apenas descobri 10 mil maneiras que não funcionam.»
[1] Este tema também foi
abordado em artigo semelhante na revista “Flor de Lis”, no mês de fevereiro de
2021.