Artigos da responsabilidade do Chefe Carlos Alberto Pereira, publicados na edição impressa do jornal diário "Correio do Minho" e que podem ser lidos nos link´s em baixo:
NEW - 28 de junho de 2019
Ler a notícia no Correio do Minho On-Line (aqui)
"O Acampamento Chama-te"
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"O Acampamento Chama-te"
«O acampamento é de
longe a melhor escola para dar às crianças as qualidades de caráter.»
Baden-Powell
O
título desta crónica é uma espécie de homenagem a um conjunto de chefes das
Guias Francesas, hoje integradas nos “Scouts et Guides de France”, que, em
1976, publicaram um livro “Le Camp t’appelle” que tive a felicidade de ler no
início de 1977, aos 23 anos de idade, e que muito me ajudou a compreender a
importância do acampamento no método escutista.
O
verão, depois de um ano escolar intenso e trabalhoso, naturalmente, com bons
resultados, pelo menos assim o desejamos, é o tempo propício para a realização
da “atividade rainha” do escutismo: o acampamento.
É na
vida ao ar livre que, crianças e jovens, colocam em prática as técnicas
aprendidas e as competências aprofundadas, pois a missão de cada um a isso
conduz. Mas as ações individuais têm que ser partilhadas com os pares e
colocadas ao serviço de todos, desenvolvendo o espírito de equipa, do trabalho
partilhado e colaborativo, de compreensão e entreajuda, da liderança e da
responsabilidade individual, para consigo próprio e para com os outros. Como
dizia um chefe que tive: «o acampamento
põe-nos a trabalhar como um relógio suíço».
Recordemos
que o acampamento escutista é, antes de mais, um exercício de planeamento
criativo e partilhado, onde as decisões se vão tomando nos órgãos próprios, de
forma democrática. Primeiro em cada uma das patrulhas[1] e
cada uma prepara a sua proposta. Depois em grande grupo, o conselho de
expedição, onde se fazem as apresentações e se debatem as propostas
apresentadas, sendo que depois se escolhe um dos projetos. Esta escolha é feita
pelos jovens que integram, a expedição. Subindo depois ao conselho de guias,
que é o órgão de gestão e de justiça da expedição, composto pelos guias de
patrulha que são jovens, de cada uma das patrulhas, democraticamente escolhidos
pelos membros da sua patrulha. O conselho de guias enriquece o projeto escolhido,
procurando juntar os contributos enquadráveis dos outros projetos apreciados e
organiza as equipas de trabalho por especialidades, áreas ou tarefas, de acordo
com as competências de cada um ou das suas necessidades formativas.
Depois
da planificação concluída, ressalvando sempre uma linha de ação para colmatar os
imprevistos, chega o tempo da realização/ação, das vivências, do disfrutar do
trabalho produzido e de sentir o prazer de aplicar a novas situações as
aprendizagens realizadas. A esta fase segue-se a avaliação dos métodos
utilizados, dos resultados obtidos e do grau de satisfação alcançado, é também
o momento de reflexão sobre os erros produzidos e com eles aprender a superar
as dificuldades dos percursos realizados.
Neste
tempo, em que se realizam centenas de acampamentos organizados por todas as
estruturas do Escutismo Católico Português: nacional, regional, de núcleo e de
Agrupamento, segundo o censo de janeiro de 2019, o efetivo do CNE era de:
55.964 elementos, distribuídos pelos 1.019 agrupamentos ativos, enquadrados por
14.384 adultos, num efetivo total de 70.384 associados, gostaria deixar um
olhar de apreço para o Acampamento Vocacional - ACAV_2019 • “ousa
partir: tens um dom a partilhar”, a realizar no Campo Escola de Fraião,
Braga, nos dias 19, 20 e 21 de julho, sendo organizado pelo Clã 8 do agrupamento
421, do Seminário de Braga, tendo com destinatários os pioneiros, visando dotar
estes jovens de experiências que lhes permitam discernir só as opções que
nessas idades, escolarmente falando – o ensino secundário, têm de tomar para se
sentirem mulheres e homens realizados.
[1] Usaremos a
terminologia do CNE, própria da II Seção – a Expedição, onde o pequeno grupo se
designa “patrulha” (por ser a que Baden-Powell usou no livro fundador - o
“Escutismo para Rapazes”), mas na Alcateia é o “bando”, na Comunidade a
“equipa” e no Clã a “tribo”.
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"Os Adultos no Escutismo, segundo Baden-Powell (III)"
«Lembre-se o Chefe de que, além dos seus deveres para com os jovens, tem também um dever para com o Escutismo em
geral.»
Baden-Powell,
Auxiliar do Chefe Escuta,
Edições Flor de Lis, 1ª edição, p.15.
Terminamos a crónica anterior
referindo que a primeira obrigação do Chefe Escuta, no dizer de Baden-Powell é
para com os jovens que lhe são confiados, já que a mimese, a educação pelo
exemplo, é determinante no escutismo. Hoje, vamos partilhar a sua visão sobre a
responsabilidade para com o Escutismo e a sua autorrealização na pirâmide das
necessidades de Abraham Maslow (1908-1970).
Sendo
a missão do escutismo ajudar o jovem a tornar-se um cidadão solidariamente
ativo, à luz da fé que professa, procurando ser construtores de um mundo melhor
e semeadores de paz, esta ação reflete-se diretamente nas comunidades locais,
nacionais e internacionais. Neste sentido, os Chefes têm que ser capazes de se
colocar ao nível desta missão e acima de todo de quaisquer sentimentos
mesquinhos e ressentimentos pessoais, precisam de “ser homens de vistas suficientemente largas”.
É seu
dever ajudar os jovens a interiorizar e a viver as regras do “jogo social
espontâneo”, assumindo os papeis que são chamados a assumir nos diversos
grupos, momentos e lugares. Cada adulto tem a sua própria área de ação, e
quanto maior for o seu empenho e dedicação, também maior será a eficácia da sua
ação educativa, junto dos jovens que lhe estão confiados.
Na
realidade, só quando se procuram as mais altas metas educativas do Escutismo ou
observando, uma dezena de anos depois, os efeitos da sua ação educativa, é que
se pode avaliar a correção, ou não, das medidas que hoje tomamos.
O
fundador remata esta relação Chefe Escuta - Escutismo de forma muito lúcida
quando escreve: «Felizmente, por
meio da descentralização e concessão de plena liberdade às autoridades locais[1], evitam-se
na nossa Obra, muitas formalidades burocráticas que têm sido a causa de
irritação e queixas, em muitas outras organizações.
Temos também a felicidade de possuir um corpo de Chefes Escutas dotados de
larga visão nas suas opiniões e na sua lealdade para com o Escutismo em geral[2]».
A
propósito da autorrealização e da felicidade Baden-Powell escreveu: «Houve um homem que ousou dizer-me que era a
pessoa mais feliz do Mundo! Eu tive de lhe dizer que havia um ainda mais feliz - eu
próprio![3]»
É
claro que, qualquer um destes dois homens, para podem fazer estas afirmações teve
de vencer, no seu dia-a-dia, muitas dificuldades, mas a satisfação resulta,
sobretudo, de enfrentar com êxito as dificuldades.
Não se
deve esperar que a vida seja só um leito de rosas, pois, se assim fosse onde
estaria o prazer de vencer com o nosso esforço? A vida não teria graça nenhuma.
Quem
trabalha com jovens terá desilusões e reveses. Há que ter paciência e aprender
com os erros. Deve-se suportar com paciência, críticas irritantes e empecilhos burocráticos
até certo ponto, mas a recompensa há-de chegar.
A
satisfação que se sente, por ter procurado cumprir o dever à
custa de sacrifícios pessoais e de ter desenvolvido nos jovens carateres que
lhe darão na vida categoria diferente, constitui recompensa tal, que mal se pode exprimir por escrito.
O
fundador termia afirmando: «O crédito
pela organização e divulgação do Escutismo, deve-se a
este exército de trabalhadores voluntários. Nisto temos uma prova notável -
embora muda - do excelente espírito patriótico que subsiste abaixo da
superfície na maioria das nações. Estes
homens [e mulheres] sacrificam o seu tempo e as suas energias, e em
muitos casos também o seu dinheiro, à tarefa de organizar a educação dos
jovens, sem qualquer ideia de recompensa ou louvor pelo que estão a fazer.
Fazem-no, por amor da Pátria e dos seus
semelhantes. [4]»
[1] Entenda-se as Juntas
Regionais e de Núcleo.
[2] Baden-Powell, Auxiliar do Chefe
Escuta, Edições Flor de Lis, 1ª edição, p.18.
[3] Ibidem, p.18.
[4] ibidem, p.19.
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"Os Adultos no Escutismo, segundo Baden-Powell (II)"
«O Chefe Escuta guia o rapaz com o espírito de um irmão mais velho.»Baden-Powell, Auxiliar do Chefe Escuta, Edições Flor de Lis, 1ª edição, p.15
Neste mesmo livro, cujo subtítulo é “Guia dos Chefes Sobre a Pedagogia Escutista” o fundador inicia-o afirmando:
«Como palavra preliminar de consolação a futuros Chefes Escutas, gostaria de contraditar o errado conceito corrente de que, para ser Chefe Escuta eficaz, o adulto precisa de ser um sábio – um sabe tudo. Nada disso.
Tem de ser apenas um homem-rapaz, isto é:
• Precisa de estar animado do espírito do rapaz; e precisa de ser capaz de se colocar ao nível dos rapazes, em primeiro lugar.
• Precisa de compreender as necessidades, dos modos ver e aspirações das diferentes idades da juventude.
• Precisa de tratar mais com o rapaz individualmente do que em massa.
• Precisa depois de promover o espírito de corpo entre os seus rapazes, para alcançar os melhores resultados.»
Sobre o primeiro ponto, B.-P. diz-nos que o Chefe não precisa ser: nem professor escolar, nem oficial militar, nem diretor espiritual, nem instrutor. Basta-lhe a aptidão para gozar a vida ao ar livre, para participar das ambições dos jovens e para encontrar outros homens, que o ajudem nas diversas áreas do saber e do saber-fazer e precisa de se colocar no lugar de irmão mais velho, isto é, ver as coisas do ponto vista do jovem e orientá-lo, guiá-lo e entusiasma-lo na direção correta. Como um verdadeiro irmão mais velho, precisa de compreender as tradições da família e procurar que estas se mantenham, ainda que seja necessária grande firmeza. E nada mais!
Sobre o segundo ponto, é pragmático e diz-nos que há vários manuais existentes, tratam das fases sucessivas da vida do adolescente.
Relativamente ao terceiro ponto, recorda-nos a responsabilidade do Chefe Escuta, que parte das boas aptidões para desenvolvê-las, sendo certo que todos têm, pelo menos, 5% de bem, mesmo no pior carácter, e estes devem ser desenvolvidos até aos 80 ou 90%. O escutismo é um espaço de educação (autoeducação) e não de instrução, o Chefe Escuta é como o jardineiro que potencia a beleza de cada flor, que, todas juntas constituem um jardim magnífico.
Finalmente, no quarto ponto, refere-se ao Sistema de Patrulhas que dá uma dimensão coletiva à educação escutista, permitindo pôr em prática, o que o jovem adquiriu. O Sistema de Patrulhas tem um grande valor para a formação do caráter pois permite desenvolver competências individuais e de grupo, este torna-se maior do que a soma dos seus elementos, e leva à assunção de responsabilidades individuais e grupais, desenvolve competência de cooperação e de liderança.
Depois destes quatro pontos Baden-Powell refere-se à função do Chefe Escuta, atribuindo-lhe um papel muito importante, não tanto por aquilo que ele diz, mas sobretudo por aquilo que ele faz e que é, enquanto exemplo de vida para os rapazes e raparigas. O Chefe pode facilmente tornar-se um herói para as crianças ou jovens de sua Unidade que não tardam a descobrir nele, a mais leve característica, quer sejam virtudes quer sejam defeitos, os seus modos tomam-se os deles.
O fundador termina dizendo: «A tarefa do Chefe é, como o jogo de golfe ou a ceifa ou a pesca à mosca. Quem se apressa não chega ao fim, pelo menos não chega com o resultado que se obtém com um andamento alegre e calmo. Mas é preciso andar. De nada serve estar parado. Não há alternativa: é progresso ou inércia.
Avancemos - e com um sorriso no rosto».
O fundador do escutismo escreveu um livro para cada uma das Secções escutistas:
É sobretudo neste último que vamos beber o espaço que B.-P. reservou para os adultos, no seu movimento.
Hoje, neste primeiro texto, vamos deixar que o leitor descubra a intencionalidade que Baden-Powell apresenta neste seu livro para os dirigentes do escutismo, a partir do preâmbulo que ele próprio redigiu3:
«Não vos assusteis com a extensão deste livro.4
O Escutismo não é uma ciência abstrata ou difícil. É antes de mais um jogo divertido, se o encaramos como deve ser. Ao mesmo tempo é educativo, e, “como o perdão, tende a beneficiar tanto quem o concede como quem o recebe”5
A visão aberta e o pensamento divergente aqui expressos pelo fundador do escutismo, aliados à utilização inovadora do jogo como estratégia educativa, e ao lugar de igualdade em que situa rapazes e raparigas na educação escutista, fazem dele um percussor nas pedagogias ativas da “Escola Nova” que ainda hoje não têm a sua total realização nos sistemas educativos nacionais. Talvez este seja o segredo da recriação permanente do Escutismo, ou, se preferirmos, da Educação Cívica pela Vida ao Ar Livre.
1O Fundador não usava esta expressão, mas sim “chefe” ou “chefe escuta”.
2Em Portugal temos hoje duas Secções para esta faixa etária, os Exploradores e os Pioneiros.
3Utilizamos o texto da primeira edição do “Auxiliar do Chefe Escuta”.
4Este livro tem apenas 102 páginas e o “Escutismo para Rapazes” (edição de 2007) tem 342.
5Referência a “Mercador de Veneza” de William Shakespeare.
6Arthur Stuart-Menteth Hutchinson, novelista, nasceu a 2 de junho de 1879, na Índia e faleceu em Inglaterra no dia 14 de março de 1971.
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"Os Adultos1 no Escutismo, segundo Baden-Powell (I)"
«O Chefe diz ao rapaz como pode fazer-se escuteiro e ampara-o no caminho para a meta»
Baden-Powell, Escutismo para Rapazes, Lisboa 2007, p.39
O fundador do escutismo escreveu um livro para cada uma das Secções escutistas:
em 1908 lança o livro fundador “Escutismo para Rapazes”, destinado aos adolescentes2, depois,
em 1916, edita o “Manual do Lobito” destinado às crianças e,
em 1922, o “A Caminho do Triunfo” destinado aos jovens adultos (como hoje identificamos a faixa etária dos 18 aos 22 anos), entretanto,
em 1919 publicara o livro “Auxiliar do Chefe Escuta” destinado aos adultos, hoje podemos dizer, com muita propriedade, que este é o primeiro manual de formação de dirigentes.
É sobretudo neste último que vamos beber o espaço que B.-P. reservou para os adultos, no seu movimento.
Hoje, neste primeiro texto, vamos deixar que o leitor descubra a intencionalidade que Baden-Powell apresenta neste seu livro para os dirigentes do escutismo, a partir do preâmbulo que ele próprio redigiu3:
«Não vos assusteis com a extensão deste livro.4
O Escutismo não é uma ciência abstrata ou difícil. É antes de mais um jogo divertido, se o encaramos como deve ser. Ao mesmo tempo é educativo, e, “como o perdão, tende a beneficiar tanto quem o concede como quem o recebe”5
O termo “Escutismo” acabou por significar um sistema de preparação para a cidadania, por meio de jogos, para rapazes e raparigas.
As raparigas são o que mais importa, porque quando as mães da nação são boas cidadãs e mulheres de caráter, hão-de procurar que os filhos não claudiquem nestes pontos.
Na situação atual, a preparação é precisa para ambos os sexos, e é transmitida pelas associações de Escutas e Guias (Escuteiras). Os princípios são os mesmos para ambos, só diferem nos pormenores.
A. S. M. Hutchinson6 em uma das suas novelas sugere, “que o que a juventude precisa, é ambiente apropriado”. Pois bem, nós temos no Escutismo e no Guidismo um ambiente a dar-lhe. É o ambiente que Deus criou para toda a gente: ar livre, felicidade e utilidade.
Efetivamente, o Chefe Escuta ao introduzir nele o rapaz, participa incidentalmente daquela mesma felicidade e utilidade. Encontra-se a fazer obra maior do que possivelmente previra, ao assumir a função, pois está a prestar um Serviço valioso para a humanidade e para Deus.
Efetivamente, o Chefe Escuta ao introduzir nele o rapaz, participa incidentalmente daquela mesma felicidade e utilidade. Encontra-se a fazer obra maior do que possivelmente previra, ao assumir a função, pois está a prestar um Serviço valioso para a humanidade e para Deus.
Este livro será para vós uma desilusão, se esperais encontrar nele uma série determinada de alpondras para vosso completo esclarecimento.
Eu apenas me proponho indicar, como sugestão, a orientação que achámos mais proveitosa, e as razões desse resultado.
As sugestões executam-se com tanto melhor vontade, quanto melhor compreende o seu objetivo aquele que as executa.
Portanto, a maior parte destas páginas ocupar-se-á dos objetivos dos escalões mais do que dos pormenores dos próprios escalões. Estes podem ser completados pelo aprendiz conforme o seu próprio engenho e de harmonia com as condições locais em que trabalha.
Baden-Powell of Gilwell»
Baden-Powell of Gilwell»
A visão aberta e o pensamento divergente aqui expressos pelo fundador do escutismo, aliados à utilização inovadora do jogo como estratégia educativa, e ao lugar de igualdade em que situa rapazes e raparigas na educação escutista, fazem dele um percussor nas pedagogias ativas da “Escola Nova” que ainda hoje não têm a sua total realização nos sistemas educativos nacionais. Talvez este seja o segredo da recriação permanente do Escutismo, ou, se preferirmos, da Educação Cívica pela Vida ao Ar Livre.
1O Fundador não usava esta expressão, mas sim “chefe” ou “chefe escuta”.
2Em Portugal temos hoje duas Secções para esta faixa etária, os Exploradores e os Pioneiros.
3Utilizamos o texto da primeira edição do “Auxiliar do Chefe Escuta”.
4Este livro tem apenas 102 páginas e o “Escutismo para Rapazes” (edição de 2007) tem 342.
5Referência a “Mercador de Veneza” de William Shakespeare.
6Arthur Stuart-Menteth Hutchinson, novelista, nasceu a 2 de junho de 1879, na Índia e faleceu em Inglaterra no dia 14 de março de 1971.
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ARTIGOS - ANO 2019
NEW - 28 junho 2019 - "O Acampamento Chama-te" (lêr artigo)
- 14 junho 2019 - "Os Adultos no Escutismo, segundo Baden Powell (III)" (lêr artigo)
- 31 maio 2019 - "Os Adultos no Escutismo, segundo Baden Powell (II)" (lêr artigo)
- 17 maio 2019 - "Os Adultos no Escutismo, segundo Baden Powell (I)" (lêr artigo)
- 03 maio 2019 - "São Jorge, Patrono Mundial do Escutismo" (lêr artigo)
- 20 abril 2019 - "Tempos de Páscoa" (lêr artigo)
- 05 abril 2019 - "Escutismo um Caminho para a Paz" (lêr artigo)
- 22 março 2019 - "XXIV Jamboree Mundial" (lêr artigo)
- 08 - março 2019 - "Baden-Powell e Portugal - II" (lêr artigo)
- 22 de fevereiro 2019 - "Baden-Powell e Portugal - I" (lêr artigo)
- 08 de fevereiro 2019 - "As Atividades Escutistas e a Educação para a Responsabilidade" (lêr artigo)
- 25 de janeiro 2019 - "O Sistema de Conselhos, a Cidadania e a Participação Democrática" (lêr artigo)
- 11 de janeiro 2019 - "Estrutura Padrão das Actividades Escutistas" (lêr artigo)
MAIS ARTIGOS:
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ARTIGOS - ANO 2018
- 28 dezembro 2018 - "Ano Novo, Vida Nova?" (lêr artigo)
- 14 dezembro 2018 - "O Natal e a Luz da Paz de Belém" (lêr artigo)
- 30 novembro 2018 - "A Imaculada Conceição - Modelo de Educadora" (lêr artigo)
- 17 novembro 2018 - "Os Novos Estatutos do Escutismo Católico Português" (lêr artigo)
- 19 outubro 2018 - "O Centenário do Caminheirismo (IV)" (lêr artigo)
- 05 outubro 2018 - "O Centenário do Caminheirismo (III)" (lêr artigo)
- 21 setembro 2018 - "O Centenário do Caminheirismo (II)" (lêr artigo)
- 08 setembro 2018 - "O Centenário do Caminheirismo (I)" (lêr artigo)
- 22 junho 2018 - "O Chefe Graciliano Marques" (lêr artigo)
- 08 junho 2018 - "Carta de Baden Powell aos Pais" (lêr artigo)
- 25 maio 2018 - "2018 - Um ano de Aniversários" (lêr artigo)
- 18 maio 2018 - "Estatutos: Honrar o passado e preparar o futuro" (lêr artigo)
- 27 abril 2018 - "O Escutismo Católico no Alvorecer de Abril" (lêr artigo)
- 14 abril 2018 - "As Alterações Estatutárias no CNE" (lêr artigo)
- 30 março 2018 - "O Oitavo Elemento do Método Escutista" (lêr artigo)
- 03 março 2018 - "Caminheiro na Construção da Cidade" (lêr artigo)
- 16 fevereiro 2018 - "Baden-Powell, Cidadão do Mundo" (lêr artigo)
- 19 janeiro 2018 - "A Revista Flor de Lis 93 anos depois" (lêr artigo)
- 06 janeiro 2018 - "O Livro da Selva e a mensagem do Papa" (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2017
- 22 dezembro 2017 - "Natal: Tempo de Amor, Tempo de Dar e de se dar" (lêr artigo)- 08 dezembro 2017 - "Avé Maria, Mãe dos Escutas" (lêr artigo)
- 24 novembro 2017 - "A Educação para a Paz no Escutismo" (lêr artigo)
- 10 novembro 2017 - "São Nuno de Santa Maria, O Santo Condestável" (lêr artigo)
- 27 outubro 2017 - "Como Fundar um Agrupamento de Escuteiros" (lêr artigo)
- 13 outubro 2017 - "A Comunidade do Escutismo Lusófono" (lêr artigo)
- 29 setembro 2017 - "A Esperança na Abertura do Ano Escutista" (lêr artigo)
- 15 setembro 2017 - "Acampamento" (lêr artigo)
- 23 junho 2017 - "Abraça o Futuro" (lêr artigo)
- 9 junho 2017 - "Carta dos Deveres do Homem, no Escutismo católico: o Outro e a Natureza" (lêr artigo)
- 26 maio 2017 - "Carta dos Deveres do Homem, no Escutismo católico: o Eu" (lêr artigo)
- 12 maio 2017 - "Com Maria, Peregrino na Esperança e na Paz (Papa Francisco)" (lêr artigo)
- 28 abril 2017 - "O 25 de abril e o suave perfume da liberdade" (lêr artigo)
- 14 abril 2017 - "Quaresma: tempo para dar sentido à nossa vida!" (lêr artigo)
- 31 março 2017 - "O Caminheirismo (2)" (lêr artigo)
- 17 março 2017 - "O Caminheirismo (1)" (lêr artigo)
- 03 março 2017 - "O Pensamento de B.-P. no seculo XXI" (lêr artigo)
- 03 fevereiro 2017 - "O Conselho Consultivo de Jovens do XXIII Acampamento Nacional" (lêr artigo)
- 20 janeiro 2017 - "O Lobitismo no Escutismo Católico Português" (lêr artigo)
- 06 janeiro 2017 - "Um Novo Ano de Esperança" (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2016
- 23 dezembro 2016 - "A Luz da Paz e Belém" (lêr artigo)- 09 dezembro 2016 - "Eleições no Corpo Nacional de Escutas" (lêr artigo)
- 25 novembro 2016 - "O Percurso Pessoal de Formação Contínua do CNE (II) " (lêr artigo)
- 11 novembro 2016 - "São Martinho e o Dom da Partilha" (lêr artigo)
- 28 outubro 2016 - "O Percurso Inicial de Formação dos Adultos no CNE (I) " (lêr artigo)
- 14 outubro 2016 - "Peregrinação a Fátima como Abertura do Ano Escutista" (lêr artigo)
- 30 setembro 2016 - "A Propósito do Centenário da Criação da Alcateia no Escutismo" (lêr artigo)
- 16 setembro 2016 - "O XXIII Acampamento Nacional já está em marcha" (lêr artigo)
- 02 setembro 2016 - "Escutismo ou Escotismo" (lêr artigo)
- 01 julho 2016 - "O Acampamento Regional de Braga" (lêr artigo)
- 17 junho 2016 - "Congresso do CNE Açores: 90 Anos a Construir um Mundo Melhor" (ler no final da página)
- 03 junho 2016 - "A Educação Civica e os Direitos Participativos das Crianças" (lêr artigo)
- 20 maio 2016 - "A Alegria no Amor e a Educação Escutista" (lêr artigo)
- 6 maio 2016 - "Maio - mês da Mãe" (lêr artigo)
- 22 abril 2016 - "Três Andamentos de um Hino à Cidadania" (lêr artigo)
- 08 abril 2016 - "Dupla Comemoração" (lêr artigo)
- 25 março 2016 - "Primavera Pascal - o Renascer da Esperança" (lêr artigo)
- 11 março 2016 - "O Escutismo, a Laudato Si´e o ano da Misericórdia" (lêr artigo)
- 26 fevereiro 2016 - "A Promessa Escutista" (lêr artigo)
- 12 fevereiro 2016 - "Os Três Princípios do Escutismo no CNE" (lêr artigo)
- 29 janeiro 2016 - "O Clá 8 e o Escutismo Católico Português" (lêr artigo)
- 15 janeiro 2016 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 9º e 10º" (ler em baixo)
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.20 fevereiro 2015 - acampamento escutista e o licenciamento - 1989
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ARTIGOS - ANO 2015
- 18 dezembro 2015 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 7º e 8º" (ler artigo)- 04 dezembro 2015 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 5º e 6º" (ler artigo)
- 20 novembro 2015 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 3º. e 4º" (ler artigo)
- 06 novembro 2015 - "Nun´ Alvares Pereira" (ler artigo)
- 23 outubro 2015 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 1. e 2º" (ler artigo)
- 09 outubro 2015 - "A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell" (ler artigo)
- 25 setembro 2015 - "A Nossa Casa Comum" (ler artigo)
- 11 setembro 2015 - "Mas o melhor do mundo são as crianças" (ler artigo)
- 26 junho 2015 - " O Ambiente na Vida de Um Escuteiro" (lêr artigo)
- 12 junho 2015 - "Inauguração do Centro Escutista de Arcos de Valdevez" (ler artigo)
- 29 maio 2015 - "92º aniversário do CNE: peripécias de um início ou a afirmação de um desígnio1" (lêr artigo)
- 15 maio 2015 - "O guia (de patrulha) e o Conselho de Guias" (lêr artigo)
- 01 maio 2015 - "A nova visão do Escutismo Mundial" (lêr artigo) - 17 abril 2015 - "O Escutismo e a Politica" (lêr artigo)
- 03 abril 2015 - "A Páscoa na Vida de um Escuteiro" (lêr artigo)
- 20 março 2015 - "Ser Educador Católico no CNE" (lêr artigo)
- 06 março 2015 - "As Associações de Antigos Escuteiros e Guias" (lêr artigo)
- 20 fevereiro 2015 - "O acampamento escutista e o licenciamento" (lêr artigo)
- 06 fevereiro 2015 - "Recrutamento de adultos voluntários no escutismo" (lêr artigo)
- 23 janeiro 2015 - "Novos Desafios do Escutismo (V)" (lêr artigo)
- 09 janeiro 2015 - "Construtores de Paz" (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2014
- 26 dezembro 2014 - "Natal: tempo de (re)nascer !" (lêr artigo)- 12 dezembro 2014 - "Novos Desafios do Escutismo (IV)" (lêr artigo)
- 28 novembro 2014 - "Novos Desafios do Escutismo (III)" (lêr artigo)
- 14 novembro 2014 - "O Sínodo sobre a Família e o Cidadão" (lêr artigo)
- 31 outubro 2014 - "Novos Desafios do Escutismo (II)" (lêr artigo)
- 17 outubro 2014 - "Teresa - a cidadã intemporal" (lêr artigo)
- 03 outubro 2014 - "Novos Desafios do Escutismo (I)" (lêr artigo)
- 19 setembro 2014 - "O Novo Presidente do Escutismo Mundial" (lêr artigo)
- 21 junho 2014 - "O 70.º aniversário do Agrupamento de Ferreiros" (lêr artigo)
- 06 junho 2014 - "O mês de junho no Escutismo Católico Português" (lêr artigo)
- 23 maio 2014 - "Dom Eurico Dias Nogueira e o Escutismo Católico" (lêr artigo)
- 09 maio 2014 - "Somos um a: Caminhar - Edificar - Confessar" (lêr artigo)
- 25 abril 2014 - "O Escutismo e os Valores de Abril" (lêr artigo)
- 11 abril 2014 - "O Voluntário no Escutismo Católico (III)" (lêr artigo)
- 28 março 2014 - "O Voluntário no Escutismo Católico (II)" (lêr artigo)
- 14 março 2014 - "O Voluntário no Escutismo Católico (I)" (lêr artigo)
- 28 fevereiro 2014 - "O dia do Fundador" (lêr artigo)
- 14 fevereiro 2014 - "Dia mundial do Doente" (lêr artigo)
- 31 janeiro 2014 - "O Escutismo em Portugal: relevância na educação das novas gerações" (lêr artigo)
- 17 janeiro 2014 - "Ano Novo Vida Nova" (lêr artigo)
Para todos os que não tiveram oportunidade de os lêr na edição impressa do jornal "Correio do Minho, deixo aqui o link dos artigos da responsabilidade de Carlos Alberto Pereira, na qualidade de Chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas (artigos anos 2011/2013)
- 03 janeiro 2014 - "Tempos de Partida!" (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2013
- 20 dezembro 2013 - "Pode ser sempre Natal" (lêr artigo)- 06 dezembro 2013 - "Escutismo e voluntariado" - (lêr artigo)
- 22 novembro 2013 - "Projeto: noventa anos a semear" - (lêr artigo)
- 08 novembro 2013 - "O congresso e o nosso olhar no horizonte" - (lêr artigo)
- 25 outubro 2013 - "O Jamboree no ar e a cidadania" - (lêr artigo)
- 11 outubro 2013 - "Congresso dos escuteiros católicos" - (lêr artigo)
- 21 junho 2013 - "Verão: tempo de acampar" - (lêr artigo)
- 07 junho 2013 - "Feliz coincidência" - (lêr artigo)
- 24 maio 2013 - "Escutismo: 90 anos a Educar para a Vida" - (lêr artigo)
- 10 Maio 2013 - "Fátima, uma vez mais o altar do mundo" - (lêr artigo)
- 26 abril 2013 - "O 25 de Abril: um hino à Cidadania" - (lêr artigo)
- 12 abril 2013 - "O Uniforme do Escuteiro" - (lêr artigo)
- 15 fevereiro 2013 - "Sistema de formação de adultos no escutismo" - (lêr artigo)
- 01 fevereiro 2013 - "48 horas de Voluntariado" - (lêr artigo)
- 29 março 2013 - "Monsenhor Américo - O Pastor e o Escuteiro" - (lêr artigo)
- 15 março 2013 - "Francisco - o novo Papa" - (lêr artigo)
- 01 março 2013 - "Sistema de formação de adultos no escutismo - Princípios-base" - (lêr artigo)
- 18 janeiro 2013 - "Ser cidadão (escuteiro) nos nossos dias" - (lêr artigo)
- 04 janeiro 2013 - "Escuteiros: Mensageiros da Paz" - (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2012
- 21 dezembro 2012 - "Natal" - (lêr artigo)- 07 dezembro 2012 - "O dia da Imaculada Conceição" (lêr artigo)
- 23 novembro 2012 - "Corpo Nacional de Escutas - CNE: Caminho de Esperança - Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa" - (lêr artigo)
- 09 novembro 2012 - "Nuno de Santa Maria" - (lêr artigo)
- 26 outubro 2012 - "O Jamboree no ar e na internet" - (lêr artigo)
- 12 outubro 2012 - "A Abertura do Ano Escutista" - (lêr artigo)
- 28 setembro 2012 - "O Acampamento do Sorriso" - (lêr artigo)
- 14 setembro 2012 - "O Campo Escola de Fraião" - (lêr artigo)
- 29 junho 2012 - "O XXII Acampamento Nacional da CNE" - (lêr artigo)
- 15 junho 2012 - "O acampamento escutista" - (lêr artigo)
- 01 junho 2012 - "A Relação Educativa" - (lêr artigo)
- 18 maio 2012 - "O progresso pessoal" - (lêr artigo)
- 04 maio 2012 - "O Sistema de Patrulhas" - (lêr artigo)
- 20 abril 2012 - "A Educação pela ação" - (lêr artigo)
- 06 abril 2012 - "A Páscoa na vida do escuteiro" - (lêr artigo)
- 23 março 2012 - "Vida na Natureza" - (lêr artigo)
- 09 março 2012 - "Mística e Simbologia do Escutismo" - (lêr artigo)
- 24 fevereiro 2012 - "O Dia do Fundador" - (lêr artigo)
- 10 fevereiro 2012 - "A Lei e a Promessa do Escuta" - (lêr artigo)
- 27 janeiro 2012 - "O Método Escutista" - (lêr artigo)
- 13 janeiro 2012 - "Identidade Católica do CNE: nos dias de hoje1" - (lêr artigo)
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ARTIGOS - ANO 2011
- 16 dezembro 2011 - "Identidade Católica do CNE: na fundação(1" - (lêr artigo)- 02 dezembro 2011 - "A Conferência Internacional Católica do Escutismo" - (lêr artigo)
- 18 novembro 2011 - "Voluntários na Educação" - (lêr artigo)
- 04 novembro 2011 - "O Escutismo e os Novos Desafios do Século XXI" - (lêr artigo )
- 21 outubro 2011 - "O Escutismo educa para a Paz" - (lêr artigo)
- 07 outubro 2011 - "Proposta Educativa do CNE" - (lêr artigo)
- 23 setembro 2011 - "O Corpo Nacional de Escutas" - (lêr artigo)
- 09 setembro 2011 - "Escutismo: uma educação para a vida" - (lêr artigo)
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A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 9º e 10º
Os dois últimos artigos da Lei do Escuteiro sobre os quais vamos hoje refletir, convocam dois valores pertencentes a planos diferentes, mas que se complementam entre si: o respeito pelos dons materiais e o respeito pelo dom do amor.
O fundador procura de uma forma objetiva clarificar o seu pensamento sobre estes dois artigos, de uma forma muito objetiva e sem recorrer a complexa argumentação, procurando ser inteligível.
É certo que estes dois artigos são de uma atualidade impressionante nos nossos dias e nas nossas sociedades.
«Como Caminheiro olharás ao futuro e não desperdiçarás tempo nem dinheiro em prazeres de momento, mas aproveitarás antes as OCASIÕES para teu futuro êxito. E fazê-lo com o fim de não seres um encargo mas antes um auxílio para os outros.»[2]
Baden-Powell, coloca este “ser sóbrio e económico” no âmbito muito preciso daquele que gere bem a sua casa, seja no sentido restrito ou no novo sentido que o papa Francisco definiu, na Laudato Si’ com “casa comum”, que gostaria de alargar ainda mais o âmbito à própria vida de cada um mas também à vida de todos. Esta “boa gestão da vida pessoal e social” deve ser balizada pela autonomia individual e pela responsabilidade social, bem ao jeito de uma “ecologia global” dos diversos ecossistemas.
Quando pensamos que o terrorismo ceifa vidas inocentes tomamos consciência que não há respeito por esse valor máximo do ser humano: a vida. Mas quando ouvimos dizer que muitas opções desastrosas de pessoas, gestores e governantes se repercutem na degradação da qualidade de vida de muitos e de cada um de nós, sentimos “na própria pele” que o mundo seria muito melhor se todos pudéssemos viver este artigo.
«Espera-se que, na qualidade de Caminheiro, não só tenhas ideias puras, mas também desejos puros e saibas dominar as tendências e abusos sexuais; que dês aos outros exemplos de pureza e sinceridade em tudo quanto pensas, dizes e fazes»[4]
Roland E. Philipps, colaborador de Baden-Powell, no seu livro, Cartas a um Guia de Patrulha, publicado em 1916, nove anos depois da criação do escutismo, escreve: «Se, pois, lutares por cumprir o décimo Artigo da Lei, e reconheceres que a tua força é demasiado pequena, não te envergonharás de invocar a Grande Força para estar contigo, e então como David, estarás certo de vencer, porque Deus está a teu lado.» e ainda «O décimo artigo é o maior de toda a Lei. É o maior porque é o mais difícil de cumprir».
A questão que se coloca é se este conceito de pureza e de vivência da sexualidade se mantém atual em pleno século XXI. Claro que Mateus, no Sermão da Montanha, escreve: «bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus» (5,8). Claro que esta vivência está envolta pelo “amor”, dom que se dá e que se recebe, dom que cria laços e que une.
Mas quando pensamos nas notícias de abusos, exploração e violência sexual que todos os dias nos chocam, cada vez com mais intensidade, sentimos que este décimo artigo da Lei do Escuta devia ser uma preocupação de todo o cidadão e de toda a educação com valores.
Por isso, somos assaltados por estes quatro versos da Cantata de Paz, de Sophia de Mello Breyner: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar / (...) / O nosso tempo é / Pecado organizado.” E peço que, cada um de nós, assuma o desafio que Francisco nos fez para o dia um de janeiro de 2016 - o XLIX Dia Mundial da Paz: «Vence a indiferença e conquista a paz».
[1] Versão usada pelo Corpo Nacional de Escutas
[3] «Houve tempos em que só havia nove Artigos (...). Mas, finalmente, o Chefe acrescentou o décimo Artigo, e disse o seguinte: “Acredito que, se um rapaz tiver ânimo para cumprir o décimo Artigo, será capaz de cumprir o conjunto dos outros nove.”», Roland E.Philipps, in Cartas a um Guia de Patrulha, edição da Junta Regional de Braga do C.N.E., Braga, 1976, p.103.
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Congresso do CNE Açores: 90 Anos a Construir um Mundo Melhor
No passado fim de semana, mais precisamente, nos dias 10 e 11 de junho, a Região dos Açores do Corpo Nacional de Escutas celebrou o encerramento do 90º aniversário da criação do Escutismo Católico no Arquipélago, com a realização de um Congresso: “90 Anos a Construir um Mundo Melhor – um Melhor Escutismo para um Maior Número de Jovens”, tendo como pano de fundo a Encíclica Papal Laudato Si’.
Na cerimónia de Abertura o Chefe Regional deu as boas vindas aos 280 participantes, dirigentes e caminheiros, agradeceu os apoios recebidos, saudou os palestrantes e formulou votos de bons trabalhos.
A Secretária Regional Adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Isabel Rodrigues, afirmou que o Governo dos Açores encara os escuteiros como “parceiros inestimáveis na construção de um mundo melhor através da formação das crianças e dos jovens”, congratulou-se pelo 90º aniversário e, inspirada por Zeca Afonso, formulou o desejo de: “Venham Mais Noventa”.
O representante de Sua Exª. Revª. D. João Lavrador, Bispo de Angra, louvou o trabalho realizado, nestes noventa anos em prol da juventude açoriana e manifestou a convicção que o escutismo saberá continuar esta sua tarefa na educação do cidadão e aproveitar a visão do Papa Francisco para enriquecer ainda mais a sua missão.
O programa propriamente dito, iniciou-se com uma intervenção do orador oficial - Frei Fernando Ventura - licenciado em Teologia pela UCP e em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Este franciscano levou a plateia a percorrer, nas asas do “Amor”, a encíclica, na convicção que “nós, vivemos hoje, num tempo solteiro de afetos e viúvo de emoções!” e afirmando “o desafio que vos trago é este: Sê Semeador de Estrelas, porque ainda há Estrelas no céu!”, na certeza que o amor é capaz de mover as pessoas rumo à felicidade e à paz.
No primeiro painel - A Nossa Visão – Estar/Participar/Transformar - Laudato Si’ - Um olhar sobre o Mundo, os oradores: Padre Luís Marinho – Assistente Nacional, Dr. Francisco Simões – Psicólogo e Investigador no ISCTE, Dra. Isabel Almeida Rodrigues – Licenciada em Direito e Pós-graduada em Ciências Sociais e em Proteção de Menores, colocaram a tónica na construção do cidadão através da participação ativa dos jovens que leva estes cidadãos a serem, já hoje, construtores de um mundo melhor, respondendo à questão do Papa Francisco “que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” (160).
No segundo painel - A Nossa Motivação – Acolher/Envolver/Edificar – Laudato Si’ - Igreja Fonte de Misericórdia, os oradores: Padre Norberto Brum – Assistente do Núcleo de S. Miguel, Carlos Alberto Pereira – dirigente do CNE e Juan Francisco Ambrósio – Doutorado em Teologia e Professor na UCP, partindo de pontos diferentes, identificaram, nesta temática um projeto de construção do cidadão (e do cristão) que faz da sua forma de “estar” e de “ser” um instrumento de mudança pessoal, social e espiritual enfocada pelos valores que Francisco coloca nesta Encíclica, mas também na Exortação Apostólica Pós Sinodal A Alegria do Amor, sobretudo na relação do Homem com os outros Homens, com Deus e com a Criação.
No terceiro painel - A Nossa Ação – Refletir/Proteger/Viver – Laudato Si’ - A Nossa casa Comum, os oradores: a Professora Doutora Magda Carvalho – Licenciada em Filosofia, Professora na UA e o Prof. Dr. Juan Francisco Ambrósio, partindo de visões diferentes, foram muito de encontro ao sexto capítulo da encíclica onde o Papa defende que a educação e a formação são desafios nucleares “toda a mudança tem necessidade de motivações e de um caminho educativo” (15) e “vários são os âmbitos educativos :a escola, a família, os meios de comunicação, a catequese e outros” (213). Também aqui, as propostas da Evangelii gaudium e da Amoris Laetitia foram convocadas.
Finalmente, no quarto painel - A Nossa Missão – Educar/Partilhar/Servir – Laudato Si’ - CNE - A Construir um Mundo Melhor, os oradores: Norberto Correia – Chefe Nacional, Pedro Duarte Silva – Secretário Nacional Pedagógico e Frei Fernando Ventura, enunciaram a missão do Escutismo enfocada pela Laudato Si’, ampliado, de forma muito mais abrangente, o espaço e a ação, graças ao elemento chave no renovado triplo relacionamento do Homem, consigo mesmo e com os outros homens, com a Criação e com Deus. Focando que o Amor é o manto invisível que cobre estas relações que têm que ser visíveis.
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