domingo, 9 de fevereiro de 2020

Folhinha nº 664 de 10 a 16 fevereiro de 2020

Folhinha Interparoquial nº 664 de 10 a 16 fevereiro de 2020
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias









sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Carta Aberta de D. Nuno Almeida aos Deputados sobre a Eutanásia

Carta Aberta de D. Nuno Almeida aos Deputados sobre a Eutanásia
A propósito da discussão, este mês, na Assembleia da República, de projectos de lei sobre a despenalização da eutanásia.


Ex.mos Senhores Deputados!
Sou padre há 33 anos e bispo há quatro anos. Tive responsabilidades diretas, como pároco e presidente da direção, na criação e funcionamento de três IPSS. Desde há 33 anos e, sobretudo, desde há quatro anos que permanentemente visito idosos e doentes nas suas casas, nos lares, nas unidades de cuidados continuados e paliativos, centros de dia e de convívio, Hospitais e outras instituições. Faz parte da minha agenda, quase todas as semanas, a celebração festiva com largas dezenas de idosos e doentes do Sacramento da Unção.
Se neste momento fosse deputado pensaria conscientemente, livremente e responsavelmente nas pessoas, especialmente nas mais frágeis. No momento de decidir o voto não poderia dar prioridade a estratégias políticas, ideológicas ou a orientações partidárias.  
Não há dúvida de que há doentes que se sentem mortos psicológica e socialmente (mergulharam numa vida sem sentido e experimentam a mais profunda solidão) e parece-lhes que já só lhes falta morrer biologicamente. Quererão realmente morrer ou quererão sentir-se amados?
Com a eutanásia e o suicídio assistido provoca-se deliberadamente a morte de outra pessoa (matar) ou presta-se ajuda ao suicídio de alguém (ajudar a que outra pessoa “se mate”). A eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com uma vida!
Quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica desrespeitam o momento natural da morte (deixar morrer): a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa.
Para nós, crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é dom de Deus e uma missão a cumprir. E é no mistério da morte e ressurreição de Jesus que, como cristãos, encontramos o sentido do sofrimento. 
Mesmo se nos cingirmos a uma reflexão filosófica, não é lógico contrapor o valor da vida humana ao valor da liberdade e da autonomia. É que a autonomia supõe a vida e sua dignidade. A vida é um bem indisponível, o pressuposto de todos os outros bens terrenos e de todos os direitos. Não pode invocar-se a autonomia contra a vida, pois só é livre quem vive. Não se alcança a liberdade da pessoa com a supressão da vida dessa pessoa. A eutanásia e o suicídio não representam um exercício de liberdade, mas a supressão da própria raiz da liberdade.
Temos também consciência de que nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível. Em fases terminais sucedem-se momentos de desespero, alternando com outros de apego à vida. Porquê respeitar a vontade expressa num momento, e não noutro? Que certeza pode haver de que o pedido da morte é bem interpretado, talvez mais expressão de uma vontade de viver de outro modo, sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados, do que de morrer? Ou de que esse pedido não é mais do que um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros? Ou de que não é consequência de estados depressivos passíveis de tratamento? Estando em jogo a vida ou a morte, a mínima dúvida a este respeito seria suficiente para optar pela vida (in dubio pro vita).
Como cidadão e como crente, digo NÃO à Eutanásia e ao Suicídio Assistido, pois trata-se da interrupção voluntária do amor e da vida! Se fosse deputado o meu voto seria Não!
+Nuno Almeida, Bispo Auxiliar de Braga




domingo, 2 de fevereiro de 2020

Folhinha nº 663 de 3 a 9 fevereiro de 2020

Folhinha Interparoquial nº 663 de 3 a 9 fevereiro de 2020
Paróquias de:
- Divino Salvador de Nogueiró.
- Santa Eulália de Tenões
- S. Pedro de Este
Intenções das missas e informações das 3 paróquias






sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Escutismo: Movimento Seguro (6)

Escutismo: Movimento Seguro (VI)


Nesta quinta crónica, vamos dar a conhecer O Código de Conduta do Adulto no Corpo Nacional de Escutas cujos destinatários são, naturalmente os dirigentes, candidatos a dirigente, auxiliares e profissionais do CNE.
No escutismo, o adulto, na sua missão de educador, é permanentemente escrutinado, imitado e sujeito a uma apreciação crítica, enquanto exemplo e modelo de vida para crianças e jovens.
Dele se espera que ilustre, com as suas atitudes e comportamentos, os valores professados pelo escutismo católico, onde se privilegia a pessoa, depois o pequeno grupo e a comunidade, tendo sempre presente as seguintes sete máximas enquadradoras, sob o ponto de vista das vivências: atuar junto dos jovens de forma aberta e visível; adequar a relação educativa à idade da unidade; ser positivo nas conversas que tem com os jovens; ter equipas de animação compostas por elementos de ambos os sexos; reconhecer os seus sentimentos e identifique os sentimentos dos outros; analisar cada situação antes de agir e preservar a sua dignidade.

Comportamentos a adotar

Aplicar corretamente o sistema de patrulhas e o método do projeto como formas de promover a proteção de crianças e jovens.
Promover a autonomia e capacitação do escuteiro como reforço das suas estratégias de proteção individual através do programa educativo.
Promover a redução dos fatores de risco e reforçar os de proteção da criança e do jovem.
Identificar riscos e definir estratégias preventivas a aplicar nas atividades escutistas.
Ser modelo e exemplo dentro e fora do escutismo.
Não discriminar, negativa ou positivamente, nenhuma criança ou jovem.
Respeitar cada escuteiro na sua dignidade, aceitando as suas opiniões e interesses, e permitindo-lhe conservar o seu espaço pessoal, intimidade, bens e informões pessoais.
Facilitar a integração de todos na unidade, acolhendo e valorizando a diferença.
Reconhecer a possibilidade das suas ões poderem ser incorretamente interpretadas.
Agir sempre de acordo com a Lei e a Promessa.
Garantir condições de privacidade para rapazes e raparigas, bem como para dirigentes.
Criar um ambiente onde os jovens se sintam confortáveis a expressar os seus receios.
Conhecer os próprios limites e não expor nenhum escuteiro a situações ou perigos desnecessários.
Transporte privado no contexto das atividades escutistas após a devida autorização pelos encarregados de educação.
Não permitir situações que encorajem o bullying.
Manter contacto com os pais ou encarregados de educação ao longo do ano escutista, de modo a promover uma intervenção educativa em rede.
Assegurar que sempre um mero de dirigentes adequado ao número de elementos presentes numa atividade.
Adequar o contacto físico com os jovens às diferentes circunstâncias.
Partilhar preocupações com outros dirigentes.
Balancear a dedicação entre o trabalho, a família e o escutismo de forma adequada.

Comportamentos a evitar

Marcar ou ter encontros isolados com um escuteiro. Caso haja necessidade de uma conversa privada, procurar um espaço público.
Contacto físico exagerado.
Transportar sozinho um jovem escuteiro.
Utilizar linguagem de cariz sexual.
Favoritismos, exclusões ou regimes disciplinares agressivos.
Colocar-se em situações que possam dar origem a suspeitas ou falsas acusações.

Comportamentos excluídos

Dormir na mesma tenda que os escuteiros.
Visualizar conteúdos inadequados.
Consumir, promover ou permitir o consumo de substâncias ilegais e aditivas.
Praticar, promover ou permitir comportamentos ilegais.
Praticar, promover ou permitir comportamentos perigosos para os próprios ou para terceiros.
Adotar comportamentos ou usar linguagem, conversas e gestos que podem ser sentidos como agressivos, humilhantes, ameaçadores, ofensivos, discriminatórios ou de cariz sexual.
Banalizar situações de abuso.
Envolver-se em relações amorosas com um escuteiro.

Esta listagem de comportamentos não é um corpus fechado, mas um quadro de referência geral, onde o adulto pode enquadrar a sua maneira de agir, em função da sua personalidade e das suas responsabilidades.

Carlos Alberto Lopes Pereira
artigo publicado a 31 de janeiro 2020 no jornal diário "Correio do Minho"

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